Atualizando...

Pecuária de baixo carbono fortalece competitividade brasileira

bovino boi

Integração entre ciência, tecnologias sustentáveis e métricas confiáveis amplia oportunidades para a carne bovina brasileira

A pecuária de baixo carbono deixou de ser uma tendência para se consolidar como um dos principais pilares da competitividade da agropecuária brasileira. O tema esteve no centro dos debates durante a segunda edição do Fórum Internacional da Agropecuária (FIAP), realizada na quinta-feira), na sede do Sistema Famasul, em Campo Grande (MS).

Para especialistas, a capacidade de medir, comprovar e comunicar os resultados ambientais dos sistemas produtivos tornou-se tão importante quanto produzir com eficiência. Nesse contexto, metodologias padronizadas e indicadores científicos são considerados fundamentais para fortalecer a posição do Brasil em negociações internacionais e ampliar o acesso a mercados cada vez mais exigentes.

Segundo a pesquisadora da Fundação Getulio Vargas (FGV), Camila Estevam, o avanço das discussões globais sobre sustentabilidade exige métricas consistentes e comparáveis.

“Quando sentamos em mesas internacionais e apresentamos dados baseados em ciência, o diálogo flui. São evidências construídas a partir de metodologias reconhecidas internacionalmente e adaptadas à realidade brasileira”.

Camila Estevam – Pesquisadora da FGV

Ela ressalta que um dos desafios atuais é harmonizar fatores de emissão, fronteiras metodológicas e unidades funcionais, respeitando a diversidade dos sistemas produtivos. Outro ponto apontado é a necessidade de simplificar os processos de mensuração para os produtores, que frequentemente precisam fornecer informações para diferentes empresas e programas de sustentabilidade.

Eficiência produtiva como caminho para a descarbonização

Ao abordar o futuro da atividade, a chefe-geral da Embrapa Gado de Corte, Mariana Aragão, ressaltou que a pecuária de baixo carbono não representa uma nova forma de produzir, mas sim um olhar mais detalhado sobre práticas que já vêm sendo adotadas no campo.

“A pecuária de baixo carbono é o próprio futuro da pecuária brasileira”.

Mariana Aragão – Embrapa Gado de Corte

Segundo a pesquisadora, a redução das emissões está diretamente associada ao aumento da eficiência produtiva. Sistemas mais produtivos, com melhor manejo das pastagens, nutrição adequada, genética superior e integração de tecnologias, tendem a produzir mais utilizando menos recursos naturais por unidade de produto.

“A descarbonização é consequência de sistemas eficientes. Quando aumentamos a produtividade, a renda do produtor e a eficiência dos processos, automaticamente avançamos também na sustentabilidade”.

Mariana Aragão – Embrapa Gado de Corte

Ela ressaltou ainda que o Brasil possui vantagens competitivas para liderar esse processo, entre elas as condições tropicais e subtropicais favoráveis, a disponibilidade de tecnologias desenvolvidas por instituições de pesquisa e a existência de políticas públicas voltadas à produção sustentável.

Devido à necessidade de demonstrar, por meio de indicadores confiáveis, os benefícios ambientais dos sistemas produtivos. A Embrapa atua no desenvolvimento de protocolos capazes de mensurar e comprovar os resultados alcançados pelos produtores, como os selos Carne Carbono Neutro (CCN), Carne Baixo Carbono (CBC) e Boas Práticas Agropecuárias (BPA).

A proposta é oferecer ferramentas que permitam evidenciar ganhos relacionados à captura e ao estoque de carbono, à eficiência produtiva e à adoção de práticas sustentáveis.“Não basta produzir bem. É preciso comprovar que produzimos bem”, observou.

Mercado internacional e novas oportunidades

O avanço da agenda de sustentabilidade também tem ampliado oportunidades para a carne bovina brasileira no mercado externo. Representantes da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) destacaram iniciativas voltadas à capacitação de produtores e empresas para atendimento das exigências internacionais, especialmente da União Europeia.

Entre as ações, segundo Pedro Souza Netto, gerente de agronegócio da ApexBrasil,estão programas de qualificação para exportação, rodadas de negócios, missões internacionais e eventos que aproximam compradores estrangeiros da realidade produtiva brasileira.

A estratégia busca ampliar a presença dos produtos agropecuários nacionais em mercados que valorizam atributos relacionados à sustentabilidade, rastreabilidade e segurança dos alimentos.

Já para Renato Costa, presidente do conselho da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), além dos avanços produtivos, a cadeia da carne bovina precisa fortalecer a comunicação sobre os resultados já alcançados. A entidade destaca que o Brasil reúne condições únicas para ampliar a produção de forma sustentável e isso passa pelo “fortalecimento da imagem da pecuária brasileira que depende da capacidade de demonstrar, com transparência e embasamento técnico, os avanços obtidos nas últimas décadas”.

A convergência entre pesquisa, inovação, políticas públicas e setor produtivo tem colocado o Brasil em posição de destaque nas discussões globais. Nesse cenário, a pecuária de baixo carbono surge não apenas como uma estratégia ambiental, mas como um caminho para ampliar a competitividade, gerar renda no campo e atender às demandas de um mercado cada vez mais atento à sustentabilidade. Clique aqui e acompanhe o agro.

AGRONEWS É INFORMAÇÃO PARA QUEM PRODUZ

Foto de Dannì Galvão

Sobre o autor

Dannì Galvão

Cofundadora e Especialista em Mercado Financeiro10+ anos de experiência

Cofundadora do Agronews, empresária e especialista em mercado financeiro. Acompanha as movimentações do setor, desde cotações e tendências de mercado até análises técnicas e eventos do agronegócio.

Mercado FinanceiroCotaçõesAnálises TécnicasAgronegócioSuinoculturaAvicultura
Boi gado pecuária

Compartilhe esta notícia: