Aumento do custo de vida é inevitável se a crise militar na Europa do Leste continuar, embora com ganhos para alguns setores produtivos

Por Giovanni Lorenzon – AGRONEWS®

O que o mundo temia, começou. Seja pela retaliação militar do Ocidente e Estados Unidos contra a Rússia – pouco provável enquanto a invasão da Ucrânia ficar dentro das fronteiras -, seja por sanções severas contra a economia de Vladimir Putin, pouco se tem de definição mais à frente.

Por ora, é hora de proteção contra os riscos.

O dólar vinha enfraquecendo com a entrada de recursos estrangeiros em renda fixa no Brasil, mas a tendência é de voltar a subir. Qual o teto não se sabe, mas os produtores pagarão mais caro pelos insumos importados e, internamente, as empresas tendem a remarcar os preços à medida em que a crise avança.

Nos dois casos, acirra os ânimos inflacionários.

É o caso também das commodities.

O petróleo incendeia diretamente o custo de vida. Mesmo que a Petrobras represe os preços da gasolina, não tem como evitar reajustes, mesmo menores, diante do óleo cru disparando acima de US$ 100, US$ 110 o barril, dada a influência no abastecimento mundial

Trigo escala diretamente e aumenta o custo da importação brasileira, compulsória em cerca de 7 milhões de toneladas, porque a Ucrânia é uma grande produtora. Vai para o pão o repasse, naturalmente, além de todos os outros derivados do cereal.

O produtor de soja vai ganhar, pela tendência de o grão seguir – a menos que a crise aumente e os fundos deixem os ativos de risco – o mercado, mas, igualmente, vai refletir nos valores dos derivados internos, como o óleo e o farelo.

Neste último, o frango e os suínos sentirão o gosto amargo da guerra, e chegarão mais salgados aos consumidores porque os produtores pagarão mais pela ração.

É o caso também do milho. Como a soja, já tinha viés de alta, pela menor oferta brasileira e argentina, mas sente diretamente o peso do petróleo (por causa da produção de etanol nos Estados Unidos).