No CresceMT, Senar-MT discute propostas para melhorar a educação de base.
A demanda por alimentos deve subir 70% até 2030, estima a FAO, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação. Elevar a produtividade da agricultura para atender a essa demanda crescente é um desafio do agronegócio brasileiro, e que só poderá ser atingido com tecnologia e profissionais mais qualificados.
Diante desse cenário, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Mato Grosso, Senar-MT organizou em 11 de novembro, em Cuiabá/MT, a segunda edição do CresceMT, evento em que chama especialistas em educação e agronegócio para apresentar e discutir propostas para melhorar a educação para uma plateia formada por professores, agricultores, autoridades e membros da sociedade civil.
“A complexidade do trabalho no campo hoje é maior do que na indústria”, afirmou Otávio Lemos Celidônio, superintendente do Senar-MT, revelando a necessidade de qualificação maior do trabalhador rural e como tem esbarrado na má-formação dos alunos em função das deficiências da educação básica. “Se a turma não estão nivelada, é difícil ter o mesmo aproveitamento, e temos tido alunos analfabetos ou alfabetizados mas com baixa compreensão de textos”, afirmou.
“Precisamos discutir educação e como transformá-la. Como engajar os alunos, como motivá-los a participar mais e se tornarem profissionais mais produtivos? Este é o nosso desafio aqui no Senar-MT”, revelou Celidônio, que é engenheiro agrônomo e antes de assumir a superintendência do Senar, neste ano, dirigia o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA).
“Sem a educação de ampla base, não há a especializada”, reiterou Décio Zylbersztajn, fundador e presidente do conselho do Pensa e professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA/USP), em sua palestra no evento. Zylbersztajn defendeu a multidisciplinaridade na formação dos jovens do campo, que ainda devem receber informações sobre a importância e a abrangência do agronegócio.
Para outra participante, a poetisa e filósofa Viviane Mosé, “a educação de base nos ensina a ler bem, a pensar e a discernir”. Ela enumerou as ferramentas para “abrir portar” para novas oportunidades: dominar bem a língua materna, desenvolver o raciocínio sofisticado e entender o contexto, além de recomendar a construção de metodologias específicas para as escolas do campo.


