Blairo Maggi participou, em Cristalina, de colheita da primeira safra do produto no Cerrado destinada a suprir demanda indiana
O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, participou nesta quinta-feira (24), na Fazenda Alvorada, em Cristalina (GO), da colheita da primeira safra de grão-de-bico destinada a suprir demanda feita pelo governo da Índia. A safra é fruto de experimentos coordenados pela Embrapa, em parceria com a empresa indiana UPL. “Nós, brasileiros temos uma oportunidade, mais uma vez pela mão da Embrapa, com gente daqui, desta fazenda, de investir, investigar e fazer”, disse o ministro.
A pesquisa desenvolvida em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, tem como objetivo avaliar o potencial produtivo de quatro cultivares (duas indianas e duas nacionais) em três diferentes épocas de plantio, abril, maio e junho. “Percebemos uma grande oportunidade que é. Essa mercadoria, quando exigida pelo mercado internacional, deverá ser fornecida por alguém, e nós queremos ser os grandes fornecedores.Temos algum tempo para desenvolver variedades, descobrir quais são as melhores em cada um desses locais”, observou Maggi.
O ministro prometeu “fortalecer regras e normas relacionadas à cultura de grãos, como na área de sementes, que tem exigências sem sentido, declarações, relatórios, e coisas que só fazem gastar dinheiro e tempo”.
Sobre a propriedade que visitou observou o fato de a agricultura ser diversificada, com cebola, alho, cenoura, milho verde, tomate, beterraba, “muito diferente da que estamos acostumados a ver no Brasil e que merece todo apoiamento”.
Colheita
A primeira colheita da safra de grão-de-bico é resultado da visita de Maggi à Índia no final de 2016, quando o país mostrou interesse em importar do Brasil leguminosas de grãos secos, as chamadas pulses. Também fazem parte desse grupo o feijão-caupi, feijão-mungo, grão-de-bico e lentilha.
Na ocasião, a UPL anunciou investimento US$ 100 milhões, por meio da parceria com a Embrapa, no desenvolvimento e produção de pulses no Brasil para exportar ao mercado indiano. De acordo com a Embrapa, a demanda da Índia por esses produtos cresce de forma expressiva. A projeção é que possa chegar a 30 milhões de toneladas por ano até 2030.
Como o ciclo do grão-de-bico gira em torno de quatro meses, as primeiras colheitas iniciam-se agora, entre o final de agosto e o início de setembro, e a expectativa é selecionar as cultivares com melhor adaptação às condições ambientais brasileiras.
Atualmente, o Brasil depende de importações para suprir o consumo anual de oito mil toneladas, mas pesquisas recentes da Embrapa visam tornar o país autossuficiente e com potencial para exportação. Período seco, clima favorável e médias altitudes tornam algumas regiões brasileiras aptas para o cultivo de grão-de-bico, leguminosa rica em proteína que é originária do Oriente Médio.



