Especialistas destacam os cuidados na hora de fazer o silo, como o teor de matéria seca e o tamanho das partículas, além da essencial compactação muito bem feita.

Se na culinária pensar em algum doce dá água na boca, no trato do gado de corte a chamada “silagem caramelizada” pode até ser adocicada, mas tem um gosto bastante indigesto para os animais. Popularmente, em algumas regiões, a silagem tem essa denominação quando está com a aparência escurecida e até os grãos de milho ficam amarronzados.

A formação do “caramelo” ocorre por causa do aquecimento dos açúcares existentes na massa da silagem. Tecnicamente, este efeito é conhecido por “reação de Maillard”. Ele ocorre quando há oxigênio entre as camadas da silagem. “É a consequência de uma ensilagem mal feita. Não há o que fazer para remediar”, afirma o zootecnista Patrick Schmidt, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba,PR , e coordenador do site ensilagem.com.br. “É irreversível. Será preciso recalcular a dieta”, confirma o zootecnista Rafael Camargo do Amaral, gerente de Nutrição da De Laval, de Jaguariúna, SP, e responsável pelo canal “Doctor Silage” no Youtube.

silagem

O calor que causa a reação de Maillard não está relacionado a fatores climáticos, mas a um aquecimento interno, por uma questão biológica. A planta recém- -cortada continua a respirar, até esgotar o oxigênio entre as camadas. Quanto maior for a disponibilidade de oxigênio, maior será o gasto de energia, pois a planta busca “manter-se viva”, diz Amaral. “Com o consumo de energia há a geração de calor.” Quando a temperatura interna chega a 40 graus, inicia-se o processo de caramelização.

Tecnicamente, Schmidt explica que há a complexação do aminoácido, ou seja, o carboidrato solúvel (glicose e sacarose da planta) liga-se com um aminoácido e há diminuição da proteína disponível. Na prática, o zootecnista João Ricardo Alves Pereira, professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa, também no Paraná, afirma que a proteína existe, mas se torna indisponível para o animal, pois ela é condensada na menor fração da fibra. “Sem poder digerir, menos de 40% da proteína é aproveitada pelo animal”, explica o professor. A fermentação também fica comprometida.

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