Grão tem preço interno alto e dólar baixo, guerra não desvia recursos do Brasil, mas inflação não deve ceder

Por Giovanni Lorenzon – AGRONEWS®

Pergunta que não quer calar: com a cotação do dólar próxima dos R$ 5 e os preços no Brasil em patamares bem menos competitivos que nos Estados Unidos, como ficam os negócios com a soja?

O preço porto na quinta passou próximo dos R$ 210 a saca e com os importadores tendo que demandar mais dólares contra o real fortalecido, o desvio para a soja dos Estados Unidos é maior, como tem mostrado os resultados do USDA.

E os dois indicadores não devem mudar, segundo analistas.

De um lado, a acentuada ruptura da safra brasileira, caminhando para final da colheita, beirando as 120 milhões de toneladas, fornece combustível para valorização.

Do outro, a remessa de divisas para o Brasil, em busca do rentismo dos juros altos, parece seguir com fôlego, mantendo o dólar com menor pressão de alta.

Ainda há instabilidade expressiva como resultado do conflito militar na Ucrânia e bloqueio econômico à Rússia, no qual a soja entra na esteira com muita volatilidade.

Mas não é o fim do mundo.

Um pouco de paciência e espera farão bem.

A China vai ter que se dirigir ao Brasil.

Os estoques americanos vão minguando e não haverá com os chineses represarem suas compras, diante da necessidade básica de importações que eles necessitam.

E acabarão tendo que encarar os valores daqui, que vão ficar ainda mais atrativos à medida que avança o segundo trimestre.

Siga-nos: Facebook | Instagram | Youtube

Divisas X câmbio

Apesar de tamanha instabilidade global, motivada pelo ditador da Rússia tentando engolir a Ucrânia, a entrada de divisas no Brasil é surpreendentemente alta.