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Preço da tilápia recua com demanda fraca no mercado

Redação
15/09/2025 às 15:20
Preço da tilápia recua com demanda fraca no mercado

O mercado da tilápia navega por águas turbulentas com a queda nos preços, confira!

Amigo produtor, o cenário para a tilápia em agosto acendeu um sinal de atenção. Aquele peixe que se tornou o carro-chefe da piscicultura nacional está sentindo o peso de uma demanda mais contida, o que impacta diretamente o seu bolso. Segundo os dados mais recentes do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), os preços continuaram em trajetória de queda no período, refletindo um consumidor que parece estar mais cauteloso na hora de comprar. No entanto, nem tudo é pressão para baixo. Há indicativos importantes do lado da oferta que podem mudar o rumo dessa história nos próximos meses.

Vamos mergulhar nesses números e entender o que está acontecendo no mercado e o que esperar daqui para frente.

O que os números do Cepea revelam sobre os preços

A análise do Cepea é clara: a demanda enfraquecida foi o principal fator de pressão sobre as cotações da tilápia em agosto. Quando há mais produto disponível do que gente querendo comprar, a tendência natural é que os preços caiam para estimular as vendas. Foi exatamente isso que observamos na maior parte do mês. Houve uma pequena reação na última semana de agosto, mas foi um movimento tímido, insuficiente para reverter a média mensal para um patamar positivo.

Outro ponto crucial apontado pela pesquisa é uma mudança no perfil da oferta. Os produtores, talvez receosos com a queda nos preços ou enfrentando custos de produção elevados, parecem estar disponibilizando peixes mais leves. Isso significa que os animais estão sendo vendidos antes de atingir o peso ideal, o que pode indicar uma estratégia para reduzir o ciclo e diminuir os riscos. Essa antecipação, por sua vez, pode impactar a disponibilidade de peixes de maior porte no futuro próximo, mexendo novamente com a balança entre oferta e demanda.

“Em agosto, os preços da tilápia seguiram em queda, refletindo a demanda ainda enfraquecida… Por outro lado, conforme o Centro de Pesquisas, a oferta de animais dá sinais de recuo, com peixes mais leves disponíveis no mercado.”

Demanda interna: por que o consumo diminuiu?

Entender a ponta do consumo é fundamental. Vários fatores podem estar contribuindo para essa retração na procura pela tilápia. O cenário econômico geral, com a inflação ainda pesando no orçamento das famílias, faz com que muitos consumidores repensem suas escolhas no supermercado. A tilápia, apesar de ser uma proteína saudável e versátil, compete diretamente com outras opções, como o frango, que muitas vezes apresenta um preço mais atrativo ao consumidor final.

Analisar o comportamento do consumidor nos ajuda a entender melhor o mercado. Algumas possíveis razões para essa demanda mais fraca incluem:

  • Aumento do custo de vida geral, que leva as famílias a priorizarem itens essenciais e buscarem proteínas mais baratas.
  • Forte concorrência com a carne de frango e ovos, que são tradicionalmente as principais fontes de proteína animal no país.
  • Sazonalidade, já que o consumo de peixe pode variar ao longo do ano, com picos em períodos específicos como a Quaresma.
  • Mudanças nos canais de venda, com a retomada completa de restaurantes e food services, mas talvez com um cardápio mais focado em otimização de custos.

Exportações em forte queda acendem alerta

Se o mercado interno está desafiador, o cenário externo também não trouxe boas notícias em agosto. As exportações brasileiras de tilápia, que vinham sendo uma válvula de escape e um motor de crescimento para o setor, registraram uma queda expressiva. De acordo com os dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), compilados pelo Cepea, o volume embarcado foi de apenas 797 toneladas. Esse número representa uma redução de 40,6% em comparação com julho e de 41,3% em relação a agosto de 2024.

Essa forte retração nos embarques pode ser atribuída a uma combinação de fatores. A desaceleração econômica em importantes mercados compradores, como os Estados Unidos, pode reduzir o apetite por produtos importados. Além disso, a concorrência internacional é acirrada, com outros países produtores de tilápia disputando cada fatia do mercado global. A taxa de câmbio também desempenha um papel importante, influenciando a competitividade do produto brasileiro no exterior. Esse recuo nas exportações aumenta a disponibilidade do produto no mercado doméstico, adicionando mais pressão sobre os preços internos.

A produção de tilápia no Brasil em perspectiva

Apesar do momento delicado, é importante lembrar da força da cadeia produtiva da tilápia no Brasil. Nosso país é um gigante na produção, figurando entre os maiores produtores mundiais. Segundo o anuário da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), o Brasil produziu mais de 550 mil toneladas de tilápia em 2023, consolidando o peixe como a espécie mais cultivada em território nacional, com o Paraná liderando o ranking dos estados produtores.

Esse crescimento expressivo nos últimos anos foi impulsionado por investimentos em tecnologia, genética e manejo. Instituições de pesquisa como a Embrapa Pesca e Aquicultura desempenham um papel vital, desenvolvendo soluções que aumentam a produtividade e a sustentabilidade da atividade. Portanto, o setor possui uma base sólida e uma grande capacidade de adaptação. O desafio atual de preços e demanda faz parte dos ciclos de mercado que qualquer atividade do agronegócio enfrenta.

O que esperar para os próximos meses?

O futuro do mercado de tilápia depende do equilíbrio entre essas forças. A sinalização de uma oferta menor, com produtores vendendo peixes mais leves, pode ser o fator que trará um novo equilíbrio ao mercado nos próximos meses. Com menos produto disponível, a tendência é que os preços encontrem um piso e comecem a se recuperar, desde que a demanda mostre ao menos um sinal de estabilização. É um momento que exige do produtor um gerenciamento de custos ainda mais rigoroso e uma atenção redobrada aos sinais do mercado para tomar as melhores decisões de venda.

A conjuntura atual, embora desafiadora, evidencia a complexidade do mercado da tilápia, que é influenciado tanto pelo poder de compra do consumidor brasileiro quanto pela dinâmica do comércio global. A queda nos preços e nas exportações em agosto serve como um lembrete da importância de estratégias de diversificação, agregação de valor e busca contínua por eficiência. A capacidade de inovação e a resiliência do produtor brasileiro serão, mais uma vez, os diferenciais para superar as adversidades e preparar o terreno para um novo ciclo de crescimento.

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