Soja (MT)R$ 138,36-0.28%
Milho (MT)R$ 46,64-1.10%
Algodão (MT)R$ 127,31-2.48%
Boi Gordo (MT)R$ 341,51+1.03%
Leite (MT)R$ 2,39-0.30%
Soja (MT)R$ 138,36-0.28%
Milho (MT)R$ 46,64-1.10%
Algodão (MT)R$ 127,31-2.48%
Boi Gordo (MT)R$ 341,51+1.03%
Leite (MT)R$ 2,39-0.30%
Soja (MT)R$ 138,36-0.28%
Milho (MT)R$ 46,64-1.10%
Algodão (MT)R$ 127,31-2.48%
Boi Gordo (MT)R$ 341,51+1.03%
Leite (MT)R$ 2,39-0.30%

USDA infla safra dos EUA, Brent sustenta US$ 105 e plantio em MT acelera no feriado

USDA infla safra dos EUA, Brent sustenta US$ 105 e plantio em MT acelera no feriado

Abrimos a segunda semana de outubro sob a digestão pesada dos novos números oficiais de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgados no encerramento da última semana. A confirmação de uma produtividade mais generosa no cinturão norte-americano colocou a soja sob pressão na Bolsa de Chicago (CBOT), com os contratos futuros operando em baixa generalizada na abertura desta segunda-feira.

No Brasil, os mercados financeiros e o pregão físico operam de portas fechadas devido ao feriado nacional da Padroeira do Brasil (Nossa Senhora Aparecida), do Dia das Crianças e do Dia do Engenheiro Agrônomo. Sem a referência do câmbio em tempo real, as atenções do produtor rural em Mato Grosso voltam-se integralmente para a terra: as plantadeiras aceleraram forte após a regularização das chuvas, aproximando a semeadura nacional da marca de 20%. No exterior, o barril de petróleo tipo Brent segue firme acima dos US$ 105, impulsionado por alertas contundentes da Opep sobre o subinvestimento na matriz fóssil.

Abaixo, detalho os fundamentos que comandam os negócios nesta manhã direto da nossa redação em Cuiabá.

Complexo Soja: USDA eleva rendimento e pressiona Chicago

Grãos de soja em um campo, ilustrando a queda nos preços devido à desvalorização do dólar.
Entenda como a desvalorização do dólar e a expectativa de safra recorde impactam os preços da soja brasileira no cenário global.

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros da oleaginosa operam em nítido viés baixista nesta manhã de segunda-feira. Por volta das 6h55 (horário de MT), as telas registravam perdas de 5 a 9 pontos.

O movimento reflete o impacto direto do boletim mensal do USDA, que trouxe dados mais baixistas do que o mercado projetava:

  • Produção nos EUA: Projetada em 4,56 bilhões de bushels, um aumento de 27 milhões de bushels frente ao relatório de setembro.
  • Produtividade Reajustada: O rendimento médio das lavouras subiu para 53,1 bushels por acre (+0,3 bpa ante a projeção anterior), enquanto a área colhida permaneceu inalterada em 85,9 milhões de acres.
  • Oferta e Estoques: A oferta total norte-americana subiu 17 milhões de bushels, alcançando 4,90 bilhões (limitada por estoques iniciais menores). Com um ganho de 10 milhões de bushels na estimativa de exportação e processamento estável, os estoques finais foram elevados em 5 milhões de bushels, totalizando 315 milhões.

Com a consolidação desses números e a melhora sensível das condições meteorológicas no Meio-Oeste americano, os produtores dos EUA conseguem acelerar as colheitadeiras, intensificando a pressão sazonal de oferta física sobre as telas futuras.

Milho e Trigo: Cereal opera de lado e balcão nacional amarga preços baixos

O milho trabalha de lado na CBOT nesta manhã, buscando estabilidade após a forte liquidação sofrida na última sexta-feira.

No mercado doméstico brasileiro, a situação do cereal é delicada: as cotações seguem em patamares bastante deprimidos. A indústria consumidora interna (granjas, frigoríficos e usinas de etanol) realizou compras antecipadas e estancou temporariamente suas necessidades de curto prazo. Essa retração de demanda, somada à barreira do dólar em patamares baixos, retira a atratividade das vendas nas praças do Centro-Oeste.

América do Sul: Plantio em MT acelera forte rumo aos 20%

No Brasil, o cenário no campo ganhou tração nas últimas jornadas. Segundo projeções divulgadas pelo portal Notícias Agrícolas, o plantio da safra 2026/27 já se aproxima da marca de 20% da área estimada nacionalmente.

A disparidade regional, contudo, continua ditada pelo fenômeno El Niño:

  • Mato Grosso: As plantadeiras aceleraram de forma significativa, aproveitando as janelas de umidade para recuperar o compasso do calendário agronômico.
  • Rio Grande do Sul: O ritmo segue travado pelo excesso crônico de precipitações, que mantém os solos saturados e limita as horas de máquina em campo.

Com os preços da soja no balcão nacional pressionados pela conjunção do recuo cambial recente com prêmios portuários enfraquecidos, o agricultor brasileiro adota uma postura pragmática: desliga o rádio comercial e concentra esforços operacionais na semeadura para garantir o plantio no melhor período da janela.

Mercado Financeiro e Câmbio: Sem negócios pelo feriado; dólar fechou a R$ 4,98

Em virtude do feriado nacional de 12 de outubro, a B3 e o mercado financeiro brasileiro não operam hoje, paralisando a formação das taxas de câmbio oficiais.

A referência para o balcão físico permanece a do encerramento da última semana, quando o dólar fechou em baixa, cotado a R$ 4,98. Esse patamar, consolidado após o resultado do primeiro turno eleitoral, favorece a aquisição de insumos dolarizados pendentes, mas impõe um teto severo à precificação da saca disponível e futura em moeda corrente.

O front macro: Brent acima de US$ 105 e o alerta da Opep

No setor energético, o petróleo dá sequência à recuperação e trabalha consolidado acima da marca de US$ 105,00 por barril.

Além dos conflitos geopolíticos no Golfo Pérsico e na Europa, o relatório da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) trouxe declarações cruciais de seu secretário-geral, Haitham Al Ghais:

  • Corte na Demanda: A entidade reduziu a projeção de crescimento da demanda global de petróleo para 2026 para 400 mil barris por dia (bpd), uma revisão drástica frente aos 1,4 milhão de bpd estimados no início do ano.
  • Crise de Investimento: A Opep alertou que o mundo vem aportando recursos insuficientes nos segmentos de exploração, refino e transporte (upstream, downstream e midstream). Segundo a entidade, os gargalos de capacidade de refino já são evidentes, mantendo o produto refinado (como o diesel) com prêmios estruturalmente inflados.

Resumo Executivo para o seu radar hoje:

  • Pressão do USDA: Soja cai de 5 a 9 pontos na CBOT com safra dos EUA projetada em 4,56 bi de bushels, rendimento recorde em 53,1 bpa e estoques finais em 315 mi de bushels.
  • Colheita nos EUA: Clima seco e favorável no Corn Belt destrava o trabalho das colheitadeiras e amplia a oferta imediata.
  • Milho Doméstico Fraco: Cereal de lado em Chicago e travado no Brasil por demanda interna abastecida e câmbio desvalorizado.
  • Plantio no Brasil a 20%: Semeadura ganha velocidade intensa em Mato Grosso, enquanto o excesso de chuva atrasa o Rio Grande do Sul sob influência do El Niño.
  • Feriado Sem Câmbio: Mercado financeiro brasileiro fechado hoje; referência cambial permanece no fechamento de sexta-feira a R$ 4,98.
  • Brent Acima de US$ 105: Petróleo avança amparado em alertas da Opep sobre corte drástico na demanda de 2026 (400 mil bpd) e escassez estrutural de investimentos em refino.

Nesta segunda-feira de feriado no Brasil, a lição operacional é clara: com a safra americana crescendo nas planilhas do USDA e Chicago acusando o golpe, a receita da soja no balcão depende diretamente da gestão agronômica em solo mato-grossense. Aproveitar as precipitações para consolidar o estande de plantas e fechar o plantio na janela é a prioridade, mantendo os olhos abertos para o custo do frete e do combustível com o Brent insistindo em romper os US$ 105. Um excelente feriado a todos e uma semana de grande produtividade no campo!

Por Luiz Cunha – Consultor de mercado físico de grãos e fertilizantes

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Foto de Vicente Delgado

Sobre o autor

Vicente Delgado

DRT 2364/MT
Editor-Chefe e Fundador24+ anos de experiência

Jornalista e fundador do Agronews, atua desde 2002 em produção audiovisual e cobertura do agronegócio brasileiro, com foco em commodities, política agrícola, pecuária e eventos do setor.

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Brent dólar Mato Grosso milho plantio soja

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