Soja (MT)R$ 122,48-0.50%
Milho (MT)R$ 42,16-0.82%
Algodão (MT)R$ 131,31+1.36%
Boi Gordo (MT)R$ 317,17+0.27%
Leite (MT)R$ 2,16+1.41%
Soja (MT)R$ 122,48-0.50%
Milho (MT)R$ 42,16-0.82%
Algodão (MT)R$ 131,31+1.36%
Boi Gordo (MT)R$ 317,17+0.27%
Leite (MT)R$ 2,16+1.41%
Soja (MT)R$ 122,48-0.50%
Milho (MT)R$ 42,16-0.82%
Algodão (MT)R$ 131,31+1.36%
Boi Gordo (MT)R$ 317,17+0.27%
Leite (MT)R$ 2,16+1.41%

Milho safrinha bate 228 sacas por hectare com nova genética

Supra sementes - GDM

Com alto patamares produtivos, o melhoramento genético da GDM entra em campo com lançamento dos novos híbridos Supra e foca na alta produtividade da safrinha tropical.

O mercado não se move apenas por números. No agro, cada dado carrega uma consequência concreta, seja uma decisão de plantio, uma estratégia de proteção travada na bolsa ou uma margem que se aperta no fim da colheita. Foi com os olhos voltados para essa realidade porteira adentro que o Festival de Estreias Híbridos Supra reuniu produtores convidados e parceiros comerciais na noite desta quinta-feira, de 30 de julho. O encontro, realizado na capital Cuiabá, marcou oficialmente o lançamento de novos híbridos desenvolvidos para suportar o rigor da safrinha tropical mato-grossense.

A chegada dos híbridos S800 e S820 não representa apenas uma vitrine comercial para a nova safra. O movimento reflete uma estratégia agressiva da GDM, que incorporou as operações de milho da KWS na América do Sul para criar a marca Supra Sementes, redefinindo sua rota de atuação global. Com a promessa declarada de elevar o teto produtivo do grão, a companhia sinaliza que a disputa por território no Centro-Oeste vai exigir genética de alta performance adaptada às mudanças climáticas e à lida diária da fazenda.

A região, afinal, não perdoa falhas. Com mais de 7 milhões de hectares dedicados ao milho, o Mato Grosso funciona como o principal termômetro do cereal no país. E como quem olha o céu antes de decidir a hora de plantar, os agricultores buscam segurança climática e sanidade. Atender a essa demanda virou a principal moeda de troca entre a indústria de genética e as lavouras comerciais.

O peso da genética GDM e a origem da Supra Sementes

Para entender o tamanho da aposta no mercado de milho, é fundamental olhar para o histórico da empresa controladora. A GDM, fundadora da marca e mente responsável por todo o aparato de pesquisa, possui um número de participação de mercado que silencia qualquer dúvida sobre sua capacidade de execução. Atualmente, 80% de toda a soja plantada no Brasil carrega a genética do grupo. Essa liderança não foi comprada, mas construída nas estações experimentais. Marcelo Salles, líder de negócios de milho da GDM no Brasil, faz questão de enfatizar a origem desse domínio. “Essa penetração de 80% é adquirida organicamente, sem nenhuma aquisição, através do DNA da GDM, que é o melhoramento genético“, pontua o executivo. Aperte no vídeo abaixo!

A trajetória da empresa, nascida em 1982 na Argentina sob o comando de Gerardo Bartolomé, começou com a simples troca de cartas buscando germoplasma estrangeiro. Quando a GDM chegou ao Brasil, em 2003, o grande diferencial foi encurtar o ciclo da soja, abrindo o espaço e o tempo necessários para o avanço monumental da safrinha de milho que conhecemos hoje. Agora sob a liderança do sucessor Ignacio Bartolomé, o grupo abraça a diversificação em culturas extensivas, apostando pesadamente em trigo, sorgo, girassol e, de forma central, no milho.

Essa expansão territorial e de portfólio encontrou na aquisição da KWS na América do Sul, a partir de 2024, o veículo perfeito para tracionar a Supra Sementes. O plano não esconde a ambição. Atualmente na quarta posição em participação de mercado com as marcas do grupo, a meta da gestão é clara e direta: alcançar o pódio e consolidar-se entre as três maiores potências de milho do Brasil nos próximos anos, competindo diretamente com corporações que acumulam mais de um século de história no setor.

Pesquisa na lida: Lucas do Rio Verde e o hub de Petrolina

A ciência agrícola não prospera em laboratórios distanciados da terra. Os novos produtos apresentados em Cuiabá são frutos diretos da estação de pesquisa localizada em Lucas do Rio Verde, o que garante adaptação cirúrgica ao ambiente e ao manejo mato-grossense. A estratégia da companhia baseia-se em não terceirizar o risco da adaptação. “A gente toma a decisão de lançar esses produtos, não só a partir do teste final realizado na realidade do produtor, mas também com o manejo dele e na região dele“, explica Salles.

O motor de desenvolvimento por trás dessa seleção impressiona pela escala. A GDM emprega globalmente 4.800 colaboradores, com expressivos 35% do quadro dedicados exclusivamente a pesquisa e desenvolvimento. Para a cultura do milho no Mato Grosso, os números traduzem o rigor científico aplicado no batente. André Figueiredo, líder de desenvolvimento de produtos no Brasil, revela que são testados cerca de 14 mil híbridos todos os anos na região para que apenas dois sejam selecionados e lançados comercialmente.

A força dessa engenharia genética ganha ainda mais impulso com o centro global de melhoramento instalado em Petrolina, Pernambuco. Embora as terras arenosas do semiárido pareçam inóspitas, os 400 hectares irrigados pelas águas do Rio São Francisco permitem que a pesquisa rode até três ciclos e meio por ano. Essa velocidade no avanço de gerações entrega competitividade e permite uma resposta rápida do programa de melhoramento às novas pressões biológicas do campo.

O foco absoluto da equipe liderada por Figueiredo é o incremento produtivo. Ele relembra que, nas últimas duas décadas, o aumento de produtividade foi dividido equilibradamente entre o manejo do produtor e o ganho genético. O jogo, no entanto, mudou de figura. “Daqui para frente, a genética vai passar dos 50%“, afirma Figueiredo. O horizonte traçado para os próximos quatro anos exige que os novos híbridos gerados pela companhia entreguem até duas toneladas de superioridade frente ao teto da concorrência atual.

S800 e S820: a nova régua de produtividade na conta de chegada

No momento em que o discurso técnico encontra a terra, a responsabilidade pesa. Wagner Justiniano, especialista com duas décadas de atuação em desenvolvimento de produto e há cinco anos na operação da GDM, resume a filosofia da equipe ao pisar na lavoura. “A GDM não tem plano B. Nós somos uma empresa de genética e o plano B é fazer o plano A funcionar, que é entregar produtividade e segurança“, sentencia.

A introdução dos híbridos S800 VIP3 e S820 VIP3 cristaliza essa postura, apresentando arquiteturas e posicionamentos desenhados para a conta de chegada do agricultor. O híbrido S800 chega ao mercado chancelado pela sua expressiva amplitude de plantio, sendo altamente responsivo tanto na safra de verão quanto na safrinha. O material carrega um porte de planta mais baixo que o padrão anterior da marca, associado a um colmo vigoroso e forte sanidade, inclusive frente ao temido complexo de enfezamento e à virose (CMV). Sua área de atuação mapeada vai desde o Sudoeste Goiano e Sul do Mato Grosso, passando pelo Vale do Araguaia, Parecis, até a porção mais baixa de Rondônia.

Já o S820 assume um papel cirúrgico no portfólio. É um material posicionado exclusivamente para a safrinha de alto investimento e focado no aumento de produtividade sem exigir grandes volumes de sementes por hectare. O híbrido brilha quando alocado nas melhores janelas de plantio, operando com excelência em populações de 65 mil a 66 mil plantas. Essa característica permite extrair rendimentos expressivos através de uma notável expansão de espiga, garantindo retorno econômico rápido e estável ao agricultor que capricha no investimento inicial.

Produtividade que fala por si nas lavouras do Centro-Oeste

A narrativa do alto rendimento só sobrevive quando chancelada pela balança. Durante o evento de lançamentos, foram expostos os rendimentos da safrinha 2026 colhidos lado a lado com materiais concorrentes da chamada primeira divisão comercial. Os dados atestam que quebrar a barreira de 200 sacas por hectare na safrinha, algo quase folclórico há alguns anos, transformou-se em uma meta atingível e consistente.

Iran Serra Negra, Gerente Regional da MT Sul, se encarregou de reconhecer quem extraiu o máximo da genética no campo. Serra apresentou os resultados de produtividade separando os tetos alcançados por tipo de híbrido. E isso impressou muito a todos ques acompanhavam.

Com o material S800, os três primeiros lugares ficaram com a Família Bortoluzzi, que alcançou expressivas 222,06 sacas por hectare, seguida por Marcelo e Josimar Zilio, que cravou a marca de 200,88 sacas, e Maiara Gnoatto, registrando 184 sacas por hectare.

Já com o híbrido S820, de arquitetura desenhada para o alto investimento, o primeiro lugar homenageado na noite foi novamente para a Família Bortoli, que atingiu o impressionante teto de 228 sacas por hectare. O segundo lugar no S820 ficou com a produtora Maiara Gnoatto, com 181,4 sacas por hectare, enquanto Leandro Cadore fechou o pódio com 172,6 sacas por hectare, consolidando uma dobradinha regional de forte desempenho.

A presença dos materiais entre os primeiros colocados, muitas vezes no topo das aferições comerciais, evidencia a consolidação técnica de um programa de melhoramento genético intensivo que colhe os frutos de sete anos focados em milho tropical. Para uma empresa emergente nesse segmento específico, bater de frente com a tradição das líderes globais demonstra que o investimento contínuo, a taxa fixa de 12% da receita alocada em ciência e o rigor metodológico estão mudando a balança de poder no campo.

No final do dia, é nessa travessia exata, entre o dado promissor da pesquisa e a decisão de manejo do produtor, que o campo exige respostas seguras. As lavouras que hoje enfrentam verões rigorosos, pressão biológica crescente e o desafio constante das margens apertadas precisam de sementes desenhadas para o combate. Com os novos híbridos, a Supra Sementes sinaliza que assumiu sua posição na linha de frente do agronegócio.

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Foto de Vicente Delgado

Sobre o autor

Vicente Delgado

DRT 2364/MT
Editor-Chefe e Fundador24+ anos de experiência

Jornalista e fundador do Agronews, atua desde 2002 em produção audiovisual e cobertura do agronegócio brasileiro, com foco em commodities, política agrícola, pecuária e eventos do setor.

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