Os incêndios continuam a devastar grandes áreas do Pantanal, incluindo sua biodiversidade e colocando em risco espécies simbólicas do país, como a arara-azul e a onça pintada.

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De acordo com o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), o Pantanal teve mais de 2,9 milhões de hectares incendiados desde o começo do ano até a primeira quinzena de setembro, o equivalente a cerca de 19% da parte brasileira do bioma.

Entre as maneiras encontradas pelos brigadistas para conter o avanço dos incêndios está o manejo do fogo. De acordo com o membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), Felipe Dias, as equipes têm usado diversas técnicas para impedir um cenário ainda maior de destruição, cujas origens estão relacionadas a fatores climáticos e humanos.

“Temperaturas elevadas, matéria orgânica seca, ventos fortes. Tudo isso levou à ampliação do incêndio. Mas a origem é humana. Não necessariamente uma origem criminosa, de pôr fogo propositadamente. Muitas vezes é acidental, na hora de fazer o manejo de pastagem, por exemplo”, diz o especialista, que é diretor executivo da SOS Pantanal. Ele ressalta, no entanto, que os incêndios atuais não são acidentes, pois existem resoluções federais e estaduais em vigor proibindo o uso do fogo para controlar a pastagem.

Técnicas de manejo

Entre as técnicas utilizadas pelas brigadas estão os aceiros negros, a queima prescrita e a queima de expansão (ou contrafogo). Os dois primeiros são feitos de maneira antecipada e preventiva, eliminando do ambiente o combustível que o fogo precisaria para se propagar. Já a queima de expansão é executada como forma de combate, no momento em que um incêndio é identificado, prevendo-se sua movimentação de acordo com a direção dos ventos e, assim, protegendo áreas não atingidas.

A queima prescrita é a eliminação controlada – no período de chuva – do material combustível (biomassa vegetal) em áreas específicas, também com o objetivo de que, na eventualidade de o fogo chegar à região, não ter com o que se alastrar.

Segundo o coordenador de Projetos Ambientais da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, Emerson Antonio de Oliveira, o fogo é uma ferramenta usada em atividades agrícolas e pecuárias no Pantanal. “Trata-se de uma atividade que requer autorização, conhecimento e muito cuidado. É preciso que haja condições que permitam esse tipo de ação, como umidade e ventos propícios. Caso contrário, o bioma e toda a sua biodiversidade corre graves perigos, como estamos vendo atualmente”, diz, reforçando que este mesmo cenário relacionado ao fogo também ocorre no Cerrado e na Amazônia.

Em tese, um proprietário rural que queira usar o fogo para qualquer finalidade tem de evitar o período de estiagem e pedir autorização para os órgãos de controle ambiental, que emitem as licenças necessárias e as regras que deverão ser seguidas. O incêndio acidental acontece quando, mesmo com as devidas autorizações, o fogo foge de controle. Ele difere do incêndio criminoso no sentido de que este é resultado de uma ação que não teve autorização legal para ser realizada. Em ambos os casos, as consequências podem ser catastróficas.

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Em 16 de julho, foi publicado no Diário Oficial da União um decreto do governo federal que proibiu a utilização do fogo em práticas agropastoris e florestais na Amazônia Legal e no Pantanal por 120 dias. Com isso, toda e qualquer forma de utilização de fogo para essas finalidades durante este período são consideradas ilegais.