Soja (MT)R$ 137,51-0.61%
Milho (MT)R$ 46,68+0.09%
Algodão (MT)R$ 127,310.00%
Boi Gordo (MT)R$ 343,00+0.44%
Leite (MT)R$ 2,39-0.30%
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Leite (MT)R$ 2,39-0.30%
Soja (MT)R$ 137,51-0.61%
Milho (MT)R$ 46,68+0.09%
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Atraso na colheita americana e compras da China dão fôlego à soja; Brent vai a US$ 106

Atraso na colheita americana e compras da China dão fôlego à soja

A quarta-feira (14) traz um respiro providencial para o mercado internacional de grãos. Após duas sessões consecutivas de perdas expressivas digerindo os números inflados de produção do USDA, a Bolsa de Chicago (CBOT) amanhece operando no campo positivo para a oleaginosa. O alívio nas telas vem respaldado por dois pilares fundamentais: o atraso confirmado no ritmo das colheitadeiras norte-americanas e uma rodada agressiva de compras da safra dos EUA pela China.

No ambiente doméstico, o retorno da liquidez pós-feriado foi marcado pela retomada do dólar acima do patamar de R$ 5,00, tracionado pelo aperto nas pesquisas eleitorais para o segundo turno da corrida presidencial. Fora do campo, a energia segue em rotação acelerada, com o petróleo Brent avançando para a casa dos US$ 106 diante de novos alertas sobre a capacidade de escoamento no Oriente Médio.

Abaixo, detalho os fundamentos que comandam a abertura desta quarta-feira direto da nossa redação em Cuiabá.

Complexo Soja: Lentidão no campo e apetite de Pequim estancam sangria na CBOT

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros de soja operam com valorização técnica nesta manhã, interrompendo o ciclo de baixas do início da semana.

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Dois motores reativaram a ponta compradora:

  1. Atraso Consolidado pelo USDA: O boletim de acompanhamento de safra divulgado no final da tarde de ontem apontou que a colheita norte-americana de soja atingiu 46% da área. O dado confirma que as máquinas seguem trabalhando 4 pontos percentuais atrás da média dos últimos 5 anos (50%). O cinturão produtor continua exibindo fortes assimetrias: enquanto Arkansas, Kentucky, Mississippi, Tennessee e Wisconsin registram ritmo acelerado, estados cruciais do Meio-Oeste e Planícies, como Iowa, Kansas, Nebraska, Michigan e Dakota do Sul, enfrentam morosidade. No quesito sanidade, o USDA manteve 57% das lavouras em condições boas ou excelentes.
  2. O Fator China: Notícia veiculada pela agência internacional Reuters destravou um novo fôlego para as cotações: compradores chineses fecharam a aquisição de 8 a 10 navios de soja norte-americana nesta semana, volume estimado entre 520 mil e 650 mil toneladas. A injeção dessa demanda física imediata dá sustentação aos prêmios no Golfo e afasta momentaneamente a tese de retração no consumo asiático.

Milho e Trigo: Cereal opera de lado com colheita 6% atrás da média

O milho trabalha em estabilidade na CBOT nesta manhã, oscilando de lado enquanto absorve os dados de campo.

O relatório oficial do governo norte-americano revelou que a colheita do milho alcançou 33% da área, situando-se 6 pontos percentuais abaixo da média histórica de cinco anos (39%). Mesmo com 54% das áreas avaliadas entre boas e excelentes, a lentidão no fluxo das máquinas funciona como um suporte natural, impedindo novas quedas no grão e garantindo sustentação às cotações internacionais.

O front macro: Brent avança a US$ 106,40 com alerta sobre oferta saudita

No mercado de energia, a trajetória altista segue firme e sem trégua. O barril de petróleo tipo Brent registra alta de 0,67% nesta manhã, cotado a US$ 106,40 por volta das 7h (horário de MT).

A sustentação das cotações reflete o prolongamento das crises geopolíticas no Oriente Médio e no leste europeu, sem qualquer sinal de solução diplomática no horizonte. O mercado passa a precificar com maior severidade a dificuldade da Arábia Saudita em manter o pleno abastecimento e escoamento do mercado, dadas as restrições e ameaças que rondam as rotas marítimas tradicionais. Para o agronegócio, o barril consolidado acima dos US$ 105 reforça a rigidez dos custos operacionais no frete e na distribuição de combustíveis.

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Mercado Financeiro: Empate técnico eleitoral devolve o dólar a R$ 5,02

No ambiente cambial doméstico, o dólar registrou uma reviravolta expressiva no retorno do feriado nacional. A moeda norte-americana subiu forte na terça-feira e encerrou o dia com alta de 0,71%, cotada a R$ 5,02.

O movimento descolou da dinâmica internacional, onde a divisa americana cedeu perante boa parte das moedas globais, e foi pautado exclusivamente pela leitura das pesquisas eleitorais:

  • A nova pesquisa BTG/Nexus apontou Flávio Bolsonaro com 48% das intenções de voto no segundo turno, contra 45% do presidente Lula.
  • Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, o quadro configura empate técnico, desidratando parte do otimismo inicial do mercado financeiro e provocando uma recalibração defensiva no câmbio doméstico.

América do Sul: Câmbio a R$ 5,02 e Chicago firme reabrem liquidez no balcão

No Brasil, o produtor rural recebe um alívio simultâneo na ponta das receitas. A retomada das cotações em Chicago combinada com o dólar operando acima de R$ 5,02 melhora a paridade de exportação e recompõe o valor da saca em reais no mercado disponível e para entrega futura.

Enquanto a primeira safra avança no solo brasileiro, as tradings e produtores calibram o ritmo de comercialização, aproveitando as janelas de valorização para garantir margem diante de uma matriz de insumos e logística ainda encarecida pela disparada contínua do petróleo.

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Resumo Executivo para o seu radar hoje:

  • Reação em Chicago: Soja sobe na CBOT após dois dias de perdas; milho opera de lado com suporte de campo.
  • Colheita nos EUA Atrasada: USDA aponta colheita de soja em 46% (vs. média de 50%) e milho em 33% (vs. média de 39%); qualidade sólida (soja 57% e milho 54% boas/excelentes).
  • China Ativa no Mercado: Importadores chineses adquirem entre 8 e 10 cargas de soja dos EUA (520 a 650 mil t) nesta semana, animando as mesas.
  • Petróleo Firme: Brent avança para US$ 106,40 com impasses militares no Oriente Médio e dificuldades no escoamento saudita.
  • Dólar Rompe R$ 5,02: Moeda sobe no Brasil em descolamento externo, reagindo ao empate técnico entre Flávio (48%) e Lula (45%) na pesquisa BTG/Nexus.
  • Alívio no Balcão: Combinação de CBOT positiva com dólar a R$ 5,02 recompõe a formação de preços no interior de Mato Grosso.

A quarta-feira redesenha uma janela técnica oportuna para a comercialização. A recuperação da soja em Chicago somada ao retorno do câmbio aos R$ 5,02 devolve fôlego à saca no mercado físico, contrabalançando o peso da alta do petróleo a US$ 106. A orientação para as fazendas em Mato Grosso é monitorar a sustentação desses ganhos ao longo do dia para travar lotes estratégicos de grãos e blindar a paridade de troca frente aos fretes da safra.

Seguiremos acompanhando cada movimento das mesas ao longo do dia no Agronews.

Por Luiz Cunha – Consultor de mercado físico de grãos e fertilizantes

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Foto de Vicente Delgado

Sobre o autor

Vicente Delgado

DRT 2364/MT
Editor-Chefe e Fundador24+ anos de experiência

Jornalista e fundador do Agronews, atua desde 2002 em produção audiovisual e cobertura do agronegócio brasileiro, com foco em commodities, política agrícola, pecuária e eventos do setor.

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