Por meio do uso de tecnologias de precisão é possível detalhar o impacto dos riscos climáticos até dentro das áreas de cultivo de uma mesma fazenda. Para isso, um mapa de colheita pode ajudar, identificando as áreas de baixa produtividade e relacionando-as com variáveis climáticas e resultados econômicos ao longo dos anos

Esse procedimento pode auxiliar na tomada de decisão do produtor, em relação às áreas a serem cultivadas ou não, reduzindo o impacto da baixa umidade no solo. Ampliando essa perspectiva, o conceito de zonas de manejo foi utilizado no estudo para abordar a variabilidade espacial da produção dentro das áreas agrícolas.

Estudo, conduzido por cientistas da Embrapa, deduziu que a utilização de zonas de manejo, definidas com base nos mapas de produtividade de soja, que relacionam a produtividade com a posição geográfica precisa, permite o estabelecimento de um plano estratégico para minimizar os impactos dos anos secos, incluindo a substituição dos cultivos de maior risco.

O que motivou o estudo foi que os bons preços da soja nos últimos anos levaram à expansão das lavouras no sul do Brasil e pressionam pela redução da pecuária, que historicamente se adaptou à vegetação local, solo e condições climáticas. Na região da Campanha, do Rio Grande do Sul, na última década, a área de soja cresceu 600%, enquanto o rebanho bovino reduziu 13%. Apesar da tendência de aumento da área cultivada, a produtividade da soja na região apresenta elevada oscilação relacionada, sobretudo, à deficiência hídrica no solo, influenciada pelo efeito dos fenômenos “La Niña e EL Niño”.

“Analisamos os desempenhos produtivo e econômico de três sistemas: a monocultura de soja, o sistema lavoura-pecuária com soja no verão e pastagem de azevém no inverno e o sistema lavoura-pecuária composto por soja e capim-sudão no verão e pastagem de azevém no inverno, obtido por meio de uma simulação, com a substituição da cultura da soja pelo capim-sudão em zonas de baixa produtividade de soja”, explica o pesquisador Naylor Perez, da Embrapa Pecuária Sul, que conduziu os trabalhos com o pesquisador Marcos Neves, da Embrapa Meio Ambiente.

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As zonas de manejo foram definidas em função dos mapas de colheita de soja (mapas de produtividade) relativos aos seis anos anteriores, resultando em 3 zonas, uma zona que sempre foi a mais produtiva, outra com produtividade variável ao longo dos anos e uma terceira, de baixa produtividade.

Para a análise comparativa dos sistemas, foi calculado o lucro operacional para as três situações, usando os dados reais do sistema ILP implantado na área e os dados de literatura para o capim-sudão da variedade BRS Estribo. Os resultados mostraram que o sistema com o monocultivo de soja teve rendimento financeiro insatisfatório em 2 dos seis anos avaliados, sendo um deles negativo.

Já o lucro operacional do sistema ILP (soja e azevém), mostrou que a pecuária aumentou os rendimentos, deixando o sistema com resultados sempre positivos nos anos analisados. O terceiro sistema, com soja/capim-sudão e azevém, mostrou uma melhora perceptível de cerca de 24% em relação ao segundo sistema ILP no período mais seco, mostrando rendimentos similares ao segundo sistema ILP nos demais anos.