Durante a 36 Reunião de Pesquisa de Soja, realizada dias 28 e 29 de junho, em Londrina (PR), chamou a atenção do público a apresentação dos resultados dos ensaios em rede que avaliam a eficiência de fungicidas registrados e em fase de registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)

A ferrugem-asiática da soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, é a doença mais severa da soja. Na safra 2016/2017, a rede de ensaios identificou queda na eficiência dos produtos com carboxamidas – um dos princípios ativos mais novos do mercado – principalmente em ensaios realizados no MS, PR e RS. A situação mais crítica foi a dos ensaios do Rio Grande do Sul, porque as semeaduras são mais tardias e as lavouras são atingidas pelos esporos do fungo das outras regiões. “Por isso, a janela de semeadura é um problema, porque quanto mais tarde você planta, mais fungicida o produtor precisa aplicar”, diz a pesquisadora Cláudia Godoy, da Embrapa Soja,

De acordo com a pesquisadora, só para os produtos com modo de ação sítio específicos (produtos mais novos, registrados na última década) para controle da ferrugem foram realizados 39 ensaios. Outros 29 ensaios foram realizados para os fungicidas com modo de ação multissítios (disponíveis no mercado há mais de 30 anos). “Os multissítios voltaram a ser avaliados pela rede há três anos, na tentativa de ampliar as opções para o manejo de ferrugem. Isso porque os produtos que são mais novos estão tendo a eficiência reduzida devido a mutações do fungo”, explica a pesquisadora.

Para Godoy, os multissítios estão em uma faixa de 50% a 60% de eficiência. Esses produtos são indicados para serem usados em programas com os outros fungicidas. “A função deles é aumentar a eficiência do controle dos fungicidas e atrasar a resistência dos fungos aos fungicidas mais novos”, diz.

Nos ensaios cooperativos, os fungicidas são avaliados individualmente, em aplicações sequenciais, para determinar a eficiência de controle. “As informações devem ser utilizadas na determinação de programas de controle, priorizando sempre a rotação de fungicidas com diferentes modos de ação e adequando os programas a época de semeadura”, reforça. “As aplicações sequenciais e de forma curativa devem ser evitadas para diminuir a pressão de seleção de resistência do fungo ao fungicida”, explica.

Os ensaios em rede vêm sendo realizado desde a safra 2003/04, nas principais regiões produtoras e servem de parâmetros para que técnicos e produtores estabeleçam seus programas de manejo de doenças da soja. A rede é formada por fundações, universidades, instituições de pesquisa, consultores e empresas de defensivos agrícolas.