Estoques globais apertados e custos elevados sustentam preços altos, mesmo com volatilidade forte no mercado internacional.
O café arábica entrou este começo de ano andando em terreno instável. De um lado, o mercado internacional mostra pressão nas cotações, tanto em Nova York quanto no físico interno. Do outro, os fundamentos seguem apertados, com estoques baixos, custo de produção elevado e oferta limitada para exportação. O desafio imediato para o produtor é entender se essa queda recente é ajuste pontual ou sinal de mudança mais profunda na tendência.
O que está acontecendo com os preços do café arábica
Na abertura desta segunda-feira, 12 de janeiro, o indicador CEPEA/ESALQ para o arábica em São Paulo foi cotado a R$ 2.225,39 por saca de 60 kg, registrando queda de 1,80%. Em Nova York, na ICE Futures US, os contratos com vencimento em março de 2026 fecharam a US$ 436,00 por saca no dia 9 de janeiro, com recuo de 3,32%.
Esse movimento não veio sozinho. O robusta também opera sob pressão, com queda no mercado interno e recuo nos contratos de Londres. Ou seja, não é um problema exclusivo do arábica brasileiro. É um ajuste mais amplo do mercado internacional, típico de momentos em que o financeiro pesa mais que o físico.
O ponto é que essa pressão acontece em um mercado que já vinha precificando escassez. Por isso, cada queda chama atenção e gera dúvida na mesa do produtor sobre o melhor momento de vender ou segurar.
Estoques globais baixos seguem no comando do mercado
Quando a gente sai do gráfico e olha o fundamento, a história muda de tom. Os estoques globais de café seguem historicamente baixos. Mesmo com a colheita em andamento no Vietnã, a disponibilidade não é confortável. Um sinal claro disso aparece nos dados de certificados de origem.
Até 2 de janeiro, os pedidos somaram apenas 222.828 sacas, bem abaixo das 462.520 sacas registradas no mesmo período do ano anterior. Na prática, isso indica menos café circulando no mercado internacional, o que limita qualquer movimento mais forte de queda sustentada.
É esse aperto de estoque que mantém os preços em patamares elevados, mesmo quando a bolsa corrige. O mercado até tenta testar níveis mais baixos, mas encontra dificuldade em sustentar esse movimento.
Produção 2025/26 melhora, mas não sobra café
A produção brasileira da safra 2025/26 é outro ponto central na leitura de valorização do arábica. A estimativa oficial aponta 62,8 milhões de sacas, sendo 38,7 milhões de arábica e 24,1 milhões de robusta. Existe, sim, uma recuperação parcial do arábica, principalmente em relação ao ciclo anterior.
Algumas consultorias trabalham com números mais otimistas, acima de 70 milhões de sacas. Mesmo assim, o consenso é que a oferta continua limitada quando comparada ao crescimento da demanda ao longo dos últimos anos e à necessidade de recomposição de estoques globais.
Na prática, isso significa que qualquer frustração climática, problema logístico ou atraso de colheita pode rapidamente devolver prêmio ao mercado. O café segue sensível a notícias negativas.
Custos de produção continuam puxando o piso do preço
Outro fator que sustenta o viés de valorização do arábica está dentro da porteira. Os custos de produção seguem elevados, pressionando a margem do produtor. Insumos, mão de obra e manejo mais intensivo não permitem que o café seja produzido a preços muito mais baixos sem estrangular a rentabilidade.
Esse cenário já levou a indústria a sinalizar reajustes de preços ao longo de 2026. Quando o custo sobe na base da cadeia, o mercado acaba sendo obrigado a reconhecer esse piso mais alto, mesmo que haja momentos de ajuste técnico nas bolsas.




