Ferramentas de agricultura de precisão ajudam a identificar e planejar cenários e trajetos mais apropriados com o objetivo de tornar a operação de semeadura mais precisa.
O AgroCAD é um inovação que consegue unir alta complexidade e precisão, com resultados comprovados. Diversas técnicas de gestão das lavouras têm sido disponibilizadas nos últimos anos, devido à mudança no perfil da agricultura brasileira, fazendo com que os produtores busquem técnicas que aumentem a capacidade produtiva de suas propriedades, mantendo-se competitivos no mercado. O conjunto dessas técnicas, denominado Agricultura de Precisão (AP), tem por princípio a utilização dos recursos disponíveis de forma racional e precisa aliado a sistemas de tecnologia, de modo a reduzir o custo e aumentar a lucratividade da atividade agrícola.
Siga-nos: Facebook | Instagram | Youtube
Redução de custos e aumento de produtividade
Ao se pensar em redução de custos é fundamental que as operações sejam realizadas com o mínimo de dispêndio possível. O sucesso ou insucesso da lavoura está relacionado com a operação de semeadura, considerada uma das mais importantes etapas do processo produtivo. Quando essa operação é bem-sucedida, facilita o manejo da cultura, melhorando a eficiência das operações subsequentes, principalmente a aplicação de defensivos e a colheita mecanizada.

Assim, o uso de softwares, aliado a um sistema de direcionamento automático, pode contribuir, e muito, na implantação e rentabilidade de um sistema agrícola, uma vez que permite o planejamento da área e a estimativa de gastos na operação de semeadura. Além disso, possibilita análises comparativas de possíveis trajetos a serem percorridos pelo conjunto trator-semeadora, auxiliando na escolha do mais indicado para ser executado no campo, com base em uma série de quesitos, tais como número de manobras, comprimento de linhas, além da estimativa da capacidade operacional. Vale ressaltar que a aplicação e a eficácia desses softwares a campo só são possíveis graças aos Sistemas de Navegação Global por Satélites (GNSS).
Soluções tecnológicas de alto desempenho
Dentre os métodos de posiciona- mento dos GNSS, o mais utilizado atualmente é o de posicionamento relativo por sinal RTK (Real Time Kinematic), que garante erros máximos na ordem de 2,5cm. Porém, vale lembrar que esse tipo de posicionamento, quando utilizado em grandes áreas, ou em áreas com relevo acidentado, pode apresentar degradação do sinal, fazendo com que seja necessária a instalação de bases repetidoras para assegurar a qualidade do sinal.
O planejamento das operações utilizando um projeto e com uso de sinal GNSS, independentemente do tipo de sinal, melhora a qualidade do serviço, uma vez que o operador tem que desviar a sua atenção para o direcionamento da máquina.

Assim, a utilização desses softwares, como o AgroCAD, tem auxiliado produtores em diversos aspectos, como escolha do melhor percurso das máquinas, de modo que seja possível o agricultor escolher aquele percurso em que a máquina ficará mais tempo em operação e menos tempo fazendo manobras, além de estimar, ajustar e sistematizar a área para operações subsequentes.
Desse modo, para avaliar a eficácia do software AgroCAD, o Laboratório de Máquinas e Mecanização Agrícola (Lamma) realizou um experimento simulando cenários para a semeadura de amendoim na região de Orindiúva (SP), em que foram gerados três cenários para a operação, selecionando-se então o mais adequado para realização da operação em campo, em seguida comparou-se o cenário executado com o previamente projetado no software. Para tanto, foi utilizado no planejamento das linhas de semeadura o software AgroCAD, desenvolvido pela TecGraf, representante Autodesk.

No campo, realizou-se o levantamento dos limites dos talhões, utilizando o próprio sistema do trator para gravar o percurso (AMS RTK John Deere). Em seguida percorreram-se os terraços para realizar o levantamento de suas coordenadas. Com o trabalho de campo finalizado, utilizando um pen drive, os arquivos foram transferidos do monitor GS3 para o software AgroCAD.Após os arquivos serem transferidos, a partir dos terraços mapeados em campo, foram criadas linhas paralelas com espaçamento de 5,4 metros, com- patíveis com a configuração da semeadora (seis linhas com espaçamento de 0,9m).Na Figura 1 encontra-se a ilustração das linhas paralelas criadas, assim como o posicionamento das fileiras de semeadura.
Desenhadas as linhas, foi realizada uma análise com objetivo de verificar qual a melhor forma de distribuição das fileiras dentro do talhão, efetuando-se simulações que permitiram avaliar qual seria o projeto de semeadura mais eficiente, utilizando-se, como critério para seleção, a análise de curvas em nível mortas (“matação”), melhor capacidade de campo operacional e otimização de manobras.
Dessa forma, foram criados três cenários com as linhas planejadas de forma distinta entre eles. Esses cenários foram analisados visando posterior- mente à seleção de um para execução no campo. As análises foram feitas no próprio software.

Para cada cenário, o software permite que se possam comparar duas condições de planejamento: sem e com otimização. A condição “sem otimização” representa a utilização das linhas planejadas, porém, sem a junção de linhas próximas. Já na condição “com otimização”, o software verifica as possibilidades de junção de linhas planejadas próximas, utilizando como critérios a máxima distância entre nós e o ângulo máximo permitido pelo piloto automático. Para a análise deste trabalho foram considerados os valores de 25 metros de distância entre pontos (nós) e 10º para angulação máxima.
Resultados e eficácia do planejamento
Após execução do cenário selecionado (término da semeadura), extraíram-se os dados das linhas executadas e, a partir daí, fez-se o comparativo entre o cenário selecionado e o cenário executado no campo. Por meio de comandos do software AgroCAD, foram feitas análises de confiabilidade da execução do projeto, que possibilitaram identificar os desvios realizados em campo, juntamente com a comparação de tempo executado de manobra, capacidade de campo operacional e tempo efetivo de semeadura.







