Soja (MT)R$ 121,84-0.33%
Milho (MT)R$ 42,48-0.31%
Algodão (MT)R$ 130,36-1.39%
Boi Gordo (MT)R$ 322,75+0.22%
Leite (MT)R$ 2,27+5.06%
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Leite (MT)R$ 2,27+5.06%

Algodão no Semiárido: inovação faz a cultura renascer no Norte de Minas

Algodão no Semiárido inovação faz a cultura renascer no Norte de Minas

Parceria com a Bayer leva sementes de alta performance, biotecnologia, mecanização e assistência técnica a agricultores familiares de Catuti e Monte Azul

O mineiro raiz conhece bem essa máxima “a mesma água que corre para baixo também pode correr para cima.” No semiárido do Norte de Minas Gerais, a frase parece contrariar a geografia, mas traduz com precisão a capacidade de uma comunidade de transformar escassez em oportunidade.

Quem percorre a região encontra pontes sobre leitos secos, onde as pedras desenham o esqueleto de rios que aguardam a chuva. Foi diante dessa paisagem que a reportagem do Agronews encontrou outro curso de água, menos visível, mas igualmente poderoso: uma corrente de conhecimento, tecnologia e esperança fazendo florescer as maçãs do algodoeiro.

O algodão já ocupou extensas áreas do Norte mineiro. Depois, perdeu espaço diante dos períodos prolongados de estiagem, da pressão do bicudo-do-algodoeiro, da falta de assistência técnica e da dificuldade dos produtores em acompanhar as transformações da agricultura.

Algodão no Semiárido inovação faz a cultura renascer no Norte de Minas (10)

A cultura chegou a ser considerada inviável para a região. Agora, volta ao campo sustentada por sementes de alta performance, biotecnologia, irrigação, manejo agronômico, mecanização adaptada e organização cooperativista.

No centro dessa transformação está uma parceria de mais de duas décadas entre a Bayer e a Cooperativa dos Produtores Rurais de Catuti, a Coopercat. O trabalho mostra que tecnologias normalmente associadas às grandes propriedades também podem ser ajustadas à realidade da agricultura familiar.

Onde a terra parecia vencida

Para conhecer essa história, a reportagem do Agronews deixou Goiânia, cruzou a linha da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil e chegou a Catuti, no Norte de Minas Gerais.

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Foi em torno da ferrovia que o município começou a se formar. Hoje, os trilhos também ajudam a contar outra travessia: a passagem de uma agricultura marcada pelo abandono da cotonicultura para um sistema produtivo que volta a enxergar futuro no algodão.

A Coopercat reúne atualmente 970 associados. Dentro desse universo, famílias envolvidas diretamente com a produção de algodão encontram na cultura uma alternativa de renda e uma atividade complementar à pecuária.

A cooperativa atua em conjunto com o Centro de Difusão de Tecnologia Algodoeira de Catuti, o Ceditac, na adaptação de equipamentos, no beneficiamento da produção e na transferência de conhecimento técnico.

Máquinas que já não atendem às necessidades das grandes áreas do Cerrado encontram nova utilidade nas pequenas propriedades do semiárido. Colheitadeiras, prensas, transbordos e equipamentos de aplicação são ajustados à escala dos agricultores familiares.

Ali, o que poderia ser tratado como sucata torna-se ferramenta de modernização.

A pluma produzida na região abastece principalmente a indústria têxtil mineira. O caroço também permanece na economia local, sendo utilizado na suplementação do rebanho leiteiro.

Nada se perde. A pluma abastece a indústria, o caroço alimenta o gado e o conhecimento prepara a próxima geração.

Bayer estrutura um ecossistema de inovação

Na safra 2025/2026, o projeto apoiado pela Bayer alcançou uma área de 260 hectares atendida pela Coopercat na região de Catuti.

A atuação da companhia não se limita ao fornecimento de sementes. A parceria reúne biotecnologia, capacitação, equipamentos de aplicação, mecanização da colheita e soluções para transportar o algodão até a unidade de beneficiamento.

Natalie Alves, vice-presidente de Ciências Regulatórias da Bayer para a América Latina, explicou que a iniciativa começou há cerca de 20 anos e está alinhada à estratégia global da empresa de ampliar o acesso dos pequenos produtores à tecnologia.

Aqui na região de Catuti, essa iniciativa vem para trazer tanto as nossas tecnologias como também apoiar o agricultor familiar com produtos, com as tecnologias, com o sistema dentro aqui da região para que eles produzam mais, desenvolvam mais e tenham acesso e também consigam produzir com sustentabilidade.

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(da esquerda para direita) Delermando França – Prefeito de Catuti/MG, Natalie Alves – vice-presidente de Ciências Regulatórias da Bayer para a América Latina e Tibúrcio do Algodão, é técnico agropecuário e gerente da Coopercat | Foto: Moacir Rodrigues – Agronews

Segundo Natalie, o trabalho envolve não apenas a entrega de sementes, mas também treinamento, tecnologias de aplicação e equipamentos que ajudam os agricultores a compreender e aperfeiçoar o manejo da cultura.

Para a executiva, democratizar o acesso à inovação é uma das responsabilidades de uma empresa que tem a pesquisa como fundamento de sua atuação.

Somos uma empresa de pesquisa. Inovamos. Temos um investimento de 2 bilhões de euros em pesquisa e desenvolvimento e a gente quer, nessa parceria, dar acesso a esses pequenos agricultores para eles conseguirem produzir mais com sustentabilidade.

O projeto integra a meta global da Bayer de capacitar 100 milhões de pequenos produtores em países em desenvolvimento por meio de projetos educativos, produtos e parcerias.

Natalie destacou ainda que o trabalho realizado em Catuti aproxima os agricultores familiares de sementes Deltapine com tecnologia Bollgard 3, além de preparar a região para futuras gerações de biotecnologia.

É um trabalho de educar o agricultor e dar acesso a essas tecnologias. Por ser uma cooperativa formada por pequenos produtores, queremos que eles consigam produzir, continuar crescendo e enfrentar os desafios da agricultura com mais conhecimento.

Segundo a executiva, a Bayer pretende ampliar progressivamente o acesso dos produtores da região às novas tecnologias de seu portfólio. Entre as perspectivas mencionadas na entrevista está a chegada da Bollgard 4 a partir de 2028, condicionada às aprovações regulatórias e ao planejamento comercial da companhia.

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A Bollgard 4 representa a próxima geração da plataforma de proteção do algodoeiro contra pragas lepidópteras. A tecnologia não deve ser confundida com o controle do bicudo-do-algodoeiro nem com o manejo de plantas daninhas, que exigem estratégias específicas.

Para apresentar os resultados da cooperação, a Coopercat, o Ceditac, a Bayer e parceiros da cadeia produtiva promoveram um Dia de Campo no Sítio Custódio, em Monte Azul. O encontro mostrou como a combinação entre conhecimento científico, experiência dos agricultores e estrutura produtiva pode transformar a agricultura familiar.

O resgate da cotonicultura no Norte de Minas Gerais é um processo contínuo que exige ciência, inovação e parceria”, afirmou Fernando Prudente, diretor de Negócios de Algodão da Bayer.

Segundo o executivo, o compromisso da companhia contempla toda a cadeia, do cultivo à pós-colheita.

Ao estruturarmos a agricultura familiar com biotecnologia, manejo inteligente e logística, promovemos um desenvolvimento que fortalece o ecossistema produtivo local e garante resiliência a essas famílias frente aos desafios do dia a dia.

Sementes Deltapine adaptadas à região

Para a safra 2025/2026, a Bayer doou 150 sacos de sementes Deltapine das variedades DP 2104 B3RF e DP 2176 B3RF.

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Os materiais combinam a proteção da tecnologia Bollgard 3 contra importantes lagartas do algodoeiro com a tolerância ao glifosato proporcionada pela tecnologia Roundup Ready Flex. As variedades também apresentam resistência à mancha de ramulária, uma característica agronômica importante para o manejo da cultura.

A proteção proporcionada pela Bollgard 3 é direcionada a determinadas lagartas. A tecnologia não controla o bicudo-do-algodoeiro, praga que exige monitoramento constante e um programa específico de manejo integrado.

Isso significa combinar conhecimento sobre o ciclo da praga, destruição de restos culturais, respeito ao vazio sanitário, monitoramento da lavoura e aplicação de produtos registrados sob orientação técnica.

Mais do que entregar sementes, o projeto busca ensinar os agricultores a explorar o potencial genético de cada variedade. Isso envolve preparo e correção do solo, distribuição uniforme das plantas, irrigação, nutrição equilibrada, controle de pragas e doenças e uso adequado de reguladores de crescimento.

A tecnologia oferece as ferramentas. O resultado depende da construção de todo o sistema produtivo.

Precisão para enfrentar o bicudo

O bicudo-do-algodoeiro continua sendo uma das maiores ameaças à cotonicultura. No passado, a falta de informação e de estratégias coordenadas de controle contribuiu para o desaparecimento de grandes áreas cultivadas no Norte de Minas.

A situação atual é diferente. Os agricultores contam com monitoramento, assistência técnica e equipamentos capazes de realizar aplicações direcionadas, inclusive em áreas onde a entrada de máquinas convencionais seria difícil.

Em 2024, a Bayer doou um drone para aplicação de defensivos. Com o treinamento dos produtores, o equipamento passou a integrar o programa de manejo adotado pela cooperativa.

Segundo dados apresentados pela Coopercat, a utilização do drone reduziu em 96% o volume de calda de pulverização nas operações comparadas pelo projeto.

A redução se refere ao volume de calda utilizado na aplicação, não necessariamente à quantidade de ingrediente ativo. A dose do produto, o intervalo entre as pulverizações e a necessidade de reaplicação devem respeitar as orientações de bula, as condições da lavoura e a recomendação de um profissional habilitado.

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José Tibúrcio de Carvalho Filho, conhecido como Tibúrcio do Algodão, é técnico agropecuário e gerente da Coopercat. Segundo ele, dentro das condições e do programa de manejo adotado pela cooperativa, o drone também permitiu ampliar o intervalo observado entre determinadas pulverizações.

Comparado ao sistema convencional de pulverizações, em que os intervalos estão entre três e cinco dias, com o drone, o intervalo é de 15 dias e o índice de danos fica próximo a zero. Desde o início do desenvolvimento vegetativo, os produtores que visitam as lavouras não encontram bicudos adultos”, explicou.

O resultado é específico das condições observadas no projeto e não deve ser interpretado como uma recomendação geral de intervalo entre aplicações.

O equipamento também abriu espaço para os jovens. Filhos de cooperados receberam treinamento para operar a tecnologia, criando novas funções dentro da própria comunidade rural.

A inovação, nesse caso, não afastou as pessoas do campo. Criou novas competências para mantê-las nele.

Uma colheitadeira para pequenas propriedades

A mecanização da colheita era outro obstáculo. Equipamentos desenvolvidos para grandes áreas nem sempre conseguem operar com eficiência nas pequenas lavouras do semiárido.

Um investimento de R$ 165 mil, liberado pela Bayer, viabilizou a aquisição de uma colheitadeira de duas linhas adaptada às pequenas propriedades.

A máquina ajuda a preservar a qualidade da fibra exigida pela indústria têxtil, reduz perdas e diminui a dependência de mão de obra em uma etapa crítica da produção.

A estrutura logística foi complementada em 2025 com a doação de um caminhão transmódulo pela Bayer. O veículo permite transportar o algodão em caroço do campo até a unidade de beneficiamento em Catuti sem a necessidade de ensacamento manual.

O sistema permite embarcar até 10 mil quilos de algodão em caroço enfardado diretamente para a usina de beneficiamento, sem custo adicional de mão de obra na etapa de ensacamento.

São investimentos que ajudam a resolver gargalos históricos. Não basta produzir algodão. É preciso colher no momento adequado, preservar a fibra e fazer a produção chegar à indústria com qualidade e eficiência.

Hoje temos a colheitadeira para os pequenos agricultores e um caminhão para levar o algodão até a unidade de beneficiamento sem precisar ensacar. Todo o processo é acompanhado. Primeiro é preciso produzir. Depois começa o processo de modernização”, explicou Tibúrcio.

A planta começa na raiz

Durante o Dia de Campo no Sítio Custódio, o consultor agronômico Cláudio Silveira chamou a atenção dos produtores para um princípio básico: a produtividade começa antes do aparecimento das primeiras maçãs.

Começa na raiz.

Algodão no Semiárido inovação faz a cultura renascer no Norte de Minas (10)
Professor Cláudio Silveira – Consultor Agronômico | Foto: Moacir rodrigues – Agronews

O algodoeiro possui crescimento indeterminado. Isso significa que, em condições favoráveis, a planta pode continuar emitindo estruturas vegetativas enquanto forma flores e frutos. Sem equilíbrio, parte da energia que deveria sustentar a produção pode ser direcionada ao crescimento excessivo de ramos e folhas.

Por isso, o manejo de reguladores de crescimento deve considerar variedade, população de plantas, disponibilidade de água, fertilidade, temperatura e ritmo de desenvolvimento da lavoura.

Silveira também explicou, em linguagem acessível, o papel de nutrientes fundamentais para o algodoeiro:

  • O potássio participa do transporte de açúcares, da regulação hídrica e do enchimento das estruturas reprodutivas, contribuindo para a formação e a qualidade da fibra.
  • O boro atua no crescimento dos tecidos reprodutivos, na formação da parede celular e na fecundação das flores.
  • O magnésio ocupa posição central na molécula de clorofila e é indispensável à fotossíntese.

Esses nutrientes não atuam isoladamente. O desempenho depende da análise do solo e das folhas, da disponibilidade de água, do equilíbrio entre os elementos e da recomendação técnica para cada área.

No semiárido, a elevada luminosidade e as altas temperaturas podem acelerar o desenvolvimento do algodoeiro quando água e nutrição estão disponíveis. A mesma força do sol que castiga o solo pode, quando bem aproveitada, tornar-se energia para a lavoura.

Produtividade já alcança 320 arrobas

Os primeiros resultados mostram que a recuperação da cultura avançou além do campo experimental.

Segundo Tibúrcio do Algodão, as áreas já colhidas na safra 2025/2026 alcançaram produtividade média de 320 arrobas por hectare.

Nas lavouras ainda em desenvolvimento, incluindo a área que recebeu o Dia de Campo, a perspectiva é superar 600 arrobas por hectare. O resultado definitivo, contudo, dependerá da conclusão da colheita.

A produtividade já obtida nas áreas colhidas é de 320 arrobas por hectare. Para as lavouras em desenvolvimento, a perspectiva é colher acima de 600 arrobas de algodão por hectare, a exemplo da área que sediou o Dia de Campo. Como elas estão na reta final do ciclo, ainda não podemos fixar o número exato, pois o resultado pode surpreender e superar as expectativas”, afirmou Tibúrcio.

Algodão no Semiárido inovação faz a cultura renascer no Norte de Minas (10)

No Sítio Custódio, em Monte Azul, o produtor Osmar Custódio voltou a plantar algodão depois de mais de duas décadas afastado da cultura.

A lavoura irrigada, implantada com sementes Deltapine e acompanhamento técnico, tornou-se uma demonstração do potencial produtivo da região. O desempenho observado antes da colheita renovou a confiança do agricultor.

Foi a primeira vez que plantei algodão em área irrigada. Quero agradecer ao pessoal da Bayer, da Deltapine e a todos que nos acompanharam. A lavoura apresentou uma produção de alto nível, acima do que eu esperava”, disse Osmar.

A experiência reforça uma constatação importante: biotecnologia não produz resultados sozinha. Ela oferece ferramentas. O desempenho aparece quando essas ferramentas são combinadas com irrigação, plantabilidade, correção do solo, nutrição, controle de pragas e assistência técnica permanente.

Assistência e “insistência técnica”

Tibúrcio do Algodão acompanhou a ascensão, o declínio e o início da recuperação da cultura na região.

Ele costuma resumir o desafio com um trocadilho: no algodão, não basta assistência técnica. É preciso “insistência técnica”.

Além das pragas, você tem fisiologia, nutrição e uma gama de fatores que precisam ser acompanhados. Para alcançar produtividades elevadas, o agricultor precisa de conhecimento.

Na avaliação de Tibúrcio, a chegada da biotecnologia permitiu que os pequenos produtores tivessem acesso a recursos que antes pareciam restritos às grandes lavouras do Cerrado e do Oeste da Bahia.

A biotecnologia nos deu a oportunidade de usar uma tecnologia que antigamente diziam ser apenas para os grandes produtores. Na nossa condição de semiárido, ela trouxe uma vantagem. Temos a seca e tínhamos as pragas. Hoje aprendemos a conviver com esses desafios por meio da irrigação, do preparo do solo e do manejo da planta.”, explica.

O próximo gargalo é a plantabilidade. Muitas áreas ainda utilizam plantadeiras convencionais, com limitações na distribuição longitudinal das sementes.

Plantas muito próximas disputam água, luz e nutrientes. Falhas na linha reduzem o aproveitamento da área. A distribuição irregular também dificulta o manejo e impede que cada planta expresse plenamente seu potencial.

A Coopercat pretende avançar na aquisição de plantadeiras de precisão e outros equipamentos adaptados às pequenas propriedades.

Tibúrcio acredita que, com o ajuste da distribuição das sementes e a continuidade dos investimentos em mecanização, algumas áreas poderão alcançar patamares ainda maiores de produtividade. A meta de 800 arrobas por hectare, citada pelo cooperativista, permanece como uma projeção que precisará ser validada nas próximas safras.

Da pluma ao leite

O renascimento do algodão movimenta mais do que as propriedades participantes.

A pluma encontra mercado na indústria têxtil de Minas Gerais. A qualidade obtida também permite que a produção seja avaliada para mercados mais exigentes, embora a cooperativa ainda não realize exportações diretamente.

O caroço permanece na região e entra na suplementação do gado leiteiro, conforme formulação nutricional adequada. O produto ajuda a abastecer pequenas propriedades que produzem leite e queijo destinados ao mercado regional e a outros estados.

Forma-se, assim, uma cadeia integrada. O algodão gera renda para o agricultor, matéria-prima para a indústria e alimento para a pecuária leiteira.

O futuro exige ajuste fino

A recuperação da cotonicultura no Norte de Minas ainda enfrenta desafios. O risco climático permanece. O bicudo continua presente. A agricultura familiar ainda precisa ampliar o acesso à irrigação, à mecanização e ao crédito.

Mas o cenário já não é o mesmo de duas décadas atrás.

Ao reunir sementes Deltapine, biotecnologia Bollgard 3, capacitação, equipamentos e apoio logístico, a Bayer ajudou a reduzir barreiras que mantiveram os pequenos produtores afastados da cultura.

A empresa não forneceu apenas insumos. Participou da estruturação de uma cadeia que começa na escolha da semente, atravessa o manejo da lavoura e termina no transporte do algodão até a unidade de beneficiamento.

Algodão no Semiárido inovação faz a cultura renascer no Norte de Minas (3)

A parceria não elimina os riscos do semiárido nem encerra a ameaça das pragas. Oferece, porém, instrumentos para que os agricultores possam enfrentá-los com mais conhecimento, precisão e capacidade operacional.

Nós ainda não temos capacidade para fazer todos esses investimentos sozinhos. Precisamos construir bons projetos para a região produzir mais. A parceria tem dado muito certo. É um casamento perfeito com a Bayer”, resumiu Tibúrcio.

No Norte de Minas, o algodão ainda precisa atravessar veranicos, pragas, custos de produção e limitações estruturais. Mas já deixou de ser uma lembrança presa ao passado.

As maçãs que se abrem nas lavouras de Catuti e Monte Azul mostram que pesquisa, cooperação e conhecimento podem mudar o destino de uma cultura.

É no amassar do barro que se faz o pote. É na raiz bem cuidada que nasce a fibra. E é na união entre a experiência das famílias, a organização da cooperativa e a inovação da Bayer que a água, contrariando o curso esperado, volta a correr para cima.

Por Moacir Cunha Neto – Especial para o Agronews, de Catuti (MG)

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Sobre o autor

Vicente Delgado

DRT 2364/MT
Editor-Chefe e Fundador24+ anos de experiência

Jornalista e fundador do Agronews, atua desde 2002 em produção audiovisual e cobertura do agronegócio brasileiro, com foco em commodities, política agrícola, pecuária e eventos do setor.

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