Soja (MT)R$ 137,01+0.64%
Milho (MT)R$ 48,70+1.10%
Algodão (MT)R$ 136,91-0.01%
Boi Gordo (MT)R$ 321,21+0.22%
Leite (MT)R$ 2,40+5.83%
Soja (MT)R$ 137,01+0.64%
Milho (MT)R$ 48,70+1.10%
Algodão (MT)R$ 136,91-0.01%
Boi Gordo (MT)R$ 321,21+0.22%
Leite (MT)R$ 2,40+5.83%
Soja (MT)R$ 137,01+0.64%
Milho (MT)R$ 48,70+1.10%
Algodão (MT)R$ 136,91-0.01%
Boi Gordo (MT)R$ 321,21+0.22%
Leite (MT)R$ 2,40+5.83%

Soja rompe US$ 13,50 em Chicago com colheita lenta nos EUA e alerta de El Niño no Brasil

Lavoura de soja Mato Grosso PIB agropecuaria Brasil 2026

A quarta-feira abre com o mercado de grãos em ritmo de forte valorização e rompendo importantes resistências técnicas nas bolsas internacionais. Na Bolsa de Chicago (CBOT), a oleaginosa engatou a segunda sessão consecutiva de ganhos de dois dígitos, empurrando o contrato da safra futura para além da barreira dos US$ 13,50 por bushel. O movimento é alimentado pela lentidão e incerteza no avanço da colheita norte-americana, pelo suporte vigoroso dos derivados e pela persistência de um cenário geopolítico que mantém os custos globais em patamares historicamente elevados.

No ambiente sul-americano, os olhos do mercado voltam-se com intensidade crescente para o calendário de semeadura da safra 2026/27 no Brasil, onde a influência climática do fenômeno El Niño entra no centro das atenções. Enquanto isso, o câmbio opera estável a R$ 5,15 sob o compasso das pesquisas eleitorais, e o petróleo registra um respiro pontual na esteira de conversas comerciais entre Washington e Pequim.

Abaixo, detalho os fundamentos que comandam a abertura dos negócios nesta manhã direto da nossa redação em Cuiabá.

Complexo Soja: Arrancada na CBOT, suporte dos derivados e colheita a 6% nos EUA

Na Bolsa de Chicago (CBOT), o complexo soja amanhece com forte tração compradora. A oleaginosa registra alta de mais 10 pontos nesta manhã de quarta-feira, dando sequência direta aos 10 pontos de valorização conquistados no pregão anterior.

Com essa arrancada acumulada, o mercado estabelece um novo e expressivo degrau de preços: o contrato Soja Março/27 (safra nova brasileira) já trabalha consolidado acima de US$ 13,50 por bushel.

Três motores sustentam essa dinâmica altista:

  1. Ritmo Inicial da Colheita nos EUA: Os trabalhos de campo atingiram 6% de área colhida na primeira quinzena de setembro nos Estados Unidos. A entrada lenta das máquinas e as dúvidas persistentes sobre o peso dos grãos e a produtividade final mantêm os investidores cautelosos quanto ao tamanho da safra norte-americana.
  2. Força dos Subprodutos: O farelo e o óleo de soja operam com firmeza, garantindo suporte industrial contínuo à demanda pelo grão e impulsionando a moagem.
  3. Apetite Chinês: As compras asiáticas de soja norte-americana permanecem no radar diário dos analistas, mantendo um fluxo consistente de absorção de lotes físicos nos portos do Golfo e do Noroeste do Pacífico.

Milho e Trigo: Cautela e compasso neutro em Chicago

Ao contrário do rali observado na soja, o complexo cerealífero opera em terreno neutro na abertura da CBOT. Os contratos futuros de milho e trigo registram estabilidade nas primeiras horas de negociação.

Os operadores de cereais evitam movimentos agressivos, acompanhando o andamento inicial da colheita do milho nos Estados Unidos e calibrando as previsões meteorológicas para o restante da semana no Corn Belt.

América do Sul: Safra 2026/27 sob o radar do El Niño

No Brasil, a atenção do setor produtivo e das tradings internacionais começa a migrar definitivamente para o solo sul-americano. O início da semeadura da soja para a temporada 2026/27 entra em fase de avaliação estratégica, especialmente pelo impacto potencial do fenômeno El Niño.

O padrão climático traz alterações relevantes para o regime de chuvas e exige planejamento rigoroso por parte do produtor para balizar a janela ideal de plantio e a subsequente semeadura do milho segunda safra. Com a soja em novos patamares na CBOT e o dólar sustentado, a formação de preços no interior do país segue altamente favorável para a fixação de margens na safra nova.

O front macro: Brent recua para US$ 106,87 em meio a diálogo entre EUA e China

No mercado internacional de energia, o petróleo amanhece devolvendo parte das fortes altas acumuladas nos últimos dias. O barril de petróleo tipo Brent registra queda de 1,75%, cotado a US$ 106,87.

O gatilho para essa moderação momentânea veio do campo diplomático: negociadores de Estados Unidos e China iniciaram discussões preliminares a respeito de questões tarifárias sobre energia antes da cúpula bilateral. Embora esse diálogo reduza temporariamente o prêmio de risco, o cenário geopolítico no Oriente Médio e no Mar Negro continua estruturalmente tenso, mantendo o óleo bruto confortavelmente acomodado acima dos US$ 100.

Mercado Financeiro: Câmbio opera de lado a R$ 5,15 de olho no cenário eleitoral

No ambiente doméstico, a moeda norte-americana encerrou a sessão anterior praticamente estável e trabalha sem grandes oscilações nesta manhã, orbitando a casa de R$ 5,15.

A cautela dos investidores locais decorre da leitura contínua do quadro político nacional. As mesas de câmbio acompanham diariamente a divulgação de novas pesquisas de intenção de voto para a corrida presidencial no Brasil, calibrando o apetite por risco e equilibrando as forças entre a volatilidade eleitoral interna e as pressões macroeconômicas externas.

Resumo Executivo para o seu radar hoje:

  • Força em Chicago: Soja sobe mais 10 pontos na CBOT; contrato Março/27 rompe e consolida patamar acima de US$ 13,50/bushel.
  • Colheita Inicial nos EUA: Colheita norte-americana atinge 6% na primeira quinzena de setembro, mantendo as atenções voltadas ao rendimento das lavouras.
  • Subprodutos em Alta: Farelo e óleo firmes sustentam o suporte aos contratos futuros do grão.
  • Cereais Neutros: Milho e trigo operam de lado na CBOT à espera do avanço das máquinas nos EUA.
  • Plantio 2026/27 e Clima no BR: Produtor nacional monitora a umidade do solo e a influência do El Niño no regime de chuvas para a semeadura de verão.
  • Petróleo Respira: Brent recua 1,75% para US$ 106,87 com tratativas tarifárias de energia entre EUA e China antes de cúpula bilateral.
  • Câmbio Ancorado a R$ 5,15: Dólar opera estável frente ao real, pautado pelas pesquisas eleitorais e pelo cenário político doméstico.

O avanço da soja acima dos US$ 13,50 na CBOT, combinado com a paridade cambial em R$ 5,15, reafirma uma janela excelente para a consolidação de médias de venda da safra 2026/27. À medida que as plantadeiras aguardam a regularização das chuvas sob o alerta do El Niño, o momento exige disciplina para travar margens rentáveis e proteger o fluxo de caixa da propriedade. Seguiremos acompanhando as atualizações de Chicago e do mercado físico ao longo do dia no Agronews.

Por Luiz Cunha – Consultor de mercado físico de grãos e fertilizantes

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Foto de Vicente Delgado

Sobre o autor

Vicente Delgado

DRT 2364/MT
Editor-Chefe e Fundador24+ anos de experiência

Jornalista e fundador do Agronews, atua desde 2002 em produção audiovisual e cobertura do agronegócio brasileiro, com foco em commodities, política agrícola, pecuária e eventos do setor.

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