Foram realizadas algumas audiências públicas desde 2017 para discutir a implantação dessa ferrovia.

O projeto começou a ser desenvolvido em 2014 e entregue ao Governo Federal em 2015 como uma Manifestação de Interesse Privado. Desta forma, a ANTT abriu o processo das audiências para escutar a sociedade.

Agora, esse processo foi concluído e 300 contribuições foram feitas ao projeto e avaliadas pela ANTT, que aprovou grande parte delas. Agora, estão sendo feitos os ajustes no projeto com base nas requisições. Após a aprovação do Tribunal de Contas da União, o projeto vai para uma licitação.

Em entrevista ao portal Notícias Agrícolas, Roberto Meira, diretor da Estação da Luz Participações (EDLP), destaca a história da Ferrogrão, uma ferrovia que está sendo projetada para ligar o interior do Mato Grosso até o porto de Miritituba, no Pará, seguindo o caminho que já é traçado pela BR-163.

Meira conta que foram observados todos os cuidados a respeito de unidades de conservação e áreas indígenas, mas ainda não possui um estudo mais detalhado sobre o impacto, o que deverá ser feito em breve. Entretato, ele atesta que todas as avaliações indicam que o projeto tem grande viabilidade socioambiental.

O objetivo é abrir uma nova porta de escoamento de commodities agrícolas no Brasil, transportando 25 milhões de toneladas no primeiro ano, com o objetivo de atingir posteriormente uma meta de 58 milhões de toneladas.

A licitação deverá ser feita no segundo semestre de 2019 e o prazo para implantação é de cinco anos.

Informações do projeto

A EF-170, também chamada de Ferrogrão, foi qualificada no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) na 1ª Reunião do Conselho do PPI, em 13 de setembro de 2016. O projeto visa consolidar o novo corredor ferroviário de exportação do Brasil pelo Arco Norte. A ferrovia conta com uma extensão de 933 km, conectando a região produtora de grãos do Centro-Oeste ao Estado do Pará, desembocando no Porto de Miritituba. Estão previstos, também, o ramal de Santarenzinho, entre Itaituba e Santarenzinho, no município de Rurópolis/PA, com 32 km, e o ramal de Itapacurá, com 11 km.

Existe a previsão de estender a ferrovia entre Sinop/MT e Lucas do Rio Verde/MT, com 177 km de extensão e investimentos sujeitos ao reequilíbrio do contrato de concessão.

No primeiro ano de operação, prevê-se que a demanda total de carga alocada da ferrovia alcance 13 milhões de toneladas, número que poderá chegar a 42 milhões de toneladas, em 2050.

Quando finalizada, a Ferrogrão terá alta capacidade de transporte e competitividade, papel esse que, hoje, é desempenhado pela rodovia BR-163. O corredor a ser consolidado pela EF-170 e a rodovia BR-163 abrirá uma nova rota para a exportação da soja e do milho no Brasil. O empreendimento aliviará as condições de tráfego nessa rodovia, com o objetivo de diminuir o fluxo de caminhões pesados e os custos com a conservação e a manutenção.

O projeto faz frente à expansão da fronteira agrícola brasileira e à demanda por uma infraestrutura integrada de transportes de carga.