O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ajudará a elevar a oferta de crédito privado para pequenos produtores do campo. Isso se torna possível por conta de um novo produto financeiro, o BNDES Garantia, que permite ao Banco atuar como garantidor do crédito, em modelo similar ao que ocorreu no Programa Emergencial de Acesso ao Crédito (PEAC), que usou recursos do Fundo Garantidor de Investimentos (FGI) para assegurar R$ 92 bilhões em financiamentos no ano passado.
BNDES GARANTIA na prática
Uma primeira atuação em modelo piloto do BNDES como garantidor de financiamentos rurais ocorreu com o lançamento ontem (6) de uma operação com a Cotrijal, cooperativa que reúne mais de 7.700 cooperados e atua em 32 municípios no norte do Rio Grande do Sul. A experiência do BNDES no agronegócio e no mercado de capitais o credencia a ser um indutor do desenvolvimento desse tipo de solução de crédito. A chancela do Banco, por sua vez, pode atrair investidores, inclusive para compartilhar riscos, quando a busca for por maior retorno potencial.
A modelagem foi concebida pelo BNDES como uma solução para estimular o financiamento privado ao setor agropecuário em um contexto de alta aversão ao risco, procurando-se também, assim, diminuir a dependência de recursos públicos pelo setor, uma agenda em construção junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). “O BNDES Garantia representa mais um passo da instituição no sentido de se estabelecer como um banco que promove o desenvolvimento por meio de uma ampla gama de serviços, inclusive aqueles complementares ao financiamento tradicional,” explica o diretor de Crédito e Garantia do BNDES, Petrônio Cançado.
Para o MAPA, essa operação concretiza um caminho mais efetivo de como o Estado deve estimular o mercado de crédito para o agronegócio brasileiro. “Entrando como garantidor de instrumentos de crédito, mitigando riscos de perdas do investidor, os recursos públicos permitem acesso de um número maior de produtores rurais a crédito menos oneroso do que o mecanismo de equalização de taxas proporciona”, avalia o secretário adjunto de Política Agrícola, José Angelo Mazzillo Junior.
Nesta quinta-feira (8), às 15h20, o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, e a Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Teresa Cristina, farão uma live de lançamento do Certificado. O evento poderá ser acompanhado no youtube.com/bndes.
Lançados na terça-feira (6) pela Ecoagro em oferta pública, os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) captaram R$ 29 milhões, em recursos que permitirão à Cotrijal apoiar melhor as atividades dos produtores rurais cooperados. Com parcelas anuais em junho de 2021, de 2022 e vencimento em 2023, os títulos contam com isenção de imposto de renda, se adquiridos por pessoas físicas sob a Instrução número 476 da CVM, e terão amortização e remuneração anuais. A garantia do BNDES incidirá sobre a cota sênior da emissão, podendo chegar a R$ 17,4 milhões. A operação será lastreada e garantida, em última instância, pelos recebíveis de membros da cooperativa.
“Ao apoiar a emissão de CRA, o BNDES contribui para o fortalecimento do setor agrícola. Além disso, a garantia do Banco na operação ajuda a atrair mais investidores, sendo mais uma importante alternativa de financiamento para cooperativas, distribuidores e pequenos produtores”, destaca Petrônio Cançado. Para Mazzillo Junior, do Mapa, a intensificação do uso desse mecanismo proporcionará, inclusive, a utilização mais racional do orçamento geral da União em favor do setor, que necessita urgentemente de um seguro rural mais estável e abrangente.
Certificados de Recebíveis do Agronegócio – O CRA é um título de crédito que, como as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA), apresenta benefício fiscal a investidores pessoas físicas. Eles têm como lastro os recebíveis do setor agropecuário – neste caso, dos cooperados da Cotrijal, que cederá os direitos creditórios à Ecoagro. Esta, por sua vez, emite os CRAs, que podem foram adquiridos por investidores em troca de uma remuneração prefixada. A operação conta ainda com a Vortx como agente fiduciário, responsável pelo monitoramento de toda a estrutura, e com o Banco Alfa como banco coordenador líder da oferta ao mercado.




