Soja (MT)R$ 135,27+0.56%
Milho (MT)R$ 48,28+0.60%
Algodão (MT)R$ 135,41-1.64%
Boi Gordo (MT)R$ 320,34+0.12%
Leite (MT)R$ 2,40+5.83%
Soja (MT)R$ 135,27+0.56%
Milho (MT)R$ 48,28+0.60%
Algodão (MT)R$ 135,41-1.64%
Boi Gordo (MT)R$ 320,34+0.12%
Leite (MT)R$ 2,40+5.83%
Soja (MT)R$ 135,27+0.56%
Milho (MT)R$ 48,28+0.60%
Algodão (MT)R$ 135,41-1.64%
Boi Gordo (MT)R$ 320,34+0.12%
Leite (MT)R$ 2,40+5.83%

Dia de USDA: Chicago realiza lucros e petróleo acomoda a US$ 104 após salto de 8%

A sombra dos US$ 100 no Petróleo e o peso da oferta, entenda o mercado na véspera do feriado

A sexta-feira amanhece com as mesas de operação em compasso de espera para o evento mais aguardado do mês. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulga hoje o seu novo relatório de oferta e demanda global, e o mercado aproveita a véspera da divulgação oficial dos números para promover uma clássica realização de lucros.

Após a arrancada de mais de 20 pontos registrada na sessão anterior, a Bolsa de Chicago (CBOT) passa por uma correção técnica expressiva, arrastando o complexo de grãos para o vermelho. No setor de energia, o petróleo também respira e devolve parte dos ganhos astronômicos de ontem, enquanto o dólar abre estável no mercado doméstico em meio ao termômetro das pesquisas eleitorais.

Abaixo, o detalhamento dos fundamentos que movimentam esta manhã decisiva direto da nossa redação em Cuiabá.

Complexo Soja: Realização de lucros antes do relatório do USDA

Na Bolsa de Chicago (CBOT), a oleaginosa opera em nítido movimento de recuo nesta manhã de sexta-feira. Por volta das 7h30, os contratos futuros de soja registravam perdas de até 14 pontos, devolvendo parte da forte valorização da véspera, quando o mercado havia saltado mais de 20 pontos impulsionado pelo risco geopolítico e pelas compras externas.

Essa devolução de prêmios reflete a postura cautelosa dos fundos e operadores antes da saída do relatório mensal do USDA. O mercado já precificou em grande medida a expectativa de safra menor nos Estados Unidos, mas os investidores optam por desmontar posições compradas e embolsar os ganhos acumulados ao longo da semana para não ficarem expostos a surpresas nas planilhas do governo americano.

No campo agronômico, o estresse térmico no Corn Belt segue sob escrutínio: as temperaturas elevadas registradas na reta final do ciclo continuam gerando preocupações sobre o peso hectolítrico e a produtividade final das lavouras americanas.

Milho e Trigo: Cereais acompanham o tom negativo da oleaginosa

O complexo cerealífero segue a mesma toada da soja e opera em terreno negativo nesta abertura. Os contratos futuros de milho e trigo ajustam suas cotações para baixo, pressionados pela liquidação pré-USDA e pelo recuo pontual do petróleo.

Apesar da realização de lucros desta sexta-feira, o milho encerra uma semana em que a forte arrancada da energia e as quebras produtivas estimadas em relatórios anteriores serviram de sustentação estrutural para os preços globais e regionais.

O front macro: Brent recua para US$ 104,60 após salto de 8%

No mercado internacional de energia, o petróleo passa por uma acomodação técnica de fechamento de semana. O barril de petróleo tipo Brent registra queda de quase 3%, sendo negociado a US$ 104,60.

Esse recuo pontual ocorre após uma quinta-feira vertiginosa, na qual o barril chegou a disparar quase 8% na esteira dos confrontos armados e do estrangulamento da navegação no Golfo Pérsico. Trata-se de uma descompressão estritamente financeira: o pano de fundo geopolítico segue intocado e sem qualquer perspectiva de solução diplomática, tanto no conflito entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio quanto na guerra entre Rússia e Ucrânia no Mar Negro. A sustentação do barril confortavelmente acima dos três dígitos garante que o custo de frete e a pressão sobre os fertilizantes permanecerão elevados.

Mercado Financeiro e o Balcão no Brasil: Dólar de lado a R$ 5,10

No ambiente financeiro doméstico, o câmbio abriu a sexta-feira operando “de lado”, com a moeda americana cotada a R$ 5,10. Na sessão anterior, o dólar registrou intensa volatilidade intradiária, mas acabou encerrando o dia em leve campo negativo.

O comportamento mais calmo do câmbio nesta manhã encontra respaldo no cenário político nacional: os agentes financeiros repercutem as novas pesquisas de intenção de voto no Brasil, que apontaram crescimento de Flávio Bolsonaro na corrida eleitoral, movimento que foi recebido de forma positiva pelo mercado financeiro e ajudou a conter a pressão altista da moeda.

Para o produtor brasileiro, a relativa estabilidade cambial em R$ 5,10 ajuda a ancorar os preços internos e dá previsibilidade para o balcão, enquanto as atenções no campo concentram-se no monitoramento meteorológico e nos preparativos logísticos e agronômicos para o início do plantio da nova safra de verão.

O que levar no radar hoje:

  • Acomodação Pré-USDA: Soja recua até 14 pontos na CBOT em realização de lucros após subir mais de 20 pontos na quinta-feira; milho e trigo acompanham.
  • Alerta nos EUA: Calor excessivo no Corn Belt segue como fator de atenção para o fechamento da safra norte-americana.
  • Petróleo Respira: Brent recua quase 3% para US$ 104,60 após a arrancada de 8% na véspera; tensões bélicas com o Irã e no Mar Negro seguem ativas.
  • Câmbio Estável a R$ 5,10: Dólar opera de lado no Brasil, balizado pela leitura de pesquisas eleitorais domésticas.
  • Olhos no Relatório: As mesas de negociação devem operar travadas até a publicação dos números oficiais do USDA no início da tarde.

Com o mercado internacional realizando lucros antes do boletim do USDA e o barril de petróleo ainda rodando na casa dos US$ 104, a cautela deve guiar a sexta-feira. A recomendação para as tradings e produtores em Mato Grosso é aguardar a digestão dos dados oficiais de produtividade americana antes de abrir novas posições de venda de soja, mantendo a disciplina nas travas de insumos e no gerenciamento das relações de troca. Um excelente encerramento de semana e ótimos negócios!

Por Luiz Cunha – Consultor de mercado físico de grãos e fertilizantes

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Foto de Vicente Delgado

Sobre o autor

Vicente Delgado

DRT 2364/MT
Editor-Chefe e Fundador24+ anos de experiência

Jornalista e fundador do Agronews, atua desde 2002 em produção audiovisual e cobertura do agronegócio brasileiro, com foco em commodities, política agrícola, pecuária e eventos do setor.

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