Soja (MT)R$ 138,36-0.28%
Milho (MT)R$ 46,64-1.10%
Algodão (MT)R$ 127,31-2.48%
Boi Gordo (MT)R$ 341,51+1.03%
Leite (MT)R$ 2,39-0.30%
Soja (MT)R$ 138,36-0.28%
Milho (MT)R$ 46,64-1.10%
Algodão (MT)R$ 127,31-2.48%
Boi Gordo (MT)R$ 341,51+1.03%
Leite (MT)R$ 2,39-0.30%
Soja (MT)R$ 138,36-0.28%
Milho (MT)R$ 46,64-1.10%
Algodão (MT)R$ 127,31-2.48%
Boi Gordo (MT)R$ 341,51+1.03%
Leite (MT)R$ 2,39-0.30%

Efeito USDA derruba Chicago, Brent a US$ 104 e plantio acelera pós-feriado em MT

Efeito USDA derruba Chicago, Brent a US$ 104 e plantio acelera pós-feriado em MT

A terça-feira (13) amanhece com o mercado internacional digerindo o “dia seguinte” do feriado nacional brasileiro. Na Bolsa de Chicago (CBOT), o peso dos números do USDA divulgados na última sexta-feira continua fazendo estragos, puxando a soja e o milho para o campo negativo e frustrando qualquer tentativa de rali neste início de semana. O derretimento acelerado do farelo de soja é o grande vilão do pregão desta manhã.

No Brasil, os operadores de balcão e as mesas financeiras aguardam ansiosos o som do gongo para a abertura do câmbio após a folga de segunda-feira, tentando medir as forças entre o avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas e a tensão militar global. Nas lavouras, o recado é direto: se o mercado de telas está ruim e o dólar corrói o prêmio em reais, o momento é de acelerar a plantadeira.

Abaixo, os fundamentos que balizam os negócios hoje direto da nossa redação em Cuiabá.

Complexo Soja: Farelo afunda e ressaca do USDA dita o tom em Chicago

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros da oleaginosa amanhecem em terreno negativo. A principal força de pressão vem do subproduto: o farelo de soja sofre uma forte onda vendedora, desidratando as margens de esmagamento e puxando consigo as cotações do grão.

O pano de fundo desse movimento ainda é a digestão tardia do relatório mensal do USDA da última sexta-feira. A confirmação de um aumento na produção de soja norte-americana para 4,56 bilhões de bushels, impulsionada por rendimentos superiores, solidificou um viés baixista nas planilhas dos analistas.

As mesas financeiras aguardam os novos relatórios semanais de acompanhamento de safra para medir o real avanço das colheitadeiras no Meio-Oeste. Paralelamente, o apetite da demanda da China permanece como o grande ponto de interrogação: as compras estão acontecendo, mas ainda carecem da força necessária para enxugar o incremento da safra norte-americana.

Milho e Trigo: Cereal cede e acompanha a oleaginosa

O milho segue a reboque da soja e também opera no vermelho nesta abertura. O cereal absorve a carga negativa dos grãos e aguarda definições estatísticas sobre o fluxo da colheita nos EUA. Sem fatos novos positivos na demanda externa ou desdobramentos diplomáticos animadores em Washington, o complexo cerealífero adota postura defensiva.

América do Sul: Máquinas no campo em busca da marca dos 20%

No Brasil, a leitura comercial no balcão é amarga. O recrudescimento de Chicago somado ao derretimento cambial da última semana estrangulou a remuneração da saca em reais. Diante de um mercado físico travado e com pouca margem operacional, o produtor fez o que sabe fazer de melhor: ligou a chave no trator e foi pro campo.

As operações de plantio da safra 2026/27 aceleraram vigorosamente durante o feriadão. O setor busca consolidar os 20% de área semeada no país. O clima, de modo geral, tem atuado a favor. Os bolsões de atraso são muito pontuais:

  • Maranhão (início de transição de chuvas)
  • Rio Grande do Sul (excesso crônico de precipitações via El Niño)
  • Áreas bastante isoladas no norte de Mato Grosso.

Na maior parte do Centro-Oeste, a regularização das pancadas de chuva permitiu ao produtor avançar bem e diluir parte do estresse agronômico inicial.

O front macro: Brent a US$ 104,60 e o compasso de espera do Dólar

No setor de energia, o mercado passa por um micro-ajuste, mas segue estruturalmente tenso. O barril de petróleo tipo Brent registra leve recuo nesta manhã, porém ainda trabalha confortavelmente sustentado a US$ 104,60 por volta das 7h20 (horário de MT).

Essa resiliência da energia é alimentada pelas incertezas no Oriente Médio e pelo alerta recente da Opep sobre deficiências de investimento no refino e na distribuição, o que perpetua um prêmio inflacionário no diesel e nos adubos para a safra do agro brasileiro.

No ambiente financeiro, todas as atenções se voltam para a abertura da B3 e do mercado cambial logo mais. O dólar será submetido a um cabo de guerra:

  1. Vetor Baixista: A nova pesquisa BTG/Nexus consolida o cenário com Flávio Bolsonaro marcando 52% das intenções de voto no segundo turno. Para o mercado financeiro e os capitais institucionais, esse cenário eleitoral atrai confiança e tende a puxar a moeda americana para baixo.
  2. Vetor Altista: A aversão ao risco gerada pela continuidade do conflito armado no Oriente Médio e a escalada de juros/inflação nos Estados Unidos valoriza o dólar contra a cesta de emergentes lá fora.

Resumo Executivo para o seu radar hoje:

  • Ajuste Negativo: CBOT em baixa na soja e no milho; tombo do farelo agrava as perdas nas cotações da oleaginosa.
  • Sombra do USDA: Mercado internacional ainda sente a pancada dos dados de sexta, que ampliaram o tamanho estimado para a colheita dos EUA.
  • Fuga para a Roça: Com o preço físico do grão estrangulado, produtor BR aproveita a melhora do clima e acelera o plantio; Brasil mira a marca de 20% da área, com atrasos reduzidos a poucos estados e áreas pontuais em MT.
  • Brent Fervendo: Petróleo oscila com leve baixa intradiária mas preserva o suporte dos US$ 104,60 (inflação no frete ligada).
  • Dólar Pós-Feriado: Mercado volta a operar aguardando um embate entre o viés eleitoral (pesquisa BTG/Nexus) que fortalece o real, e a tensão global em emergentes.

A terça-feira exige sangue frio para comercialização e dedicação total às operações agronômicas. Com Chicago realizando as faturas do USDA e o balcão aguardando a definição cambial, a prioridade hoje deve ser manter a máquina regulada, garantir a qualidade do plantio e monitorar ativamente a paridade do dólar a partir das 9h. Aproveite qualquer soluço de alta no câmbio para finalizar travamentos urgentes de custos. Um excelente retorno de feriado e negócios seguros a todos!

Por Luiz Cunha – Consultor de mercado físico de grãos e fertilizantes

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Sobre o autor

Vicente Delgado

DRT 2364/MT
Editor-Chefe e Fundador24+ anos de experiência

Jornalista e fundador do Agronews, atua desde 2002 em produção audiovisual e cobertura do agronegócio brasileiro, com foco em commodities, política agrícola, pecuária e eventos do setor.

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