A crise econômica brasileira tem gerado reflexos em inúmeros setores. Dentro da cadeia produtiva do Feijão, cada elo tem sentido esse desajuste de forma diferente. Enquanto produtores amargam a alta no preço dos insumos, empacotadores veem sua margem praticamente sumir diante da drástica diminuição do poder de compra do brasileiro.

Com 19 milhões de pessoas passando fome, 14 milhões de desempregados e alta na inflação, o Brasil passa por uma situação complicada. Isso tudo agravado pela pandemia, que gerou reflexos devastadores da sociedade. Diante desse cenário, o preço dos alimentos tem ganhado as manchetes de jornais devido grande alta nos últimos meses. Grãos e carnes são itens da cesta básica que ficaram pesados ao bolso do consumidor.

Segundo dados da Conab, o preço do Feijão-carioca subiu 36% para o produtor, no comparativo ao ano anterior. Utilizando o exemplo de Minas Gerais, a média do preço de venda em agosto de 2020 era de R$203,00. Este ano, esse mesmo Feijão está sendo vendido por R$277,00.

Porém parte desse aumento gerado pela alta nos custos de produção, quebras na safra e outros agravantes, tiveram que ser absorvidos pelos empacotadores, que precisaram diminuir a margem para evitar que o valor ficasse ainda mais alto nas gôndolas dos supermercados.

O preço médio de venda ao consumidor final em 2021 foi de R$8,37, uma diferença de 13,7% para os R$7,22, que era o preço médio aplicado em 2020, percentual que não acompanha proporcionalmente a alta do preço da saca. Em São Paulo, de acordo com dados do Instituto de Economia Aplicada (IEA), o preço ficou menor em 7,7%.

O Instituto Brasileiro do Feijão, Pulses e Colheitas Especiais (IBRAFE) ouviu alguns de seus membros empacotadores que afirmam estar trabalhando com margem muito apertada para conseguir atender às necessidades atuais do mercado.