Por trás desse grão tão comum existe uma história de escolhas difíceis, desconfiança e decisões que mudaram o agro sem pedir licença.
Deixa eu te perguntar uma coisa, assim, olhando no olho mesmo, sem pressa. Você já parou pra pensar como é que um grãozinho, desses que a gente quase não vê quando passa na estrada, virou um dos pilares do Brasil moderno? Pois é. A soja tá aí todo dia, na conversa do produtor, no preço do frango, no leite da criança, mas pouca gente entende o caminho torto que ela fez até chegar onde chegou.
Não é conversa de boteco, é coisa séria de lavoura. A soja não nasceu brasileira, longe disso. Ela apareceu há cerca de 5 mil anos lá na China, nas beiras do rio Yangtzé. Um grão milenar, cultivado com paciência oriental, que só foi dar as caras por aqui no final do século XIX. E olha a ironia, veio humilde, pra alimentar boi em pequena propriedade. Quem diria que esse mesmo grão ia colocar o Brasil na liderança mundial desde 2020, com mais de 154,6 milhões de toneladas na safra 2022/2023.
Aí eu te pergunto, será que a terra já sabia disso e a gente que demorou pra ouvir?
Quando tudo parecia impossível, mas alguém insistiu
Lá pelos anos 70, a conversa era outra. Em 1970, o Brasil produzia só 1,5 milhão de toneladas de soja. Dez anos depois, eram 15 milhões. Um salto desses não acontece por milagre, nem por sorte grande. Acontece quando tem gente teimosa, pesquisador curioso e produtor disposto a tentar o que ninguém garante que vai dar certo.
Diziam que soja não era coisa de clima quente. Que abaixo de certas latitudes, então, nem pensar. Mas o pessoal da ciência foi lá, cutucou gene daqui, observou planta dali, e descobriu variedades que cresciam mais devagar, mas enchiam o grão com vontade. Não é bonito isso? Crescer menos pra produzir mais. Parece até lição de vida, né.
Graças a isso, a soja foi entrando onde diziam que ela não entrava. Mato Grosso, Goiás, Bahia, tudo abaixo dos 20 graus de latitude. Depois veio Pará, Maranhão, Tocantins, Piauí, regiões abaixo dos 10 graus. Quem vê hoje acha normal, mas na época era quase heresia agrícola. Na teoria é bonito, mas tenta convencer o banco, o vizinho e a família de que isso vai funcionar.
A desconfiança que virou regra
Agora, se tem um assunto que ainda hoje rende conversa atravessada é a tal da transgenia. Em 1998, quando a soja transgênica foi aprovada no Brasil, o pé atrás era geral. Produtor desconfiado, consumidor com medo, político fazendo discurso. Mas o campo tem uma mania antiga, só adota o que resolve problema real.
E resolveu. Hoje, 96% da soja plantada no Brasil é transgênica, ocupando 34,86 milhões de hectares. Não foi moda, foi necessidade. Menor custo operacional, mais produção, menos defensivo químico. O gado não espera boa vontade, a conta não espera ideologia. Cê sabe como é.
Será que quem critica de longe entende o aperto de quem decide isso com o custo no talo e o clima sem dar aviso?
Três estados e um país inteiro nas costas
Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Paraná carregam mais da metade da soja brasileira nas costas. E Mato Grosso, ó, é um caso à parte. Lidera isolado, com 30,5 milhões de toneladas em 9,3 milhões de hectares. Não é só tamanho, é eficiência construída com estrada ruim, distância longa e planejamento na unha.




