Atualizando...

Receita de café exportado supera US$ 9 bilhões em 2025

Redação
08/09/2025 às 15:41
Receita de café exportado supera US$ 9 bilhões em 2025

Receita de café exportado atinge marca histórica, impulsionada por preços altos

O agronegócio brasileiro de café segue mostrando sua força no mercado internacional. Mesmo com alguns desafios na produção, a receita gerada com as exportações até julho deste ano alcançou impressionantes US$ 9 bilhões. Este valor representa o maior montante já registrado para o período, demonstrando a resiliência e a importância do café nacional para a economia do país.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou recentemente o 3º levantamento da safra de café em 2025, trazendo projeções e análises sobre o cenário produtivo e suas repercussões no comércio exterior.

A Safra Brasileira de Café em 2025

A safra brasileira de café para 2025 foi estimada em 55,2 milhões de sacas beneficiadas. Segundo a Conab, esse número representa uma alta de 1,8% em relação ao ano anterior, o que é notável considerando que 2025 é um ano de bienalidade considerada baixa para a cultura. Esse aumento é impulsionado por uma recuperação de 3% na produtividade nacional, que saltou de 28,8 sacas por hectare em 2024 para 29,7 sacas neste ano.

A área em produção, embora tenha registrado uma leve queda de 1,2% (chegando a 1,86 milhão de hectares), foi compensada pelo crescimento de 11,9% na área em formação, totalizando agora 395,8 mil hectares. Dessa forma, a área total dedicada ao café no Brasil alcançou 2,25 milhões de hectares, um acréscimo de 0,9%.

Desempenho do Arábica e Conilon

O café arábica, que representa a maior parte da produção brasileira, deve ter uma colheita estimada em 35,2 milhões de sacas, o que significa uma redução de 11,2% em comparação com a safra anterior. A Conab atribui essa queda principalmente ao efeito da bienalidade negativa e a um período de seca prolongada que afetou a floração. Minas Gerais, que detém 75,2% da área nacional de arábica, deve colher 24,7 milhões de sacas, uma queda de 10,8%.

Em contrapartida, o café conilon (robusta) vem com uma projeção de produção bastante animadora, alcançando 20,1 milhões de sacas, um crescimento expressivo de 37,2% em relação ao ano passado. A regularidade climática foi fundamental para esse bom desempenho, favorecendo a formação dos frutos.

O Espírito Santo, principal produtor de conilon do país com 69% da produção nacional, espera colher 13,8 milhões de sacas, um aumento de 40,3%, graças às chuvas oportunas no norte do estado. Na Bahia, a produção total está estimada em 4,1 milhões de sacas, um avanço de 33,5%, impulsionado pelo ingresso de novas lavouras irrigadas, especialmente nas regiões Atlântico e Cerrado. O conilon baiano deve crescer 51,2%, enquanto o arábica avança 2,4%. Rondônia também figura nesse cenário positivo, com expectativa de crescimento de 10,4% e produção de 2,3 milhões de sacas.

Exportações e a Receita Histórica

No que diz respeito ao mercado externo, o Brasil exportou 23,7 milhões de sacas de café entre janeiro e julho de 2025. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), houve uma queda de 16,4% em comparação com o mesmo período de 2024. Apesar dessa retração no volume, é importante notar que este é o terceiro maior volume registrado para o período, o que demonstra a consolidação do Brasil como um grande fornecedor mundial.

A justificativa para a menor quantidade exportada já era esperada, pois o ano anterior foi marcado por um recorde de exportações, esgotando boa parte dos estoques disponíveis. Além disso, a já mencionada limitação na produção de café arábica também contribuiu para este cenário. Contudo, o que chama atenção é a receita gerada com essas exportações. No acumulado até julho, a receita de café exportado atingiu US$ 9 bilhões, um marco histórico para o período. Este desempenho representa um crescimento impressionante de 44,1% em relação ao ano anterior. Esse resultado expressivo foi amplamente impulsionado pela elevação dos preços internacionais do café no início do ano, o que compensou a menor quantidade embarcada.

O que o produtor precisa saber

Para o produtor rural, esses números trazem reflexões importantes sobre o mercado. A valorização internacional do café, mesmo com uma safra que apresenta desafios em algumas regiões e variedades, mostra a importância de investir em qualidade e sustentabilidade.

  • Atenção à bienalidade: entender os ciclos naturais da planta ajuda no planejamento de manejo e colheita.
  • Investimento em irrigação: tecnologias que garantem o suprimento hídrico são cruciais, como visto na Bahia.
  • Monitoramento climático: estar atento às previsões meteorológicas auxilia na tomada de decisão para proteger a lavoura.
  • Diversificação: apostar em diferentes espécies de café, como o conilon, pode mitigar riscos de perdas.
  • Busca por certificações: selos de qualidade e sustentabilidade agregam valor ao produto final.

Segundo o Embrapa, a pesquisa e o desenvolvimento de novas variedades e técnicas de manejo são fundamentais para garantir a competitividade do café brasileiro no longo prazo. A busca por produtividade e qualidade, aliada a práticas agrícolas responsáveis, é o caminho para continuar colhendo bons frutos, tanto na lavoura quanto no bolso do produtor.

O cenário atual reforça a posição do Brasil como líder mundial na produção e exportação de café. A alta na receita de café exportado, mesmo com um volume menor, demonstra a força da demanda global e a capacidade do país de suprir essa necessidade. A análise detalhada dos dados da Conab e do MDIC permite aos produtores e agentes do setor entenderem melhor as dinâmicas de mercado e se prepararem para os próximos desafios e oportunidades que o agronegócio cafeeiro reserva.

AGRONEWS é informação para quem produz

café exportação

Compartilhe esta notícia: