Soja (MT)R$ 138,75+0.03%
Milho (MT)R$ 47,16-0.59%
Algodão (MT)R$ 130,55-1.33%
Boi Gordo (MT)R$ 338,04+0.57%
Leite (MT)R$ 2,39-0.30%
Soja (MT)R$ 138,75+0.03%
Milho (MT)R$ 47,16-0.59%
Algodão (MT)R$ 130,55-1.33%
Boi Gordo (MT)R$ 338,04+0.57%
Leite (MT)R$ 2,39-0.30%
Soja (MT)R$ 138,75+0.03%
Milho (MT)R$ 47,16-0.59%
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Boi Gordo (MT)R$ 338,04+0.57%
Leite (MT)R$ 2,39-0.30%

China compra 95,5% do sorgo exportado pelo Brasil e abre nova frente para a segunda safra

Sorgo

Embarques chegaram a 790,8 mil toneladas entre janeiro e setembro de 2026; expansão combina demanda externa, novas operações logísticas e uma produção nacional 20,4% maior.

O Brasil exportou 790,8 mil toneladas de sorgo em grão entre janeiro e setembro de 2026, contra 105 toneladas no mesmo período de 2025. A China comprou 95,5% do volume, transformando um fluxo comercial quase inexistente em uma nova saída para o cereal brasileiro.

A concentração também define o desafio dessa expansão: o Brasil ganhou escala nas vendas externas, mas depende de um único comprador para quase todo o volume embarcado.

O crescimento ocorre junto com uma oferta maior no campo. No levantamento de setembro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou a produção de sorgo da safra 2025/26 em 7,35 milhões de toneladas, avanço de 20,4% sobre a temporada anterior. A área cultivada aumentou 32,9%, incorporando aproximadamente 537 mil hectares.

Setembro concentra os embarques e revela o peso da China

Vale destacar que esses volumes correspondente ao sorgo em grão destinado a outros usos que não a semeadura. Portanto, a comparação exclui sementes, registradas separadamente nas estatísticas comerciais.

Nesse recorte, as exportações somaram US$ 176,8 milhões até setembro. A China recebeu 755,6 mil toneladas, enquanto o Marrocos comprou 35,2 mil toneladas.

O salto ocorreu sobretudo no fim do período. Os embarques para os chineses passaram de 185,4 mil toneladas em agosto para 570,2 mil toneladas em setembro, crescimento de 207,6%.

A abertura comercial exige mais do que disponibilidade de grãos. O protocolo publicado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária estabelece que as empresas de processamento e armazenamento que exportam para a China devem estar registradas na Administração Geral das Aduanas chinesa, a GACC. Também prevê limpeza do produto, inspeção, testes oficiais e emissão de certificado fitossanitário.

Assim, a participação nesse mercado depende da organização da cadeia: produção, beneficiamento, armazenagem e transporte precisam atender às condições do país comprador.

Ferrovias entram na operação e ampliam as rotas de saída

Em comunicado de 7 de outubro, a VLI Logística informou o início da movimentação de sorgo em seus corredores Leste, Sudeste e Norte. Até setembro, a companhia havia embarcado mais de 250 mil toneladas, sendo 90 mil por Santos e mais de 160 mil pelo Porto de Tubarão, no Espírito Santo. Nos dois casos, o destino informado foi a China.

“A inclusão do sorgo em nosso portfólio reflete a capacidade da companhia de desenvolver soluções logísticas ágeis e aderentes às necessidades do mercado”, afirmou Carolina Hernandez, diretora-executiva Comercial, de Projetos e Planejamento Estratégico da VLI.

A empresa prevê transportar mais de 800 mil toneladas até o fim de 2026. No Corredor Norte, que atende produtores da Bahia, Maranhão e Tocantins, a primeira movimentação ferroviária ocorreu em setembro para o Porto do Itaqui, no Maranhão. O embarque marítimo estava previsto para outubro, com destinos no norte da África e na China.

Essas operações mostram a adaptação da infraestrutura ao cereal. Os volumes da empresa, contudo, descrevem sua própria movimentação e previsão de transporte; não equivalem ao total nacional registrado nas estatísticas aduaneiras.

Para Mato Grosso, oportunidade comercial precisa acompanhar a janela de plantio

No campo, o avanço das exportações acrescenta um destino comercial a uma cultura que já participa da segunda safra. Em publicação técnica de setembro de 2026, pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo, entre eles Cícero Beserra de Menezes e Flávio Dessaune Tardin, relacionam a expansão do cereal à maior tolerância ao déficit hídrico em comparação com o milho, à demanda por ração e etanol de grãos e à diversificação dos sistemas produtivos.

O chefe-geral da unidade, Vinícius Pereira Guimarães, destaca seu uso para a “diversificação de sistemas produtivos, especialmente em regiões sujeitas a déficit hídrico”.

O resultado observado em Mato Grosso reforça essa função agronômica. A Conab informou, no levantamento de setembro, que a colheita estadual estava concluída e que o rendimento havia sido satisfatório, mesmo com restrição hídrica em parte do estado.

A tolerância à seca, porém, tem limites. Em Goiás, a companhia registrou resultados bastante diferentes conforme a época de semeadura: na região leste, lavouras plantadas na janela ideal alcançaram 5.400 quilos por hectare, enquanto cultivos tardios tiveram rendimentos de 1.200 quilos por hectare. Em outras localidades, houve casos de produção nula.

Há ainda uma exigência comercial que acompanha o grão até o destino. Pelo protocolo bilateral, cargas com problemas quarentenários sem tratamento eficaz podem ser devolvidas ou destruídas, com custos para o exportador. A qualidade do produto e o cumprimento dos requisitos fitossanitários fazem parte, portanto, da continuidade desse novo mercado.

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Foto de Vicente Delgado

Sobre o autor

Vicente Delgado

DRT 2364/MT
Editor-Chefe e Fundador24+ anos de experiência

Jornalista e fundador do Agronews, atua desde 2002 em produção audiovisual e cobertura do agronegócio brasileiro, com foco em commodities, política agrícola, pecuária e eventos do setor.

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China sorgo

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