A colheita de trigo ganha ritmo nos principais polos produtores do Brasil, mas o cenário no campo trouxe um alerta vermelho para o mercado e, ao mesmo tempo, uma janela de oportunidade estratégica para o produtor rural
Os primeiros resultados das colhedoras têm decepcionado compradores e moinhos, principalmente quando o assunto é o padrão qualitativo do cereal. O excesso de umidade que acompanhou boa parte do ciclo produtivo cobrou seu preço: a disponibilidade do cobiçado trigo tipo 1 despencou no mercado nacional.
Com o clima atípico penalizando o peso hectolítrico (PH) do grão, houve uma explosão na oferta de trigos dos tipos 2 e 3. Na prática, isso significa que encontrar lotes que atendam às exigências técnicas das indústrias moageiras virou uma verdadeira caça ao tesouro. Como consequência direta dessa escassez pontual, os orçamentos mudaram. Os orçamentos e as propostas dos vendedores que conseguiram preservar a qualidade da lavoura e ainda dispõem de bons volumes estocados ganharam força, sustentando e alavancando os preços pagos pela saca no mercado físico.
A alta na cotação para os grãos de PH elevado reflete o desespero das indústrias em garantir matéria-prima de excelência para a fabricação de farinhas nobres. Para o agricultor que fez a lição de casa no manejo fitossanitário e deu sorte com a janela de colheita, a conjuntura atual é altamente favorável para negociar margens mais atraentes e mitigar os custos elevados da safra.
Segundo os dados mais recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita brasileira do cereal segue avançando firmemente e já se aproxima de um terço de toda a área cultivada no país. Até o final de setembro, o indicador oficial apontava que 28,9% das lavouras destinadas ao cultivo de trigo no território nacional já tinham sido colhidas. À medida que as máquinas avançam sobre os 70% restantes da área, o mercado permanece em constante sobressalto, monitorando se o restante do volume colhido confirmará a tendência de PH rebaixado ou se haverá alguma recuperação de fluxo.
Diante desse cenário de forte volatilidade e diferenciação de preços por tipo de grão, a recomendação dos analistas é clara: é o momento de o produtor rural segregar rigorosamente os lotes colhidos, investir na análise precisa do peso hectolítrico antes de fechar contratos e aproveitar a valorização do trigo tipo 1 para garantir a rentabilidade do negócio. Quem tem grão de qualidade no armazém hoje detém o poder de barganha nas negociações. Clique aqui e acompanhe o agro.
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