• Soja (MT)R$ 134,51-0.14%
  • Milho (MT)R$ 44,86-1.23%
  • Algodão (MT)R$ 127,24-0.07%
  • Boi Gordo (MT)R$ 349,64+0.14%
  • Leite (MT)R$ 2,39-0.30%

Alerta de El Niño acende sinal de risco no agro de mt com calor extremo e queimadas

O agronegócio de Mato Grosso começa a se mobilizar diante de um cenário climático preocupante. A NOAA, agência climática dos Estados Unidos, emitiu um alerta de El Niño com 82% de chance de formação entre maio e julho de 2026. A projeção acendeu o alerta para o segundo semestre no maior estado produtor de grãos do país. As previsões indicam temperaturas extremas e risco elevado de queimadas justamente na janela mais sensível do calendário agrícola.

Area de queimada em propriedade rural durante periodo de seca intensa em Mato Grosso

Boletim de risco de fogo projeta temperaturas de até 45°C entre agosto e outubro, período crítico para colheita do milho safrinha e preparo das lavouras de soja

O Boletim de Risco de Fogo da consultoria GMG Ambiental trouxe números que chamam a atenção de quem vive da terra. As temperaturas devem oscilar entre 44°C e 45°C nos meses de agosto a outubro, com destaque para o período entre 12 e 26 de agosto. É aí que a coisa aperta para o produtor rural. Marcelo Romão, analista de Risco de Fogo da GMG Ambiental, fez um alerta direto. Os municípios de Sinop, Sorriso, Alta Floresta, Nova Mutum e Querência estão na rota crítica dos incêndios. Setembro promete ser o ápice, com potencial para quebrar recordes históricos de temperatura e focos de calor. Em outubro, a região metropolitana de Cuiabá deve amargar dias de muita fumaça e termômetros passando dos 40°C.

A verdade é que os focos de calor podem subir entre 30% e 80% acima da média histórica. Para ter ideia, 2020 e 2024 já foram anos críticos para queimadas no estado. Agora o cenário pode ser ainda mais severo. A umidade relativa do ar tem previsão de cair abaixo de 12%, nível considerado de emergência pela Organização Mundial da Saúde.

Lavoura de graos sob impacto climatico de calor extremo e El Nino no Brasil central

Alerta no calendário agrícola e seus impactos na safra, pastagens e logística

Esse pacote climático adverso cai justamente em cima do calendário do campo. Agosto é o período de colheita do milho safrinha, uma das principais culturas do estado. Com temperaturas extremas e risco de queimadas, a operação no campo fica comprometida. Setembro e outubro marcam a preparação do solo e o plantio da soja, atividades que exigem condições adequadas de umidade e planejamento.

Só que não são só as lavouras que sofrem. As pastagens secas elevam o risco para a pecuária, que já enfrenta desafios com a estiagem prolongada. A situação também pode afetar o escoamento da produção. A fumaça intensa e os focos de incêndio próximos às rodovias BR-163 e BR-364 ameaçam a logística de transporte dos grãos. Pois é, o produtor precisa se preparar para um período de aperto em várias frentes.

O que o produtor pode fazer com prevenção, tecnologia e seguro

Diante desse quadro, a recomendação é agir antes que o fogo chegue. A manutenção de aceiros nas propriedades é medida básica e urgente. As queimas controladas para limpeza de pastagens precisam ser totalmente suspensas durante o período de maior risco. Equipamentos de combate devem ficar prontos e as brigadas precisam estar treinadas e mobilizadas.

Detalhe importante. O Governo de Mato Grosso disponibiliza a Plataforma Orion, ferramenta de monitoramento em tempo real que ajuda o produtor a acompanhar as condições de risco na sua região. Quem ainda não contratou seguro rural pode encontrar agora um bom momento para rever essa decisão. A verdade é que prevenção sai mais barata do que remediar depois que o estrago está feito.

O momento exige planejamento e olho no clima. O agro mato-grossense já mostrou resiliência em outras crises. Agora o recado é claro. Quem se antecipar vai sofrer menos.

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