Setor de máquinas e equipamentos agrícolas cresce no país que concentra parques industriais modernos e competitivos
O Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia) acaba de ganhar a primeira fábrica de tratores Farmtrac no Brasil. São 20 mil metros quadrados de área construída, numa área total de 60 mil metros quadrados, e capacidade para produzir até 200 tratores por mês. O investimento foi de R$ 50 milhões e deve gerar cerca de 250 empregos diretos na região. A escolha do negócio não foi aleatória. Trata-se de um setor que, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), tem previsão de crescimento de 10,7% na produção e 13% nas vendas. Nada mal em um ano em que a economia brasileira, na melhor das hipóteses, vai crescer 0,5%.
A mecanização da produção não é um privilégio da agricultura empresarial. Dos grandes produtores aos agricultores familiares, todos estão utilizando cada vez mais máquinas, que são cada vez mais produtivas. “E ainda temos um potencial muito grande de crescimento”, assegurou a vice-presidente da Anfavea, Ana Helena de Andrade. De acordo com ela, o Brasil, diferente de outros países produtores, não tem apenas uma safra anual. “Já temos duas safras e estamos caminhando para a terceira. Isso ocasiona um maior desgaste das máquinas. Ainda temos muita área cultivável e a expansão agrícola aumenta a necessidade de mais maquinário. Além disso, apesar de todo o crescimento do mercado, ainda temos um índice muito baixo de mecanização, similar ao da França, que tem área e produção muito menores que a do Brasil”, avaliou Andrade.
O presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA), da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), Pedro Estevão Bastos, concorda com Andrade. Para a Abimaq, a previsão de crescimento do setor para 2017 é de 15%, com valores da ordem de R$ 14 bilhões. De acordo com ele, os parques industriais do setor no Brasil estão entre os mais modernos do mundo. “Não é fácil entrar no mercado brasileiro. As três maiores multinacionais do setor já estão aqui. Os estrangeiros são grandes fabricantes para a agricultura de clima temperado mas fazer a adaptação para a agricultura tropical não é tão simples”, explicou Bastos.
Novidade
Para alcançar sua fatia do mercado, a estratégia da FMB, empresa brasileira de máquinas e implementos do Grupo Meimberg, que nasceu de recente parceria com o Grupo indiano Escorts, está definida em duas etapas: a primeira, com a importação e venda dos tratores poloneses Farmtrac; e a segunda, com a produção e consequente nacionalização das máquinas para sua distribuição em todo o território nacional. “Nosso objetivo é começar a importar e vender uma média de 50 tratores ao mês e com a nacionalização, triplicar o número, garantindo uma saída de 150 a 200 máquinas da fábrica”, revelou o diretor comercial da FMB, Luciano Petroski.
Na segunda fase do projeto, as máquinas serão produzidas utilizando apenas o trem de força importado, ampliando a linha de produtos. Também faz parte desta etapa a diversificação do portfólio, com tratores de pequeno porte, a partir de 22cv, que atenderão culturas de frutas, café e cana-de-açúcar. “Estamos entre os 10 maiores do mundo. Nosso diferencial é um produto de qualidade com preço competitivo”, explicou Petroski. Dentre as vantagens da marca, estão o menor custo operacional, a praticidade no manuseio e o menor raio de giro, fator que favorece o trabalho em propriedades pequenas.
Com menos de dois meses no mercado, a empresa já participou de feiras agropecuárias em Rio Verde (GO), Palmas (TO) e Brasília (DF). “Estou animado. O montante de negócios superou as expectativas e conseguimos parceiros para abrir mais de 20 revendas”, contou Petroski ao final da participação na AgroBrasília. O empresário acrescentou sua satisfação com a feira da capital federal e garantiu sua participação na próxima edição, no ano que vem.



