Engenheiros Agrônomos, Agrícolas, de Alimentos, Produção e Pesca ajudam o homem do campo a produzir mais alimentos de forma sustentável.
Há uma década, éramos 1 bilhão de famintos no mundo, agora somos 795 milhões. Em contrapartida, dados da FAO (Food and Agriculture Organization), Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, mostram que ainda temos 1,9 milhão de obesos e 2 bilhões de desnutridos. É certo que os esforços para erradicação da fome e o combate à pobreza continuam, mas também é preciso comemorar avanços neste 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação.
Afinal, o maior incremento do PIB (Produto Interno Bruto) vem do Agronegócio. Setor que depende da Engenharia para continuar crescendo. Engenheiros Agrônomos, Agrícolas, Ambientais, de Pesca, Produção, Alimentos, Mecânicos e Civis têm ajudado o homem do campo a produzir mais de forma sustentável, melhorando a quantidade e qualidade produzida. Um destaque no Paraná é o aumento na produção de alimentos orgânicos, que traz segurança alimentar e nutricional à população.
Em 2008, o Governo Federal lançou um programa de Agricultura Urbana para melhorar a segurança alimentar no país. Foram implantados quase 40 projetos CAAUPs (Centros de Apoio à Agricultura Urbana e Periurbana) de incentivo ao uso de espaços urbanos e periurbanos ociosos por meio da agroecologia. No entanto, muitos não vingaram. Na região metropolitana de São Paulo, o trabalho esbarrou em obstáculos como a falta de área para plantar e a dificuldade em encontrar produtores interessados.
Em Maringá, no interior do Paraná, a iniciativa de inclusão social e produtiva de famílias em situação de vulnerabilidade social e econômica deu certo. O CerAUP (Centro de Referência em Agricultura Urbana e Periubana) começou em 2008 com quase 200 famílias compartilhando 7 hortas comunitárias em terrenos cedidos pela Prefeitura. Uma década depois, são 38 hortas comunitárias e mais de 1.055 famílias envolvidos. Para o coordenador do projeto na CerAUP/UEM, Engenheiro Agrônomo Ednaldo Michellon, a iniciativa trouxe alimentos saudáveis para a população, gerou renda e ajudou na socialização de pequenos produtores. Ainda segundo o professor, nas hortas comunitárias as culturas são produzidas sem o uso de agrotóxicos e fertilizantes sintéticos.
Projetos como o realizado no noroeste paranaense reforçam a tese de mudança de pensamento da população e mostram que o consumidor está cada vez mais exigente. Para a engenheira agrônoma Samireile Silvano Messias, Diretora de Agricultura da Prefeitura Municipal de Maringá (PMM), a produção brasileira está deixando de ser somente por quantidade, para ser por qualidade.
“Felizmente a procura tem sido por alimentos que nutrem, trazem bem-estar e conforto”, destaca Samireile.
No Paraná, a busca por alimentos frescos orgânicos é crescente nas últimas décadas, e foi potencializada com as políticas públicas de apoio, como a criação da certificação pública da produção, por meio do programa Paraná Mais Orgânico – PMO, que está completando uma década neste ano, conforme salienta Michellon, que é membro do Comité Gestor do PMO.
Por sua vez, os agricultores familiares conseguem competir de igual para igual com as grandes empresas. Há preocupação com a rastreabilidade dos produtos, responsabilização da produção e sanidade dos alimentos (sem uso de agrotóxicos e fertilizantes sintéticos). No entanto, Samireile lamenta que os produtos saudáveis ainda sejam inacessíveis para a maior parte da população.
“Estão surgindo novas tecnologias que modernizam e barateiam a produção, mas ainda temos um cenário com um volume de produtos abaixo da necessidade. Precisamos de mais investimento do poder público e da iniciativa privada na produção de alimentação saudável, com menor impacto ao meio ambiente.” comenta a engenheira.
Ela complementa que faltam políticas públicas que melhorem a qualidade da produção e ajudem na distribuição desses alimentos.
O Engenheiro Agrônomo Paulo Milagres, do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural – Emater, lembra que os estudos de órgãos como a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e o Iapar (Instituto Agronômico do Paraná) triplicaram a capacidade produtiva das propriedades rurais paranaenses nos últimos anos.
“Temos que comemorar a quantidade de oferta de alimento no mundo, a tecnologia colocada no campo e o surgimento de novas técnicas, como a de plantio direto, adubação e irrigação”, diz o engenheiro.
Milagres também ressalta o fato de o Brasil ser um dos maiores fornecedores mundiais de alimento. “Abastecemos o mercado nacional e uma grande quantidade dos países da América do Sul, Europa e Ásia. Temos uma produção equilibrada e uma área produtiva invejável”, comemora.




