Empresas lançam projeto experimental em conjunto com a IBM para rastrear informações desde a produção até as prateleiras do supermercado
A fabricante de alimentos BRF e a varejista Carrefour estão implementando, em parceria com a IBM, uma tecnologia usada pela moeda virtual Bitcoin para impedir fraudes na produção e comercialização de alimentos. As empresas adotaram o Blockchain, sistema que dá segurança às transações da criptomoeda, em projeto lançado na quarta-feira, 8 de novembro.
Com o uso da tecnologia Blockchain, fraudes como as detectadas pela operação Carne Fraca, deflagrada em março deste ano pela Polícia Federal, seriam impossíveis de serem realizadas. Na ocasião, a operação descobriu diversas irregularidades praticadas por frigoríficos, entre elas a adulteração dos prazos de validade de alimentos e o uso de insumos proibidos em embutidos.
Já está disponível nas prateleiras do Carrefour o lombo congelado da Sadia que usa Blockchain para obter informações sobre o alimento. Na embalagem, um QR Code permite que o consumidor cheque a fábrica de origem daquele produto, datas de produção, embalamento e transporte, além da sua validade. Qualquer irregularidade na fabricação ou na distribuição poderá ser detectada pelo cliente.
O projeto, em fase de testes, servirá para as companhias aperfeiçoarem os sistemas e confirmarem a viabilidade financeira da iniciativa. Só que, mais importante do que a informação que chega ao cliente, são os novos controles que podem ser feitos pelas empresas. A tecnologia de Blockchain, que é complexa, tem um objetivo simples: impedir fraudes.
O Blockchain transforma informações em fragmentos digitais (os chamados blocos) que são distribuídos por diferentes servidores por meio da internet. Caso alguém consiga quebrar a criptografia de um desses servidores e altere a informação – uma data de validade, por exemplo -, os outros servidores que receberam as demais partes da informação acusam a adulteração.
Assim, as empresas podem, por meio de controles automatizados, fazer diversas inspeções durante o processo de fabricação e registrar essas informações digitalmente. Quando o produto é finalizado, uma série de certificações garante a procedência e a qualidade.



