Paridade de exportação trava preços e aperta a margem no campo.
As incertezas cambiais e um cenário externo adverso seguem pesando sobre as perspectivas do agronegócio brasileiro, com impacto direto nas decisões de venda do produtor. A combinação de dólar volátil e Bolsa de Chicago lateralizada limita reações de preços no mercado interno, mantendo as negociações travadas próximas à paridade de exportação.
Câmbio e Chicago limitam reação dos preços
Na referência internacional, o contrato da soja em Chicago para março/2026 encerrou a US$ 1.062,75/bushel em 09/01/2026, enquanto o farelo foi cotado a US$ 305,40/t. O movimento lateral do mercado externo, somado às oscilações do câmbio, impede uma formação de preços mais firme no Brasil. Com isso, o produtor encontra dificuldade para negociar acima dos custos, especialmente nas regiões mais distantes dos portos.
A pressão da paridade de exportação segue como principal referência. Em Mato Grosso, segundo o IMEA, os valores de janeiro refletem esse teto: R$ 114,00/saca em Rondonópolis e R$ 103,90/saca em Canarana (12/01/2026). Para março/2026, a paridade estimada varia entre R$ 100 e R$ 102/saca em Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Diamantino, e R$ 105,67/saca em Primavera do Leste.
Mercado físico pressionado no Brasil
Os indicadores do CEPEA/ESALQ reforçam o cenário de cautela. No Paraná, o indicador marcou R$ 133,85/saca em 09/01/2026, enquanto o preço físico médio nacional ficou em R$ 128,99/saca. No porto de Paranaguá, a referência foi de R$ 142,14/saca em 02/01/2026, valor que ainda depende de um câmbio mais favorável para sustentar altas.
Com a colheita da safra 2025/26 iniciada e expectativa de boa produtividade, a oferta tende a aumentar nas próximas semanas. Sem novos dados oficiais de Conab ou USDA, o mercado trabalha com cautela, avaliando o ritmo de vendas frente a um ambiente externo pouco estimulante.




