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Cataratas do Iguaçu: vazão quase 8x acima da média ameaça passarela e mobiliza equipes

Cataratas do Iguaçu vazão quase 8x acima da média ameaça passarela e mobiliza equipes

Com 11,8 milhões de litros de água por segundo, força do Rio Iguaçu provoca interdições e exige medidas de proteção em um dos principais destinos turísticos do Brasil. Vídeo mostra trabalhadores retirando grades da passarela em meio à cheia.

A força das águas nas Cataratas do Iguaçu, no oeste do Paraná, transformou um dos cartões-postais mais conhecidos do Brasil em um cenário de atenção redobrada. A vazão do Rio Iguaçu atingiu 11,8 milhões de litros por segundo na manhã de segunda-feira (12), quase oito vezes a média histórica de 1,5 milhão. O aumento levou à interdição preventiva da passarela que aproxima os visitantes da Garganta do Diabo.

Nesta terça-feira (13), imagens divulgadas nas redes sociais mostram trabalhadores retirando proteções laterais da estrutura enquanto a correnteza avança com intensidade. A intervenção chama a atenção pela proximidade das equipes com o grande volume de água e evidencia os cuidados necessários durante períodos de cheia.

Assista ao vídeo que mostra a retirada das proteções da passarela durante a cheia nas Cataratas do Iguaçu. O registro permite observar a força da correnteza e as condições enfrentadas pelos trabalhadores durante a intervenção.

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Por que a cheia representa perigo para a passarela?

O risco não está apenas na quantidade de água que despenca pelas quedas. O aumento da vazão modifica as condições hidráulicas do rio e amplia os esforços exercidos sobre estruturas instaladas próximas à correnteza.

Quando o nível sobe, partes da passarela e de suas proteções podem ficar expostas a uma pressão maior. Galhos, troncos e outros materiais transportados pelo rio também podem atingir a estrutura ou ficar presos às grades, aumentando a resistência à passagem da água.

É nesse contexto que a retirada de proteções laterais pode integrar medidas destinadas a reduzir esforços sobre determinados componentes. A finalidade técnica específica da intervenção registrada nesta terça-feira, entretanto, não foi detalhada em documento oficial localizado até o fechamento desta reportagem.

O perigo também envolve as pessoas. Correntes intensas, turbulência, impactos de materiais transportados pela água e superfícies molhadas tornam operações próximas ao rio especialmente delicadas.

A passarela foi interditada às 8h de domingo (11), quando a vazão atingiu aproximadamente 8,8 milhões de litros por segundo. No dia seguinte, o fluxo chegou a 11,8 milhões, o maior volume registrado em 2026 até aquele momento.

Chuvas na bacia do Iguaçu explicam a elevação das águas

As Cataratas refletem o comportamento de uma bacia hidrográfica extensa. O Rio Iguaçu atravessa o Paraná de leste a oeste e recebe contribuições de diversos cursos d’água ao longo de seu percurso.

Isso significa que as condições observadas nas quedas não dependem apenas da chuva em Foz do Iguaçu. Precipitações acumuladas em outras regiões da bacia também podem elevar o volume transportado pelo rio, com efeitos que se manifestam posteriormente nas Cataratas.

Na atual cheia, as chuvas registradas na bacia contribuíram para o crescimento expressivo da vazão. A comparação com a média histórica ajuda a dimensionar a intensidade do fenômeno: em condições médias, passam pelas Cataratas aproximadamente 1.500 metros cúbicos de água por segundo. No pico registrado na segunda-feira, esse volume chegou a 11.800 metros cúbicos por segundo.

O episódio também ocorre após outras elevações importantes em 2026. Em setembro, a vazão alcançou 10,1 milhões de litros por segundo e provocou uma interdição de quatro dias. A passarela voltou a receber visitantes em 15 de setembro, após redução do volume e vistoria técnica.

Monitoramento define quando a visitação pode ser retomada

A segurança da passarela depende de avaliações contínuas da concessionária Urbia+Cataratas e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela administração do Parque Nacional do Iguaçu.

Os procedimentos operacionais preveem a avaliação de interdição preventiva quando a vazão alcança 8 milhões de litros por segundo e apresenta tendência de elevação. A decisão considera as condições do rio e os riscos para visitantes e trabalhadores.

Confira a situação dos atrativos:

Acesso temporariamente suspenso devido à cheia:

  • Trilha da Canafístula;
  • Caminho do Poço Preto;
  • Espaço Usina;
  • Circuito São João;
  • Mirante inferior do Espaço Naipi;
  • Passarela das Cataratas.

Interditado para obras:

  • Caminho das Bananeiras.

Aberto à visitação:

  • Trilha das Cataratas, exceto os trechos com acesso temporariamente interditado.

Apesar das restrições, o Parque Nacional do Iguaçu permaneceu aberto à visitação, com a Trilha das Cataratas e seus mirantes acessíveis. Outros percursos, como os caminhos das Bananeiras e do Poço Preto, foram temporariamente interditados pelo risco de alagamento.

O retorno dos visitantes depende da redução da vazão, da estabilidade das condições do rio e da liberação pelas equipes responsáveis.

A cheia reforça a importância do monitoramento hidrológico e dos protocolos de segurança em áreas turísticas próximas a grandes cursos d’água. A mesma força natural que atrai visitantes de diferentes partes do mundo também exige limites de acesso e intervenções preventivas quando o rio ultrapassa condições consideradas seguras.

Acompanhe no Agronews as notícias sobre chuvas intensas, cheias, alertas meteorológicos e seus impactos sobre as cidades, a infraestrutura e o setor produtivo brasileiro.

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Foto de Vicente Delgado

Sobre o autor

Vicente Delgado

DRT 2364/MT
Editor-Chefe e Fundador24+ anos de experiência

Jornalista e fundador do Agronews, atua desde 2002 em produção audiovisual e cobertura do agronegócio brasileiro, com foco em commodities, política agrícola, pecuária e eventos do setor.

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Cataratas do Iguaçu cheia chuvas

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