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Para o presidente da Central de Comitivas de Mato Grosso, Zeno Rondon, esse era um evento muito solicitado pelas comitivas da região. “Os muladeiros pediram para fazer esse encontro apenas dos muares e está sendo maravilhoso. Quero dizer que isso ajuda na união de todo o grupo, precisamos nos unir para fortalecer ainda mais a nossa classe.“, avalia Zeno.
A programação contou com dois dias de atividades, confraternização e muita festa. Artistas como a dupla Jader & Jales, roda de viola e a tão esperada cavalgada. Além disso, os participantes puderam assistir ao concurso de berrante, melhor animal traiado e a tradicional queima do alho, que é um dos momentos mais esperados do evento.
Como informa o vice-presidente da Central de Comitivas de MT, Dorival Rigotti, ao todo, cerca de 150 muladeiros e convidados participaram deste encontro que foi organizado pela entidade. “Um evento tradicional, trouxemos pessoas de outros estados que vieram prestigiar a queima do alho, troca de alparcas, animais traiados, prova de berrante, enfim. Isso tudo para que a cultura tradicional do sertanejo se mantenha viva e a juventude, além das famílias, que ainda não conhecem possam prestigiar.“, explica Dorival.
Além da programação cultural, cada participante também ofereceu 1kg de alimento não perecível para dação ao Hospital de Câncer de Mato Grosso (HCan).
Assista abaixo a matéria especial produzida pelo Agronews no 1º Encontro de Muladeiros de Mato Grosso. Aperte o Play!
1º Encontro de Muladeiros de Mato Grosso
Sobre os Muares
Muares são animais de carga resistentes, inteligentes, de fácil manejo e vida longa. Essa longevidade permite-lhes trabalhar por mais de 35 anos e em alguns casos, por até 47 anos. São praticamente imunes a aguamentos e apresentam inteligência superior aos seus primos, os cavalos.
Os muares, animais de grande importância na história do Brasil, nunca poderão ser esquecidos. Graças ao trabalho de burros e mulas, o Brasil cresceu, evoluiu e se desenvolveu. Sobre o lombo dos resistentes burros e mulas, foram transportados alimentos, mercadorias diversas e, até mesmo, armas e munições.
E não para por aí, os muares trabalharam arduamente no transporte das maiores riquezas do Brasil colonial que foram o ouro das minas, o açúcar dos engenhos e o café das fazendas. Posteriormente, sua utilização foi estendida para o preparo do solo e a lida com o gado.

Os muares, mulas e burros, são animais híbridos resultantes do cruzamento de um jumento com uma égua, ou de um cavalo com uma jumenta. A mula é o indivíduo fêmea, resultante do cruzamento de um jumento com uma égua. O macho, resultante desse cruzamento, é chamado burro. Ambos pertencem à espécie denominada muar. O cruzamento das mesmas espécies genitoras, porém invertidos os sexos (portanto, cavalo x jumenta), dá origem a um animal diferente, o bardoto. Em algumas regiões do Brasil, os muares recebem, ainda, nomes diferentes e mulo, mu, besta, burro, macho, jerico, são alguns deles.
Para a maioria das pessoas, o muar representa o ponto final na biologia dos equídeos, por ser um híbrido estéril resultante do cruzamento entre duas espécies diferentes. No entanto, apesar de estéreis, todos esses animais são de grande importância rural graças à sua resistência e docilidade. A esterilidade se explica devido ao fato de os cavalos possuírem número de cromossomos diferente dos jumentos. São raros os casos em que uma mula deu à luz. Desde 1527 até os dias atuais, apenas 60 casos foram registrados.
Com o passar dos anos, evoluiu-se também a concepção de uso da raça. Atualmente, é notória a valorização dos muares e jumentos. São inúmeras as utilidades desses animais, além de serem destaque em competições, cavalgadas, provas funcionais em feiras e em concursos. Os Leilões, os cursos de doma racional, o preparo para as exposições, também contribuíram na valorização e na divulgação da raça. Atualmente, o que se tem buscado nesses animais é uma maior docilidade, agilidade, delicadeza e comodidade.
Sobre a figura do tropeiro
Tropeiro, condutor de tropa, arrieiro ou bruaqueiro, é a designação dada aos condutores de tropas ou comitivas de muares e cavalos entre as regiões de produção e os centros consumidores no Brasil a partir do século XVII. Mais ao sul do Brasil, também são conhecidos como carreteiros devido às carretas com as quais trabalhavam.






