Retomamos os trabalhos nesta terça-feira após a pausa dupla do feriado da Independência no Brasil e do Labor Day nos Estados Unidos. O mercado reabre com as mesas de operação globais em estado de alerta máximo. Diretamente da nossa redação em Cuiabá, acompanhamos um cenário em que a geopolítica assume o controle absoluto dos preços: o petróleo dispara e encosta nos US$ 99, enquanto a tensão no Estreito de Ormuz acende uma luz vermelha para o custo dos fertilizantes da nossa safra de verão. Na Bolsa de Chicago (CBOT), os grãos operam no azul, amparados pelo caos logístico na Europa e pela fome asiática.
Abaixo, o detalhamento das forças que ditam o ritmo dos negócios nesta retomada.
O front macro: Brent a US$ 98,60 e o perigo no fluxo de nitrogenados
O xadrez geopolítico não tirou folga. Os conflitos entre Rússia e Ucrânia se intensificaram nos últimos dias, assim como os novos ataques americanos ao Irã. O reflexo imediato estourou no mercado de energia: o barril de petróleo tipo Brent abre a sessão com forte alta de 1,65%, cotado a US$ 98,60, sem qualquer sinalização de acordo de paz no horizonte.
Para o produtor brasileiro, o impacto vai além do óleo diesel. A intensificação da crise no Estreito de Ormuz, um gargalo logístico por onde transita 20% de todo o petróleo e gás natural veicular (GNV) consumidos no mundo, afeta frontalmente a cadeia global de distribuição de fertilizantes nitrogenados. O risco contínuo de estrangulamento dessa rota inflaciona o custo de produção para o agronegócio de Mato Grosso e de toda a América do Sul.
Complexo Soja: Alta firme e olhos divididos entre EUA e Brasil
Na Bolsa de Chicago (CBOT), o complexo soja amanhece no campo positivo. Vale lembrar que, na semana passada, a oleaginosa chegou a passar por uma leve realização de lucros na sexta-feira, mas sustentou um saldo semanal de ganhos.
Nesta manhã, por volta das 7h (horário de MT), o contrato Setembro/26 trabalhava a US$ 12,98 por bushel, enquanto a safra nova sul-americana (Março/27) era negociada a US$ 13,32 por bushel.
Os operadores calibram seus prêmios amparados em dois radares:
Fundamentos de Safra: A reta final do desenvolvimento das lavouras americanas segue sendo escrutinada diariamente, ao mesmo tempo em que os fundos começam a precificar o clima e os preparativos para a largada do plantio no Brasil.
Demanda Asiática: A China intensificou o ritmo de compras da soja americana. Contudo, o mercado calcula que Pequim ainda está muito longe de atingir a meta estabelecida de 25 milhões de toneladas anuais, garantindo que os asiáticos terão de continuar puxando produto de forma agressiva.
Milho e Trigo: Cereais puxados pelo pânico no Mar Negro
O milho acompanha a toada agrícola e abre a semana operando em campo positivo na CBOT. O contrato Setembro/26 é cotado a US$ 5,12 por bushel, enquanto a posição Maio/27 avança para US$ 5,62 por bushel.
O grande vetor dessa sustentação, no entanto, é o trigo. O recrudescimento da guerra e a ameaça persistente sobre o Mar Negro injetaram novos temores no fornecimento global do cereal. Como de costume, as escaladas e o pânico no trigo atuam como um ímã, elevando os preços e arrastando as demais commodities (milho e soja) em sua esteira de alta.
Mercado Financeiro: Dólar cede a R$ 5,11 com ajustes do Banco Central
No ambiente financeiro doméstico, a moeda norte-americana, que havia encerrado a semana passada em terreno positivo na casa de R$ 5,13, inicia os negócios de hoje recuando e operando a R$ 5,11.
Esse leve alívio pontual no câmbio é um reflexo direto de ajustes promovidos pelo Banco Central nas expectativas de inflação no Brasil. Embora a temperatura da geopolítica externa continue exercendo forte pressão global sobre a moeda americana, esse movimento técnico interno oferece uma pequena descompressão na paridade.
O que levar no radar hoje: Para guiar suas estratégias comerciais e logísticas neste retorno de feriado:
Retomada Positiva: CBOT abre em alta; Soja Set/26 a US$ 12,98 e Mar/27 a US$ 13,32 o bushel.
Milho Sustentado: Cereal futuro avança (Maio/27 a US$ 5,62), beneficiando-se das tensões inflacionárias no trigo.
O Risco Ormuz: Tensão extrema no Golfo Pérsico ameaça o trânsito de 20% do petróleo/GNV mundial, encarecendo os adubos nitrogenados.
Demanda Chinesa: Pequim acelera compras da oleaginosa americana, mas segue distante da cota de 25 milhões de toneladas anuais.
Explosão da Energia: Brent salta 1,65% para perigosos US$ 98,60 diante da falta de paz e dos ataques iranianos.
Câmbio em Recuo: Dólar a R$ 5,11 exige frieza; com a energia beirando os US$ 100, os fechamentos de balcão devem estar milimetricamente atrelados às operações de barter.
Com as máquinas sendo revisadas e preparadas nos galpões, o encarecimento da energia importada cobra um planejamento cirúrgico do produtor. Seguimos monitorando cada solavanco das cotações em tempo real pelo Agronews. Excelentes negócios hoje!
Por Luiz Cunha – Consultor de mercado físico de grãos e fertilizantes
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Sobre o autor
Vicente Delgado
DRT 2364/MT
Editor-Chefe e Fundador24+ anos de experiência
Jornalista e fundador do Agronews, atua desde 2002 em produção audiovisual e cobertura do agronegócio brasileiro, com foco em commodities, política agrícola, pecuária e eventos do setor.