Elevação dos custos, margens apertadas e desafios logísticos são apenas parte do fardo que o agro carrega em 2025.
Nos últimos meses, o agronegócio brasileiro, um dos pilares da economia nacional, tem enfrentado desafios significativos decorrentes de mudanças na política fiscal. A elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) tem gerado repercussões diretas nos custos de produção, nas margens de lucro e na logística do setor. Este artigo analisa os impactos dessa medida, com base em dados oficiais e fontes confiáveis.
Compreendendo o IOF e sua relevância para o agronegócio
O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), embora muitas vezes passe despercebido no cotidiano da maioria das pessoas, exerce um papel crucial nas engrenagens do sistema financeiro nacional. Trata-se de um tributo federal aplicado sobre operações como crédito, câmbio, seguros e negociações com títulos. Recentemente, o governo federal decidiu elevar as alíquotas do IOF em determinadas modalidades, medida que impactou de forma direta e sensível setores altamente dependentes de crédito, como é o caso do agronegócio.

Para produtores rurais e empresas do setor, o crédito é mais que uma conveniência – é o pilar que sustenta o ciclo produtivo. Ele serve para financiar a compra de sementes, fertilizantes, maquinário e ainda garantir a armazenagem adequada da produção até o momento da venda. Com a nova regra, a alíquota fixa do IOF sobre operações de crédito realizadas por pessoas jurídicas saltou de 0,38% para 0,95%, além do ajuste na alíquota diária, que dobrou, atingindo um teto anual de 3,95% (Ministério da Fazenda, 2025).
Essa elevação pode parecer técnica à primeira vista, mas seus reflexos são bastante concretos: o encarecimento do capital de giro. E é aí que mora a preocupação de especialistas e representantes do setor. Eles alertam que o aumento do IOF pode acabar “estrangulando” a produção agrícola, na medida em que dificulta o acesso a financiamentos essenciais – especialmente para os pequenos e médios produtores, que possuem menos margem para absorver custos adicionais. Essa análise foi sustentada por estudos e declarações veiculadas por economistas ligados à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e pela própria equipe econômica do governo.
Fretes em alta: Um desafio logístico

No complexo quebra-cabeça que compõe o agronegócio brasileiro, o transporte ocupa uma das peças centrais. Em um país de dimensões continentais como o Brasil, onde a malha ferroviária ainda é insuficiente e as hidrovias subutilizadas, o modal rodoviário reina absoluto. Mais de 60% de toda a carga agrícola depende de caminhões para chegar aos portos, centros de distribuição ou mercados consumidores. E quando há qualquer oscilação nos custos logísticos, o impacto se espalha por toda a cadeia.
Com a recente elevação das alíquotas do IOF, um novo fator de pressão surgiu sobre esses custos. O imposto, agora mais elevado em operações de câmbio, afeta diretamente as transações de pagamento internacionais – como no caso do frete marítimo. Segundo especialistas no setor, as taxas tiveram um aumento quase dez vezes maior. Isso torna mais caro não apenas exportar, mas também importar insumos logísticos e manter cadeias de suprimento internacionais.

A situação se agrava ainda mais quando se observa o volume atual de produção agrícola. A safra de grãos 2024/25 foi projetada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para alcançar um recorde histórico de 332,9 milhões de toneladas – número que, embora represente uma conquista para o setor, também impõe uma sobrecarga na demanda por transporte terrestre e marítimo. O resultado é uma escalada dos preços dos fretes, alimentada por uma equação perversa: maior volume, custos operacionais elevados, e agora, tributação mais intensa.
Impacto nas pequenas e médias propriedades
Esse cenário deixa claro que o custo do transporte, que já era um desafio logístico no Brasil, tornou-se ainda mais oneroso para o produtor rural – especialmente os de menor porte, que têm menos margem para absorver tais aumentos.

Os pequenos e médios produtores são os mais afetados pelo aumento dos custos financeiros e logísticos. Enquanto grandes empresas conseguem diluir esses custos em sua escala de produção, os produtores de menor porte enfrentam dificuldades para manter suas operações viáveis.






