O cenário da mandiocultura nas principais regiões produtoras do Centro-Sul do Brasil atravessa um momento de particular dinamismo, veja mais informações
Recentemente, observou-se um fenômeno que, sob as leis tradicionais da economia, poderia sugerir uma queda abrupta nos preços: o aumento expressivo da disponibilidade de matéria-prima. No entanto, o mercado da mandioca tem tido cotações que resistem bravamente à pressão da maior oferta.
Oferta em expansão
Ao longo da última semana, as entregas de mandioca às unidades industriais tanto de fécula quanto de farinha ganharam ritmo. Esse movimento foi impulsionado por uma combinação de fatores climáticos e estratégicos. Inicialmente, o excesso de nebulosidade e episódios de chuva em pontos isolados do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul chegaram a frear os trabalhos de campo. Contudo, assim que o clima se estabilizou, os produtores intensificaram a colheita de forma vigorosa.
Essa aceleração não foi apenas uma resposta à janela de tempo seco. Existe um componente financeiro crucial: a necessidade de geração de caixa por parte dos agricultores. Além disso, há o fator logístico da liberação de áreas; muitos produtores precisam colher a mandioca para preparar o solo para os próximos ciclos produtivos, o que acaba concentrando a oferta em determinados períodos do ano.
Comportamento dos preços
Apesar desse influxo maior de raiz nas indústrias, o que se viu não foi um colapso nos valores pagos ao produtor. A explicação reside na demanda aquecida. As indústrias de processamento, operando com estoques que demandam reposição constante e atendendo a um mercado consumidor final ativo, mantiveram um apetite firme pela matéria-prima.
Destaque: Essa sustentação da demanda funcionou como um “amortecedor” econômico, impedindo que as desvalorizações fossem generalizadas ou profundas. As quedas de preço que ocorreram foram consideradas pontuais e localizadas, não refletindo uma tendência de derretimento do mercado.
Ao olharmos para os números de forma mais técnica, percebemos as nuances desse equilíbrio:
- Média mensal nominal: Houve uma valorização de 2,2% na comparação com o mês anterior. Isso demonstra que, no curto prazo, o mercado ainda consegue trabalhar com margens positivas de reajuste;
- Análise em termos reais: Quando aplicamos o deflacionamento pelo IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna), a percepção muda. Em termos de poder de compra real, o preço atual está 4,7% abaixo do registrado no mesmo período de 2025.
Isso significa que, embora o preço nominal tenha subido levemente no último mês, o produtor de mandioca está recebendo menos, em termos de valor real de mercado, do que recebia há um ano. Esse descompasso é um ponto de atenção para o planejamento das próximas safras, uma vez que os custos de insumos e logística também sofreram variações no período.
Perspectivas
A resiliência atual do setor de mandioca no Centro-Sul reforça a importância da industrialização para a estabilidade da cultura. A capacidade das fecularias em absorver o excedente de oferta sem penalizar drasticamente o preço pago ao campo é o que mantém a cadeia produtiva saudável.
Para as próximas semanas, a tendência é que o mercado continue monitorando as condições climáticas. Se o tempo permanecer seco e a colheita continuar avançando, o teste de resistência dos preços continuará.
Contudo, com a demanda interna por derivados de mandioca em alta impulsionada tanto pela indústria alimentícia quanto por setores químicos e de mineração que utilizam o amido, o cenário permanece de um otimismo cauteloso para o mandiocultor brasileiro. O desafio segue sendo a gestão dos custos para garantir que a rentabilidade real acompanhe o ritmo das cotações nominais. Clique aqui e acompanhe o agro.
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