A quinta-feira (24) amanhece com o mercado respirando aliviado no front comercial, mas em estado de alerta máximo na geopolítica energética. A aguardada cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping resultou em uma trégua providencial, garantindo a manutenção das condições de comercialização agrícola até 2027. Esse alívio diplomático impulsionou a soja na Bolsa de Chicago (CBOT) nesta manhã.
No entanto, o verdadeiro choque do dia vem de fora das lavouras: a decisão dos Estados Unidos de proibir a exportação de petróleo, somada ao caos ininterrupto no Oriente Médio, jogou o barril do Brent para a casa dos US$ 105. Esse movimento arrastou o dólar para os R$ 5,17, elevando imediatamente a régua de custos para a safra 2026/27 no Brasil.
Abaixo, detalho os fundamentos que comandam as mesas de operação direto da nossa redação em Cuiabá.
O front macro: EUA proíbem exportação de óleo e Brent dispara a US$ 105,11
O mercado internacional de energia abriu a quinta-feira em modo de pânico comprador. O barril de petróleo tipo Brent registra forte alta de 1,97%, cotado a US$ 105,11 (posição das 8h50, horário de MT), dando sequência à disparada iniciada na sessão de ontem.
O gatilho para essa explosão nos preços foi a drástica medida do governo norte-americano de proibir as exportações de petróleo dos EUA, uma ação que soou como um alarme de restrição severa de oferta para o mercado global. Simultaneamente, os conflitos no Oriente Médio seguem sem qualquer perspectiva de solução, forçando a Arábia Saudita a buscar alternativas logísticas de emergência para conseguir manter o escoamento do seu óleo bruto. Para o produtor brasileiro, a energia encarecida a esse nível é sinônimo de fretes e fertilizantes mais caros na largada do plantio.
Complexo Soja: A trégua de dois meses e a recuperação em Chicago
Na Bolsa de Chicago (CBOT), a oleaginosa amanhece no campo positivo (posição das 8h15, horário de MT), recuperando integralmente as perdas registradas no pregão de ontem.
O ânimo das mesas de operação é ancorado na diplomacia. A reunião realizada ontem entre Donald Trump e Xi Jinping estabeleceu uma trégua comercial de dois meses. Ficou acordada a manutenção das regras comerciais para a continuidade das exportações do grão americano até 2027, enquanto as duas potências tentam costurar acordos em áreas mais sensíveis, como terras raras e transferência tecnológica.
Embora essa extensão reduza significativamente o risco imediato de uma nova guerra tarifária, o mercado tem clareza de que não se trata de um acordo definitivo. As principais rodadas de negociação da visita ocorrem ao longo desta quinta-feira. Paralelamente, os traders seguem monitorando o fluxo de compras de soja americana pela China: as aquisições aceleraram nos últimos dias, mas o volume total ainda permanece distante da ambiciosa meta de 25 milhões de toneladas.
Milho e Trigo: Cereais em leve recuo na expectativa de dados
O milho não conseguiu acompanhar o otimismo da soja e amanhece operando em leve campo negativo na CBOT, devolvendo parte dos ganhos acumulados recentemente.
O complexo cerealífero adota uma postura mais defensiva nesta manhã. Os operadores estão na expectativa da divulgação de novos números consolidados sobre o avanço da colheita nos Estados Unidos, que tem ganhado ritmo, e acompanham de perto os desdobramentos da visita de Xi Jinping a Washington, que pode alterar as rotas de exportação do milho americano.
América do Sul: Plantio da safra 26/27 no centro das atenções
No Brasil, o produtor e as tradings calibram suas posições de olho na trégua entre EUA e China, que afasta o fantasma de uma disrupção comercial de curto prazo e dá fôlego às cotações internacionais da soja.
O foco analítico agora se volta para o ritmo das plantadeiras. O mercado aguarda com ansiedade os novos dados oficiais de avanço do plantio da safra 2026/27. Com o câmbio em forte alta e a geopolítica inflando os custos globais de energia, o produtor de Mato Grosso precisa monitorar milimetricamente a formação dos preços internos para não perder a janela de rentabilidade diante do encarecimento dos insumos importados.
Mercado Financeiro: Aversão ao risco joga o dólar a R$ 5,17
No ambiente cambial, a manhã é de forte tensão. A moeda norte-americana dispara frente ao real e trabalha na casa de R$ 5,17 (posição das 9h, horário de MT).
A força do dólar hoje é um reflexo direto da aversão global ao risco. O mercado financeiro reage às preocupações geopolíticas disparadas pela restrição de exportação de petróleo nos EUA e pela disparada do Brent. Em momentos de incerteza energética e militar, o capital especulativo foge para a segurança do dólar, dominando o pregão e pressionando moedas emergentes como o real.
Resumo Executivo para o seu radar hoje:
Trégua Comercial: Encontro Trump–Xi garante extensão das condições de comercialização da soja americana até 2027; rodadas principais de negociação acontecem hoje.
Reação em Chicago: Soja abre no azul e recupera perdas da véspera animada pelo cenário diplomático, enquanto o milho opera em leve baixa.
Demanda Asiática: Compras chinesas aceleram, mas o volume acumulado ainda segue distante da meta anual de 25 milhões de toneladas.
Choque na Energia: Brent salta quase 2% e vai a US$ 105,11 puxado pela proibição de exportações de petróleo pelos EUA e pelo impasse logístico saudita.
Foco no Campo Brasileiro: Analistas aguardam a atualização dos dados de plantio da safra 26/27 para medir o ritmo da largada sul-americana.
Dólar Dispara a R$ 5,17: Moeda americana reflete o pânico energético global e o risco geopolítico, encarecendo os custos dolarizados da nossa safra.
A combinação de soja sustentada pela trégua tarifária e um dólar batendo R$ 5,17 cria um ambiente muito favorável para a formação de preços no balcão de Mato Grosso hoje. O desafio, no entanto, é o petróleo a US$ 105. A recomendação tática é usar essa explosão cambial para travar os custos pendentes de insumos antes que o repasse do Brent chegue às planilhas das misturadoras de fertilizantes. Um excelente dia de negócios a todos!
Por Luiz Cunha – Consultor de mercado físico de grãos e fertilizantes
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Sobre o autor
Vicente Delgado
DRT 2364/MT
Editor-Chefe e Fundador24+ anos de experiência
Jornalista e fundador do Agronews, atua desde 2002 em produção audiovisual e cobertura do agronegócio brasileiro, com foco em commodities, política agrícola, pecuária e eventos do setor.