No Brasil, as estações do ano são oficiais, ou seja, todo o território nacional está sempre na mesma estação, que atualmente é a Primavera. Mas as regiões Norte, Centro-Oeste e uma parte do Nordeste têm peculiaridades em relação à distribuição das chuvas, concentrando a nebulosidade e o tempo fechado justamente quando o calor e tempo firme passam a predominar no Sul, no Sudeste e na maior parte do Nordeste. Ou seja, enquanto o Verão oficial se aproxima, é chegado o “inverno amazônico” – uma temporada intensa de chuvas fundamental para manutenção dos ecossistemas.

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Este ano, o inverno amazônico é muito esperado para pôr fim a uma das temporadas de fogo mais letais da história do Brasil. Embora a previsão para esta Primavera seja de chuvas nas regiões que sofreram com o fogo, elas só devem se firmar em novembro. Antes disso, uma perigosa onda de calor é esperada para este final de setembro e começo de outubro em todo o país, favorecendo a propagação do fogo no fim desta temporada seca.

Amazônia, Pantanal e porções de Cerrado do Centro-Oeste testemunharam recordes nos números de queimadas – dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam que até agosto deste ano 34.373 km² de floresta amazônica arderam em chamas. E setembro, que ainda não acabou, foi o mês com maior número de queimadas no Pantanal na história, com mais de 6 mil incêndios.

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O método empregado por desmatadores e incendiários das florestas brasileiras é conhecido exatamente por aproveitar os ciclos de verão e inverno amazônicos. Na época de chuvas, eles cortam as árvores, comercializam as madeiras mais valiosas e largam galhos e toras para trás. O Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do INPE, capta essa diminuição do volume de mata e emite os chamados “alertas de desmatamento”. Em 2020, os alertas de desmatamento na região amazônica subiram 34% em relação ao ano passado e foram os maiores dos últimos cinco anos.

Na estação seca, os criminosos aproveitam a falta de chuvas para queimar o que sobrou do desmatamento, liberando a área de floresta para pastagem e mineração. Por isso, quanto mais alertas de desmatamento forem emitidos, maior será a probabilidades de incêndios florestais devastadores durante o verão amazônico. Ou seja, o governo pode se preparar para a temporada propícia a queimadas monitorando as áreas onde houve alerta de desflorestamento.

Dados de satélite são confiáveis?

Quando o número de queimadas disparou em 2019 e deu um segundo salto em 2020, o governo brasileiro passou a dizer que os dados não eram confiáveis. Instituições de outros países, como a Agência Espacial Americana (Nasa), passaram então a divulgar dados que confirmavam as informações do INPE, alertando as autoridades do Brasil de que o aumento vertiginoso das queimadas era real.

Mantendo as críticas ao INPE, o governo brasileiro tentou, então, comprar outro serviço de imagens por satélite, da empresa Planet, dos EUA, a um custo de R﹩ 49 milhões. A compra feita pela polícia federal foi suspensa pela justiça.