Pesquisadores de três centros da Embrapa estão no Mato Grosso essa semana para disseminar o conceito e estimular o uso de tecnologias e ferramentas utilizadas na agricultura de precisão (AP) junto aos produtores rurais e técnicos daquele estado. A AP é conhecida como sistema de gestão que leva em conta a variabilidade espacial da lavoura para obtenção de retorno econômico e ambiental.
O encontro é uma demanda do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt) e ocorre nos dias 29 e 30, em duas instituições, na Cooperativa dos Cotonicultores de Campo Verde (CooperFibra), em Campo Verde, e no Centro de Treinamento e Difusão Tecnológica do Núcleo Regional Norte do IMAmt, em Sorriso, consecutivamente.
Membros da Rede de Agricultura de Precisão, os pesquisadores Ricardo Inamasu e Carlos Manoel Pedro Vaz (Embrapa Instrumentação – São Carlos/SP); Ziany Neiva Brandão (Embrapa Algodão – Campina Grande/PB) e Julio Cezar Franchini dos Santos (Embrapa Soja – Londrina/PR) vão traçar um panorama da técnica, mostrar o emprego da AP para mapear os atributos físicos e químicos do solo, além dos impactos na cultura do algodão e da soja.
Para o coordenador da Rede de Agricultura de Precisão, Ricardo Inamasu, que vai fazer uma exposição sobre os conceitos, fundamentos e ferramentas, a técnica é baseada no tripé – aquisição de dados em escala e frequência adequadas; interpretação e análise desses dados; gestão e implementação de uma resposta a uma escala espacial e de tempo.
“A AP é uma ferramenta, então, que pode trazer contribuições significativas para o estado do Mato Grosso ao ser empregada em diversas culturas, facilitando a gestão, identificando problemas pontuais e ajudando a melhorar a produtividade de uma commoditie que tem grande participação na balança comercial”, afirma.
Parceria
A contribuição da Embrapa tem sido fundamental para identificar problemas, por exemplo, no cultivo de algodão na região de Mato Grosso, responsável por mais de 50% da área plantada do país. O pesquisador Carlos Manoel Pedro Vaz, que vai abordar o mapeamento de atributos físicos e químicos do solo – essenciais para pesquisa de fertilidade e compactação – tem utilizado os avanços científicos e tecnológicos da área para correlacionar doenças com as condições do solo na cultura do algodoeiro.
Um levantamento realizado nas safras de 2011/12 e 2012/13, que integrou esforços de quatro instituições do algodão de Mato Grosso e quatro centros de pesquisa da Embrapa apontou fatores que estão impactando diretamente na produção da cultura. Entre eles, estão o aumento da incidência de nematoide e a grande relação entre a doença e às condições de solo.
As conclusões do estudo levaram em consideração as avaliações de 1.162 amostras de solos de 263 fazendas particulares, distribuídas nos sete núcleos de produção da cultura no estado de Mato Grosso.
Durante oito meses, Vaz incorporou metodologias e equipamentos, como o Analisador Granulométrico e o Sensor de Umidade de Solo, entre outros, para analisar as propriedades físicas do solo – densidade e partículas, umidade, textura – consideradas parâmetros importantes para o entendimento das condições de solos. “As características físicas dos solos analisados com o auxílio de técnicas avançadas indicaram que há uma relação significativa entre a incidência de nematoide e a textura do solo e que há grande influência da compactação do solo na produtividade do algodoeiro”, concluiu. Segundo ele, com essas informações o produtor pode realizar intervenções na propriedade, de correções de solo ou de manejo da cultura.



