Estudo revela aumento do custo de produção e mudança na estrutura de financiamento observada nos últimos anos, com destaque para a crescente participação do Sistema Financeiro. Confira como fica o financiamento da Soja em Mato Grosso – Uma análise detalhada do Funding para a Safra 2024/25.
O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgou um estudo aprofundado sobre o financiamento da soja em Mato Grosso para a safra 2024/25, revelando um cenário desafiador, porém com nuances importantes. O estudo, intitulado “Funding da Soja”, analisa a participação dos diferentes agentes no financiamento da cultura, desde recursos próprios dos produtores até a atuação de multinacionais, revendas e instituições financeiras.
“Então essa relação da taxa de juros ela é importante para entender que a tendência de captação com bancos por exemplo essas instituições financeiras quando há uma taxa de juros muito alta, é menor essa tendência de captar com com essas instituições, e é menor essa tendência nos últimos anos. Porém isso também vai depender de outras conjunturas, há uma menor capitalização e as multinacionais de revendas podem ter uma diferença na suas negociações, o produtor ainda pode precisar pegar esses recursos com as instituições financeiras, mesmo com a taxa de juros mais alto.“, avalia Cleiton Jair Gauer, Superintendente do Imea.
Para Cleiton, um dos pontos mais relevantes do estudo é a mudança na estrutura de financiamento observada nos últimos anos, com destaque para a crescente participação do Sistema Financeiro. Essa mudança, em parte reflexo de uma alteração metodológica na pesquisa do Imea, que passou a incluir as linhas de crédito próprias dos bancos, também aponta para uma maior dependência de financiamentos externos por parte dos produtores.
Aumento do custo de produção e a importância do Crédito Agrícola
O estudo aponta para um aumento de 0,46% no custeio da soja em Mato Grosso na comparação entre as safras 2023/24 e 2024/25. Esse aumento, impulsionado pela projeção de aumento na área plantada (3,60%) e pela diminuição dos custos de produção por hectare (3,75%), evidencia a importância do crédito agrícola para viabilizar a produção.
O mercado de crédito agrícola, entretanto, tem se mostrado mais burocrático e com custos mais elevados nos últimos anos. Fatores como a menor disponibilidade de capital no campo e a presença de recuperações judiciais entre os agentes da cadeia produtiva têm contribuído para um cenário mais desafiador para os produtores em busca de financiamento.
Mudanças na participação dos Agentes Financiadores
O “Funding da Soja” revela mudanças significativas na participação dos agentes financiadores do custeio da soja em Mato Grosso. O Sistema Financeiro, com a inclusão das linhas de crédito próprias dos bancos, passa a ser o principal agente, com 30,50% de participação no financiamento. Esse aumento expressivo, de 13,78 pontos percentuais em relação à safra anterior, é atribuído, em parte, à alteração metodológica, mas também reflete a maior demanda por crédito por parte dos produtores, em um cenário de menor capitalização e restrições nas negociações a prazo.

Em contrapartida, os recursos próprios dos produtores registraram uma queda acentuada de 12,78 pontos percentuais, passando de 31,58% na safra 2023/24 para 18,85% na safra 2024/25. Essa queda é atribuída, principalmente, à menor rentabilidade da cultura nos últimos anos, com a queda nos preços da soja impactando diretamente a capacidade de investimento dos produtores.
Multinacionais e revendas também apresentaram recuo em sua participação no financiamento, com quedas de 0,67 e 4,95 pontos percentuais, respectivamente. Essa retração está relacionada à menor disponibilidade de negociações a prazo, com empresas do setor optando por reduzir sua exposição ao risco em um cenário de preços baixos e incertezas no mercado.
Ferramentas de Crédito e a busca por alternativas
Diante do cenário desafiador no mercado de crédito, o estudo destaca a importância da diversificação de ferramentas de financiamento, como a Cédula do Produtor Rural (CPR), o Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA).




