Boletim meteorológico desta terça e quarta mostra chuva forte em áreas do Norte e Nordeste, frio nas serras do Sul e Sudeste e alerta de baixa umidade em regiões produtoras.
O mapa do tempo abre junho com contrastes marcantes no campo brasileiro.
O INMET indica avanço de instabilidades sobre faixas do Norte e do Nordeste, enquanto o interior do país mantém calor, ar seco e janelas prolongadas sem chuva.
Entre esta terça e quarta, a atenção dos produtores se divide entre o risco de chuva volumosa em áreas de logística sensível, a queda acentuada das temperaturas nas serras e a umidade relativa baixa no Centro-Oeste, no interior nordestino e em pontos do Sudeste, cenário que pede ajuste fino no manejo de lavouras, pastagens e operações de colheita.
Chuva avança no Norte e Nordeste enquanto o interior segue quente e seco
Região
Condição
Chuva
Temperatura
Atenção no agro
Norte
Chuva frequente
>200mm na semana em RR, AM, PA
Máx 34 a 36°C
Logística e colheita
Nordeste
Chuva litoral, seco interior
>40mm BA, até 60mm PB-PE
Máx 35 a 37°C, mín 14 a 16°C
Manejo hídrico e 3ª safra
Centro-Oeste
Tempo firme
Sem chuva
Mín 10 a 12°C, Máx 33 a 35°C
Milho safrinha em risco
Sudeste
Chuva fraca litoral
Baixos acumulados
Mín 2 a 4°C com geada
Citros e pastagens
Sul
Frio e pouca chuva
Chuvisco litoral
Mín 2 a 5°C com geada
Trigo e geada localizada
No Norte, os maiores volumes se concentram em Roraima, Amapá, norte do Amazonas, noroeste e nordeste do Pará e Ilha do Marajó. As máximas devem alcançar 34 a 36°C, mas Rondônia, Tocantins e sudeste paraense entram no radar da baixa umidade, com índices abaixo de 30 por cento durante a tarde.
No Nordeste, a terça tem chuva forte no Recôncavo Baiano, inclusive em Salvador, com acumulados acima de 40mm. A faixa litorânea entre Pernambuco e Maranhão recebe volumes menores, enquanto o interior segue sob calor intenso, máximas de 35 a 37°C e ar muito seco no sertão do Piauí, onde a umidade pode ficar abaixo de 20 por cento.
Na quarta, a chuva ganha fôlego entre Paraíba e Pernambuco.
Os acumulados podem chegar a 60mm ao dia nessa faixa, condição que favorece a recomposição de umidade em áreas da terceira safra, mas também exige cuidado com enxurradas localizadas, trânsito em estradas vicinais e pulverizações. No litoral, a sequência úmida pede atenção ao intervalo entre aplicações e à entrada de máquinas em talhões mais pesados.
Frio, geada e baixa umidade exigem atenção nas regiões produtoras
O Centro-Oeste permanece sob tempo estável, sem previsão de chuva. As mínimas ficam entre 10 e 12°C em Goiás e no Distrito Federal, enquanto Mato Grosso pode registrar máximas de 33 a 35°C. À tarde, a umidade abaixo de 30 por cento aparece em todos os estados, elevando o alerta para milho safrinha em áreas com déficit hídrico.
No Sudeste, a chuva fraca se limita ao litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. O frio é o destaque no sul de Minas Gerais e na Serra da Mantiqueira, com mínimas de 2 a 4°C e possibilidade de geada localizada. No norte paulista, no oeste mineiro e no Triângulo Mineiro, o ar seco pode pressionar citros, pastagens e culturas recém implantadas.
Nas serras gaúcha e catarinense e no sul do Paraná, as mínimas variam de 2 a 5°C, com chance de geada localizada nas madrugadas mais abertas. Neblina e nevoeiro podem reduzir a visibilidade nas primeiras horas do dia, enquanto o norte paranaense esquenta mais à tarde, com máximas de 24 a 26°C.
Para junho de 2026, o prognóstico mensal do INMET mantém chuva acima da média em partes do Norte, especialmente Pará, Amazonas e Amapá, além de áreas do Nordeste como Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. No Sul, o Rio Grande do Sul também aparece com tendência de volumes superiores ao padrão do mês.
A temperatura deve ficar acima da média em grande parte do país, com desvios de até 1,5°C no Centro-Oeste. Esse desenho aumenta a sensibilidade do milho safrinha em Mato Grosso, pode reduzir o crescimento de frutos na citricultura paulista, beneficia feijão e milho da terceira safra no Nordeste onde a chuva se confirma e favorece o trigo no Sul quando o frio chega sem excesso de umidade.