A safra de trigo promete no campo, mas desafia o produtor na hora de vender
Depois de um período de apreensão com as chuvas no Sul do país, o final de outubro trouxe um alívio para os produtores de trigo. O tempo mais firme e seco chegou na hora certa, favorecendo o desenvolvimento final das lavouras, que agora entram na fase de maturação. Essa mudança no clima gerou um otimismo renovado quanto à produtividade e à qualidade dos grãos. No entanto, essa boa notícia do campo vem acompanhada de um desafio no mercado.
O avanço da colheita, somado a outros fatores internos e externos, está pressionando os preços para baixo, criando um cenário de dois lados para quem produz: a expectativa de uma colheita cheia, mas com uma rentabilidade menor na comercialização.
O clima que virou o jogo nas lavouras
Quem lida com a terra sabe o quanto o clima é um fator decisivo. As chuvas que atingiram as principais regiões produtoras de trigo no início de outubro acenderam um sinal de alerta. A umidade excessiva nesta fase final do ciclo pode causar perdas de qualidade, como a redução do Peso Hectolítrico (PH) do grão, e favorecer o surgimento de doenças. Felizmente, a chegada de um tempo mais seco e com boa luminosidade no final do mês mudou completamente o panorama.
Essas condições são ideais para a maturação uniforme dos grãos e para a operação de colheita, permitindo que as máquinas trabalhem sem interrupções e com maior eficiência, garantindo que o potencial produtivo da lavoura seja de fato colhido.
Colheita avança e produtividade surpreende
Com o tempo colaborando, a colheita do trigo ganhou ritmo acelerado nos estados do Sul. A expectativa, segundo apontam pesquisadores do Cepea, é de uma safra robusta. Essa perspectiva de alta produtividade é resultado não apenas do clima favorável na reta final, mas também do investimento do produtor em tecnologia e manejo ao longo de todo o ciclo.
Uma produtividade elevada significa mais sacas por hectare, o que ajuda a diluir os custos de produção. No entanto, esse aumento na oferta interna é um dos principais fatores que pressionam os preços para baixo no mercado interno.
- Maior volume de grãos por hectare sendo colhido;
- Redução do custo de produção por saca;
- Maior disponibilidade de trigo para a indústria moageira nacional;
- Necessidade de maior agilidade na logística e armazenamento.
Entendendo a queda nos preços do trigo
Se a produção vai bem, por que os preços estão caindo? A resposta está em uma combinação de fatores que vão além da porteira. O primeiro, como vimos, é o avanço da colheita no Brasil. Com mais produto disponível, a lei da oferta e da procura entra em ação, e os compradores têm mais poder de negociação. Além disso, o cenário internacional também pesa bastante.
A Argentina, nossa vizinha e importante fornecedora de trigo, também projeta uma safra volumosa. Esse grande volume no Mercosul aumenta a concorrência para o produtor brasileiro. Para completar o quadro, as cotações internacionais do grão estão em patamares mais baixos e o dólar também recuou, tornando o trigo importado mais barato e competitivo, o que força o mercado interno a ajustar seus preços para baixo.




