Tarântula ‘zumbi’ é encontrada na Amazônia; The Last of Us na vida real

Publicado: 22/01/2026
Atualizado: 22/01/2026
Tarântula ‘zumbi’ é encontrada na Amazônia; The Last of Us na vida real

Cientistas encontraram uma tarântula-golias no Amazonas dominada por um fungo parasita que a transforma em um ‘zumbi’. Veja o vídeo impressionante!

O registro foi feito na Reserva Ducke, perto de Manaus, durante uma atividade científica de coleta. A espécie da aranha é a Theraphosa blondi, considerada a maior do mundo. O fungo é do gênero Cordyceps, conhecido por infectar artrópodes e alterar seu comportamento. Não é cena de filme, nem efeito especial. É biologia pura acontecendo no chão da floresta.

Vídeo chama atenção

A chamada tarântula zumbi virou assunto porque as imagens são claras e diretas. A aranha aparece praticamente imóvel, com estruturas rígidas e avermelhadas saindo do corpo. Isso indica que o fungo já completou seu ciclo interno e agora está na fase de reprodução.

Para quem não está acostumado com esse tipo de fenômeno, a primeira reação é estranheza. No campo, a gente aprende cedo que praga, doença e parasita fazem parte do jogo. A diferença aqui é a escala e a complexidade do processo. Não se trata de um inseto comum, mas de um dos maiores aracnídeos do planeta sendo dominado por um organismo microscópico.

O vídeo foi compartilhado por pesquisadores ligados a universidades brasileiras e estrangeiras, o que deu ainda mais visibilidade ao caso. Não é material sensacionalista. É registro científico feito em ambiente natural, sem interferência humana.

O que é o fungo

O Cordyceps é um gênero de fungos parasitas que já era bem conhecido antes de virar referência em jogos e séries. Na natureza, ele tem papel importante no equilíbrio das populações de insetos e outros artrópodes. Cada espécie de fungo costuma ser especializada em um tipo de hospedeiro.

No caso registrado na Amazônia, o fungo identificado foi o Cordyceps caloceroides. Ele não aparece do nada. Seus esporos estão espalhados no ambiente e entram em contato com o hospedeiro durante a movimentação normal do animal pelo solo da floresta.

Depois que o fungo se estabelece, o processo é silencioso. Por fora, quase não há sinal no início. O que chama atenção só aparece no final, quando o organismo já consumiu praticamente todo o interior da aranha e emerge para liberar novos esporos.

Como ocorre a infecção

Tarântula 'zumbi' é encontrada na Amazônia; The Last of Us na vida real

A infecção começa quando os esporos microscópicos aderem ao exoesqueleto da tarântula. Com condições favoráveis de umidade e temperatura, comuns na floresta amazônica, esses esporos germinam e conseguem atravessar a carapaça por ação mecânica e química.

Uma vez dentro do corpo, o fungo se espalha pelos tecidos e pela hemolinfa, que é o fluido circulatório dos artrópodes. Durante muito tempo se acreditou que esse tipo de fungo atacava diretamente o sistema nervoso central. Pesquisas mais recentes mostram que o controle do comportamento ocorre de outra forma.

O fungo envolve as estruturas nervosas e libera substâncias que interferem na comunicação entre músculos e neurônios. Na prática, o animal perde a capacidade de se locomover e reagir. Quando chega ao estágio visto no vídeo, a tarântula já está morta, e o fungo apenas completa seu ciclo reprodutivo.

Por que viralizou

O assunto ganhou força porque muita gente associa o Cordyceps a histórias de ficção, como a série inspirada no jogo The Last of Us. A diferença é que, na vida real, esse tipo de fungo não afeta humanos. Ele é altamente especializado e depende de características muito específicas do hospedeiro.

Tarântula 'zumbi' é encontrada na Amazônia; The Last of Us na vida real
VEJA TEMBÉM: The Last of Us: Conheça o fungo que transforma hospedeiros em Zumbis

Mesmo assim, o paralelo ajuda a chamar atenção para um tema pouco conhecido fora do meio científico. A ideia de um organismo capaz de alterar o comportamento de outro desperta curiosidade e até medo. No campo, esse tipo de relação é mais comum do que parece. Basta lembrar de vespas parasitando lagartas ou fungos atacando insetos em lavouras.

A viralização também mostra como a biodiversidade amazônica ainda guarda muitos registros inéditos. Cada novo vídeo ou foto bem documentada ajuda a ampliar o conhecimento sobre o funcionamento desses ecossistemas.

Importância científica

Documentar casos como esse não é só curiosidade acadêmica. Conhecer a diversidade de fungos do Brasil ajuda a entender o estado de conservação dos ambientes naturais e as relações entre espécies. Para quem trabalha com produção rural, isso tem reflexo direto no manejo de pragas, no uso de controle biológico e na preservação de áreas nativas.

O Brasil é líder mundial em biodiversidade, mas ainda conhece pouco do que existe dentro das próprias fronteiras. Cada expedição científica bem feita gera dados que podem virar pesquisa aplicada no futuro, seja na agricultura, na medicina ou na indústria.

Para o produtor rural, fica o recado de sempre: a natureza funciona em rede. O que acontece na floresta influencia o clima, os polinizadores, o equilíbrio de pragas e até a produtividade lá na frente. Entender esses processos ajuda a tomar decisões mais conscientes dentro da porteira.

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Cordyceps fungo zumbi The Last of Us

Escrito por

Redação

Especialista em notícias e análises do mercado agropecuário.