Soja (MT)R$ 135,66+0.29%
Milho (MT)R$ 48,44+0.33%
Algodão (MT)R$ 135,98+0.42%
Boi Gordo (MT)R$ 320,27-0.02%
Leite (MT)R$ 2,40+5.83%
Soja (MT)R$ 135,66+0.29%
Milho (MT)R$ 48,44+0.33%
Algodão (MT)R$ 135,98+0.42%
Boi Gordo (MT)R$ 320,27-0.02%
Leite (MT)R$ 2,40+5.83%
Soja (MT)R$ 135,66+0.29%
Milho (MT)R$ 48,44+0.33%
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Leite (MT)R$ 2,40+5.83%

Brent dispara a US$ 108 com impasse em Ormuz, dólar salta a R$ 5,15 e plantio começa em MT

Brent dispara a US$ 108 com impasse em Ormuz, dólar salta a R$ 5,15 e plantio começa em MT

A segunda quinzena de setembro começa com o mercado global operando em rotação máxima e dividido entre o chão de fábrica das lavouras e a fumaça dos conflitos internacionais. Após encerrar a semana anterior com forte queda na esteira de um relatório do USDA mais confortável do que o esperado, a Bolsa de Chicago (CBOT) tenta encontrar um piso técnico nesta manhã de segunda-feira.

Contudo, os verdadeiros solavancos do dia vêm de fora do campo: o barril de petróleo tipo Brent dispara 3,5% e rompe os US$ 108,00 após o cancelamento das negociações sobre o Estreito de Ormuz. No Brasil, o dólar salta para R$ 5,15 impulsionado pela aversão ao risco externo e por novas pesquisas eleitorais, enquanto as primeiras plantadeiras começam a rodar nas áreas irrigadas de Mato Grosso.

Abaixo, os fundamentos que comandam a abertura dos negócios direto da nossa redação em Cuiabá.

O front macro: Brent a US$ 108,30 após adiamento de reunião sobre Ormuz

A escalada no setor energético atingiu um patamar crítico nas primeiras horas de negócios. O barril de petróleo tipo Brent registra alta de 3,5%, cotado a US$ 108,30 por volta das 9h (horário de Brasília).

O estopim para essa nova puxada altista foi o adiamento oficial da reunião diplomática que debateria propostas para destravar o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. O fracasso momentâneo em construir pontes de diálogo entre Washington e Teerã, somado à persistência dos ataques no Mar Negro entre Rússia e Ucrânia, mantém o prêmio de risco militar plenamente ativo sobre os combustíveis.

Para a produção agrícola brasileira, esse patamar do barril representa uma pressão vertical sobre os custos de frete internacional e a disponibilidade de insumos essenciais, em particular os fertilizantes nitrogenados.

Complexo Soja: Digestão do USDA e busca de sustentação na CBOT

Na Bolsa de Chicago (CBOT), o complexo soja iniciou o pregão noturno em leve queda, mas ensaia uma reação técnica e passa a trabalhar discretamente em campo positivo nesta manhã de segunda-feira.

O mercado busca estabilidade após a forte liquidação registrada na última sexta-feira. Os números consolidados pelo USDA vieram melhores do que as projeções mais pessimistas dos operadores, retirando parte dos prêmios climáticos que sustentavam os contratos futuros.

Agora, os investidores adotam uma postura de espera e monitoram dois polos:

  1. Reta Final nos EUA: A qualidade das lavouras norte-americanas segue no radar, com analistas avaliando o impacto real do calor recente sobre o enchimento final dos grãos antes da colheita ganhar volume.
  2. Abertura da Safra Brasileira: O foco das mesas internacionais começa a se fixar na meteorologia sul-americana e no ritmo dos trabalhos no campo.

Milho e Trigo: Cereais de lado e ancorados no choque energético

Acompanhando o comportamento da soja, o complexo cerealífero abre a semana operando “de lado” na CBOT. O milho e o trigo mostram pouca oscilação nas primeiras horas de negociação, com os fundos de investimento recalibrando posições após os dados do governo norte-americano.

A sustentação das cotações desses cereais continua vindo diretamente do tabuleiro geopolítico: os conflitos no leste europeu mantêm o trigo em estado de alerta logístico, enquanto a disparada do petróleo encarece a cadeia de suprimentos e impede correções mais severas nos preços agrícolas internacionais.

América do Sul: Primeiras plantadeiras entram em campo em Mato Grosso

No Brasil, o calendário da safra 2026/27 dá a sua largada prática. Em Mato Grosso, já há reportes dos primeiros talhões semeados em áreas irrigadas sob pivô central, onde a umidade controlada permite o início imediato dos trabalhos após o fim do vazio sanitário.

Nas lavouras de sequeiro, no entanto, o cenário ainda é de compasso de espera: os produtores mantêm as máquinas revisadas no pátio, aguardando a regularização e o volume das primeiras chuvas da primavera para soltar o plantio em grande escala com segurança agronômica.

Mercado Financeiro: Dólar sobe 0,65% e bate R$ 5,15 com geopolítica e eleições

No ambiente cambial, a moeda norte-americana amanhece com forte tração compradora. O dólar opera em alta de 0,65%, cotado a R$ 5,15, recuperando fôlego frente ao real.

A valorização do câmbio é tracionada por uma combinação de forças internas e externas:

  • Fator Externo: Aversão generalizada ao risco decorrente da crise militar no Oriente Médio e da escalada do petróleo acima dos três dígitos.
  • Fator Doméstico: As mesas financeiras repercutem a nova rodada da pesquisa eleitoral divulgada pelo BTG Pactual, que indicou avanço do candidato Lula na disputa presidencial, provocando ajustes defensivos nas carteiras de investimento locais.

Para o setor produtivo, o dólar a R$ 5,15 melhora a paridade de exportação no balcão e adiciona suporte aos preços da saca em reais, mas eleva o custo nominal das compras de insumos e diesel em um momento financeiramente sensível.

O que levar no radar hoje:

  • Ajuste Técnico na CBOT: Soja abre de lado e busca recuperação após a forte queda de sexta-feira causada pelo relatório do USDA.
  • Petróleo a US$ 108,30: Brent sobe 3,5% com o adiamento das negociações sobre o Estreito de Ormuz e ataques contínuos no leste europeu.
  • Alerta nos Fertilizantes: Impasse no Golfo Pérsico mantém sob risco o escoamento global de nitrogenados na largada do plantio.
  • Máquinas em Campo em MT: Plantio de soja começa nas áreas de pivô irrigado; áreas sem irrigação aguardam a chegada das chuvas para acelerar.
  • Câmbio Dispara a R$ 5,15: Dólar ganha 0,65% impulsionado pela tensão geopolítica global e pela pesquisa eleitoral do BTG.

A combinação de um barril de petróleo a US$ 108 com o dólar operando a R$ 5,15 impõe máxima disciplina para a gestão de custos neste início de plantio em Mato Grosso. Com a CBOT buscando um novo ponto de equilíbrio pós-USDA, a recomendação estratégica é monitorar a paridade de exportação favorecida pelo câmbio para fechar as pontas pendentes de comercialização e proteger a margem operacional da lavoura contra novos repiques no diesel e nos adubos. Uma excelente semana de negócios a todos!

Por Luiz Cunha – Consultor de mercado físico de grãos e fertilizantes

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Foto de Vicente Delgado

Sobre o autor

Vicente Delgado

DRT 2364/MT
Editor-Chefe e Fundador24+ anos de experiência

Jornalista e fundador do Agronews, atua desde 2002 em produção audiovisual e cobertura do agronegócio brasileiro, com foco em commodities, política agrícola, pecuária e eventos do setor.

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