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Impactos da alta do dólar nas exportações de soja em 2026

Redação
13/01/2026 às 07:01
Impactos da alta do dólar nas exportações de soja em 2026

Câmbio firme sustenta exportação, mas aperta a conta de quem vende no físico interno.

A alta do dólar entrou em 2026 como um dos principais fatores de sustentação do mercado de soja no Brasil. Para quem exporta, o câmbio mais valorizado melhora a paridade e ajuda a escoar volume. Para quem depende do mercado interno, a conversa muda, porque o preço não acompanha o custo na mesma proporção. O ponto é entender onde o dólar ajuda, onde ele não resolve e como isso bate direto na margem do produtor.

O que os preços estão mostrando neste começo de ano

Os indicadores do Cepea deixam claro que o mercado está dividido entre porto, interior e paridade de exportação. No Paraná, o Indicador Soja CEPEA/ESALQ fechou a R$ 133,85 por saca em 09/01/2026, com leve queda diária. No porto de Paranaguá, o mesmo indicador marcou R$ 142,14 por saca em 02/01/2026, mostrando que a exportação segue pagando melhor.

No físico nacional, a média CEPEA ficou em R$ 128,99 por saca em 09/01/2026, com alta diária, mas ainda longe de resolver a conta em regiões de custo mais elevado. Quando se olha para Mato Grosso, a referência que manda é a paridade de exportação calculada pelo IMEA.

Em janeiro de 2026, essa paridade girou entre R$ 100,00 e R$ 105,67 por saca, dependendo da praça, com destaque para Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Primavera do Leste. Esses valores subiram mais de 2% em um único dia, puxados diretamente pelo dólar mais alto. É aqui que o câmbio entra como protagonista.

Alta do dólar ajuda a exportar, mas não faz milagre

Na prática, o dólar valorizado melhora a competitividade da soja brasileira lá fora. Com Chicago servindo de referência e o câmbio fazendo a conversão, a paridade de exportação sobe mesmo quando a bolsa não reage tanto. É isso que tem sustentado os preços em reais no início de 2026.

O problema é que essa sustentação não significa margem folgada. Em Mato Grosso, vender soja a R$ 100,00 a R$ 105,00 por saca no disponível ainda pressiona o caixa, principalmente para quem fechou insumos caros na safra.

O que muda a conversa é o destino do grão. Quem consegue acessar exportação direta ou vender para tradings com prêmio atrelado ao porto sente melhor o efeito do dólar. Quem fica restrito ao mercado interno sente menos esse benefício.

Custo de produção segue como o principal limitador

Quando se coloca o custo na mesa, o efeito do câmbio fica mais relativo. Segundo o IMEA, o custo total da soja em Mato Grosso chegou a R$ 7.761,74 por hectare em setembro de 2025. Já no Mato Grosso do Sul, a Aprosoja/MS apontou custo de R$ 6.115,83 por hectare na safra 2025/26, o equivalente a 50,97 sacas por hectare.

Com paridade de exportação ao redor de 100 a 105 sacas, a margem fica apertada, especialmente em áreas de produtividade média. A Aprosoja/MS trabalha com preço médio projetado de R$ 120,00 por saca para a safra 2025/26, o que ajuda no papel, mas exige disciplina comercial para capturar esse valor.

O dólar alto melhora a receita em reais, mas não compensa erro de custo nem venda mal feita.

Safra grande e colheita avançando mudam o jogo

A colheita da safra 2025/26 já começou no norte de Mato Grosso e no oeste do Paraná, com expectativa de boa produtividade, segundo o Cepea. A produção nacional está projetada em 180,92 milhões de toneladas, um volume que naturalmente pressiona a logística e o mercado físico.

Outro dado importante é o ritmo de comercialização. Até agora, apenas 20,5% da safra foi vendida antecipadamente, o equivalente a 37,06 milhões de toneladas, abaixo da média histórica. Isso significa muito produtor ainda exposto ao mercado, apostando que o dólar continue sustentando preços.

Com a entrada forte de oferta no pico da colheita, o risco é o físico travar, principalmente longe dos portos. O câmbio ajuda, mas não elimina o efeito de safra cheia.

Câmbio, exportação e a decisão de venda

O dólar é hoje o principal pilar de sustentação da soja brasileira. Relatórios do IMEA mostram que a paridade de exportação reage rapidamente a qualquer movimento cambial. Se o dólar cede, a paridade cai quase na hora. Se sobe, o mercado ganha fôlego.

Para o produtor, isso significa que a decisão de venda precisa olhar menos só para Chicago e mais para o câmbio e o prêmio. O mercado está muito mais sensível a essas variáveis do que ao noticiário de oferta.

Dados como os do Cepea ajudam a acompanhar essa dinâmica no dia a dia e a comparar porto versus interior.

Estratégias práticas para atravessar 2026

Com dólar alto e safra grande, não existe bala de prata. O que existe é gestão comercial bem feita. Algumas estratégias ganham peso neste cenário:

  • Travar parte da produção quando a paridade cobre o custo e deixa margem, mesmo que não seja o topo do mercado.
  • Priorizar vendas atreladas à exportação, onde o dólar entra direto na formação do preço.
  • Evitar concentração de venda no pico da colheita, quando a oferta pressiona o físico.
  • Usar barter e contratos futuros com critério, sempre conferindo o custo real por hectare.

O ponto é simples: o dólar ajuda, mas quem paga a conta é a margem. Quem entende isso atravessa o ano com mais fôlego.

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