Mercado do suíno sente o impacto da disparada nos preços do milho, que avança 24% no ano e ameaça a rentabilidade das granjas
A forte valorização do milho, grão essencial para a alimentação animal, tem gerado grande preocupação entre os produtores de suínos em todo o país. A escalada dos preços registrada nas últimas semanas pressiona de maneira direta a margem de lucro da suinocultura, que já enfrenta um cenário de desaquecimento nas cotações do suíno vivo. A combinação desses dois fatores coloca em xeque a sustentabilidade financeira de milhares de granjas, especialmente em um momento em que o mercado luta para equilibrar oferta e demanda.
Na parcial de 2025, até o dia 18 de março, o milho comercializado na praça de Campinas (SP) – referência nacional por meio do Indicador ESALQ/BM&FBovespa – acumulou uma alta expressiva de 24%. Nesta semana, o preço médio da saca de 60 kg atingiu a casa dos R$ 90, um nível que não era alcançado desde abril de 2022, em termos nominais. Esse movimento de alta é atribuído, principalmente, aos baixos estoques disponíveis no mercado e à demanda aquecida pelo cereal, tanto para o consumo interno quanto para exportação, o que tem elevado a competição entre os setores consumidores.

Enquanto o milho se valoriza rapidamente, o setor suinícola enfrenta um momento delicado, com os preços pagos pelo suíno vivo em queda nas principais regiões produtoras. A pressão de baixa reflete a oferta abundante de animais prontos para o abate, cenário que não tem encontrado respaldo na demanda dos frigoríficos, cada vez mais seletiva na aquisição de novos lotes.




