A safra argentina de trigo promete números recordes e já mexe com o mercado brasileiro, confira!
Os produtores e agentes do agronegócio brasileiro estão com os olhos voltados para o país vizinho, e o motivo é claro: o andamento da colheita de trigo na Argentina tem um impacto direto e significativo nos nossos preços. Sendo o nosso maior fornecedor, qualquer grande movimento no campo argentino ecoa fortemente por aqui.
As últimas notícias indicam uma produção histórica se consolidando, o que, somado a fatores cambiais, já começou a redesenhar o cenário de preços para os triticultores no Sul do Brasil. Entender essa dinâmica é fundamental para planejar os próximos passos, seja na comercialização da safra atual ou no preparo para o próximo ciclo produtivo, afetando desde a fazenda até a mesa do consumidor.
Um recorde histórico na safra argentina de trigo
As projeções para a safra argentina não param de surpreender. Dados recentes da Bolsa de Cereales, indicam uma revisão para cima na produção, que agora é estimada em 25,5 milhões de toneladas. Esse volume não apenas supera a estimativa anterior em 1,5 milhão de toneladas, mas também estabelece um novo recorde histórico, ultrapassando a marca de 22,4 milhões de toneladas da temporada 2021/22. Com mais de um terço da área já colhida, a consolidação desses números parece cada vez mais provável.
Para o Brasil, que depende das importações argentinas para complementar sua oferta interna e atender à demanda da indústria, esse volume monumental significa uma maior disponibilidade do produto no Mercosul. A consequência direta é um aumento da pressão sobre os preços internos. A lógica do mercado é simples: com mais oferta disponível a um custo de frete competitivo, os compradores brasileiros têm mais poder de barganha, forçando os preços internos a se ajustarem para baixo para competir com o produto importado. Este cenário da safra argentina cria um ambiente desafiador para a rentabilidade do produtor nacional.
Como a queda do dólar intensifica o cenário
Como se a notícia de uma supersafra no país vizinho não fosse suficiente, outro fator crucial entrou na equação para pressionar ainda mais os preços do trigo no Brasil: a desvalorização do dólar frente ao Real. Quando a moeda americana perde força, o custo de importação de qualquer produto dolarizado diminui. No caso do trigo, isso significa que os moinhos brasileiros conseguem comprar o cereal argentino por um preço em reais ainda mais atraente. Essa combinação é poderosa e acelera a tendência de queda.
O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) destaca justamente essa dupla influência. A pressão baixista não vem apenas do excesso de oferta gerado pela robusta safra argentina, mas é significativamente amplificada pelo cenário cambial favorável às importações. Esse movimento duplo explica a intensidade das quedas de preço observadas recentemente, tornando o planejamento financeiro e a estratégia de vendas ainda mais complexos para os agricultores brasileiros, que precisam lidar com custos de produção em reais e um preço de venda influenciado por fatores internacionais.
O impacto no bolso do produtor gaúcho e paranaense
Os efeitos dessa conjuntura de mercado já são sentidos diretamente no campo, especialmente nos principais estados produtores de trigo do Brasil, o Rio Grande do Sul e o Paraná. Os preços em novembro refletiram claramente esse cenário de pressão. Os valores caíram para os menores patamares em meses, e em alguns casos, em anos. Essa queda afeta diretamente a rentabilidade do triticultor, que investiu em insumos e tecnologia ao longo do ciclo.
De acordo com pesquisadores do Cepea, além do cenário de safra volumosa na Argentina, a desvalorização do dólar frente ao Real reforçou o movimento de queda nos preços do trigo no mercado brasileiro. Em novembro, a média mensal no Rio Grande do Sul foi de R$ 1.044,82/t, recuo de 8,2% frente a outubro/25. No Paraná, a média foi de R$ 1.196,69/t em novembro, com baixa mensal de 1,6%.




