“Desde 2006, o desmatamento caiu de 19.286 quilômetros quadrados para 5.831 km² (em 2015) no Bioma Amazônia”, disse o diretor executivo da Agrosatélite, Bernardo Rudorff.
Uma das principais iniciativas para combater o desmatamento no Bioma Amazônia e orientar sobre o uso responsável dos recursos naturais, a Moratória da Soja completa dez anos, em 2016, reunindo empresas do setor de grãos e Organizações Não-Governamentais (ONGs) ambientalistas. Desde a sua criação, o cultivo de soja em desacordo equivale a menos de 1% da área total de 37,2 mil hectares da oleaginosa da safra passada (2015/16) e representa 3,92 milhões de hectares desmatados ilegalmente.
“Desde 2006, o desmatamento caiu de 19.286 quilômetros quadrados para 5.831 km² (em 2015) no Bioma Amazônia”, disse o diretor executivo da Agrosatélite, Bernardo Rudorff, durante evento em comemoração aos dez anos da Moratória da Soja, realizado em São Paulo, no dia 19 de outubro.
Rudorff apresentou os dados do Relatório de Monitoramento do Plantio de Soja no Bioma Amazônia na safra 2015/2016, elaborado pela Agrosatélite e auditado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O encontro, que foi promovido pelo Grupo de Trabalho da Soja (GTS), contou com a participação do ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, e do ministro interino da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Eumar Novacki.
“O Brasil está consciente da importância de seu papel na segurança alimentar, na conservação da biodiversidade e na redução dos impactos das mudanças climáticas”, afirmou Novacki, acrescentando que o pacto mostrou para o mundo que o Brasil produz bem respeitando o ecossistema.
“Vale lembrar que 61% do território brasileiro ainda está coberto com vegetação nativa. Nenhum país do mundo tem esse ativo para mostrar.”
Novacki, no entanto, afirmou que “é preciso agora que o mundo também reconheça isso, valorizando e comprando mais os alimentos produzidos pelos agricultores brasileiros” e apontou dois desafios pela frente: agregar valor aos seus produtos e atrair o mercado mundial para financiar a preservação ambiental.
MONITORAMENTO
A Moratória da Soja realiza o monitoramento por satélite de 87 municípios dos Estados de Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Amapá, que produzem 98% da soja no bioma.
“Destes, somente 14 municípios continuam desmatando para plantar”, destacou Rudorff. “Na área monitorada, a taxa média de desflorestamentos depois da moratória é seis vezes menor do que no período anterior (2002-2008), o que mostra a eficácia dos diversos mecanismos de redução de desmate adotado nos últimos anos”, acrescentou.
Desde 1988, o projeto Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite) realiza o monitoramento por satélites do desmate por corte raso na chamada Amazônia Legal, produzindo taxas anuais que são usadas, pelo governo brasileiro, no estabelecimento de políticas públicas.
Conforme os critérios do GTS, o monitoramento das lavouras de soja refere-se aos desflorestamentos em propriedades rurais particulares ou àqueles parcialmente contidos em Unidades de Conservação, Terras Indígenas e Assentamentos, que totalizam 81% da área total desflorestada em polígonos com mais de 25 hectares.
Atualmente, a sojicultura responde por 0,8% do desmatamento nessa região, segundo o GTS, coordenado pelo presidente da Abiove, Carlo Lovatelli, e pelo diretor de Florestas do Greenpeace, Paulo Adario.


