Bloco econômico ganha projeção na pauta exportadora e pode desbancar a União Europeia nos próximos anos pela busca por produtos do agronegócio brasileiro

Uma relação diplomática de longa data, iniciada em 1924 e que de lá para cá ganhou corpo. Nos últimos anos as relações comerciais entre Brasil e países árabes aumentaram, em especial para os produtos que compõe a pauta de exportação do agronegócio brasileiro, gerando previsão do bloco ultrapassar a União Europeia nos próximos anos, projetou o professor e pesquisador sênior de Agronegócio Global no Insper (São Paulo/SP), Marcos Jank, durante entrevista para o programa 360 veiculado pelo Canal Terra Viva.

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O pesquisador afirmou que a UE já exportou US$ 25 bilhões de produtos do agronegócio do Brasil e que esse valor caiu para US$ 16 bilhões. E lembrou que quando somado todos os produtos exportados por todos os países do Oriente Médio e Norte da África, as exportações do agro brasileiro para a região já atinge a casa de US$ 13 bilhões.

De acordo com o CEO da SIIL Halal, Chaiboun Darwiche, empresa especializada em Certificação Halal, o cenário apontado pelo pesquisador e professor do Insper acentua a necessidade de as empresas brasileiras do agronegócio estarem habilitadas para estes novos rumos que acenam. “A Certificação Halal em seus processos de produção – do campo a mesa do consumidor – passa a ser uma estratégia comercial e obrigatória para atender a crescente demanda e acessar os países árabes.”

Ele destaca que ainda falta clareza por muitos segmentos industriais sobre esta obrigatoriedade, uma vez que o termo Halal, traduzido para o português, significa lícito. “São países que tem em sua totalidade consumidores que professam a fé islâmica. Por isso a necessidade de ter o selo Halal. Isso transmite confiança, ou seja, significa que a Jurisprudência Islâmica amparou todo o processo industrial de um determinado produto que venha a ser consumido”, justifica e completa: “Além da questão religiosa que sustenta a certificação, muito consumidores passaram a optar por produtos certificados, uma vez que traz consigo todo um know-how de rastreabilidade e segurança alimentar, além de acompanhar as normas exigidas por países árabes, gerando confiança, itens que preconizam as etapas do processo de certificação.”