A super quarta-feira do agronegócio começa com os holofotes totalmente voltados para o chão de fábrica do Meio-Oeste americano. O mercado agrícola vive um pregão de forte tração altista na Bolsa de Chicago (CBOT), impulsionado pelos primeiros achados da tradicional Pro Farmer Crop Tour, que começam a contradizer o otimismo do USDA. Paralelamente, as mesas financeiras operam em compasso de espera pelas atas do Federal Reserve (Fed), o que derruba o dólar nas primeiras horas do dia.
Para o produtor brasileiro, o balanço entre uma bolsa forte e um câmbio em recuo exige calculadora na mão para o fechamento de novos negócios. Abaixo, o detalhamento das forças deste pregão direto da nossa redação.
O front macro: Brent sustentado acima dos US$ 90,00
No mercado de energia, o barril de petróleo tipo Brent amanheceu registrando uma leve correção de baixa, mas continua operando com firmeza acima da barreira psicológica dos US$ 90,00.
A sustentação estrutural dessa cotação elevada continua sendo a preocupação com os conflitos no Oriente Médio. O prêmio de risco geopolítico impede que o óleo bruto sofra um escorregão mais forte, o que mantém a base de custos do frete marítimo e dos insumos em patamares que exigem vigilância constante por parte do produtor.
Complexo Soja: O choque de realidade da Pro Farmer
Após encerrar a sessão de ontem em campo neutro, a soja abriu a quarta-feira subindo forte na CBOT. O grande gatilho para essa arrancada não vem de relatórios de gabinetes, mas das estradas americanas.
Os primeiros resultados oficiais da Pro Farmer Crop Tour, a maior expedição de campo que avalia as lavouras dos EUA, trouxeram uma perspectiva de safra inferior à do ano passado. Os técnicos e analistas reportaram uma contagem de grãos e vagens mais baixa do que o esperado, confirmando o impacto do clima extremo que assolou o cinturão agrícola (com excesso de chuvas em alguns estados e calor extremo em outros).
Com os dados de campo apontando para um teto produtivo menor, os analistas começaram a questionar abertamente os números confortáveis divulgados pelo USDA na semana passada. As atenções do levantamento de hoje (quarta-feira) estão concentradas nas rotas de Illinois e no oeste de Iowa, simplesmente os dois maiores e mais importantes estados produtores de soja e milho. Qualquer frustração nessas lavouras tem potencial para jogar mais gasolina no rali de Chicago.
Milho e Trigo: Na esteira da expedição
O milho acompanha a disparada da oleaginosa e também trabalha em campo positivo. O cereal reage diretamente aos mesmos achados da Pro Farmer Crop Tour, com os fundos de investimento recalibrando suas expectativas de produtividade para baixo.
O trigo segue o movimento do bloco agrícola, mantendo um olho grudado nas condições climáticas e outro no cenário geopolítico, que não dá sinais de arrefecimento.
Mercado Financeiro: Dólar a R$ 5,19 à espera do Fed
No ambiente financeiro, a moeda americana passa por um ajuste de baixa. O dólar amanhece em queda frente ao real, cotado a R$ 5,19.
Esse recuo é provocado por uma postura de defesa e espera dos investidores globais. O mercado financeiro aguarda a divulgação da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed), programada para as 15h (horário de Brasília). O documento trará as minutas e os debates internos do banco central americano, oferecendo pistas definitivas sobre o rumo dos juros na economia dos EUA e balizando os próximos movimentos do câmbio.
Para a nossa comercialização, essa queda do dólar amortece a competitividade das exportações no balcão de hoje, forçando o produtor a focar nos prêmios portuários e nos ganhos consolidados da CBOT para fechar a conta.
O que levar no radar hoje: Para balizar o seu planejamento estratégico nesta quarta-feira:
Disparada em Chicago: CBOT sobe forte tracionada pelos dados frustrantes da Pro Farmer Crop Tour, que aponta contagem de grãos abaixo da safra passada.
A Prova de Fogo: A expedição percorre hoje Illinois e o oeste de Iowa, os corações produtivos dos EUA. O mercado questiona a safra cheia do USDA.
Petróleo Firme: Brent segue acima de US$ 90,00, mantendo o custo logístico global em nível de alerta devido ao Oriente Médio.
Dólar Recua: Câmbio abre em baixa a R$ 5,19. O recuo afeta a conversão em reais para as exportações.
Atenção às 15h: A divulgação da ata do Fed trará alta volatilidade ao câmbio no meio da tarde.
Dia de agenda cheia e grandes movimentos táticos. Acompanhe a reação do dólar após as 15h para identificar a melhor janela de venda do dia. Seguimos monitorando o mercado segundo a segundo no Agronews.
Por Luiz Cunha – Consultor de mercado físico de grãos e fertilizantes
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Sobre o autor
Vicente Delgado
DRT 2364/MT
Editor-Chefe e Fundador24+ anos de experiência
Jornalista e fundador do Agronews, atua desde 2002 em produção audiovisual e cobertura do agronegócio brasileiro, com foco em commodities, política agrícola, pecuária e eventos do setor.